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Vivendo e aprendendo

13.03.09

por Renné França

Entre os muros da escola

(Entre les murs, França, 2008)

Dir: Laurent Cantet
Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabat, Laura Baquela, Cherif Bounaidja Rachedi, Juliet Demaille, Dalla Doucoure, Arthur Fogel

Princípio Ativo:
diferenças homogeneizadas

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Ah, a sétima série... Professores carrascos, meninas petulantes, colegas briguentos. Uma nostálgica lembrança ou um pesadelo que felizmente passou. É uma época em que você acha que sabe tudo, tenta se auto afirmar e ao mesmo tempo ser parte de um grupo.

É nesse hiato que personalidades se formam e gostos se criam, assim como medos e desejos. Não é fácil para ninguém, por isso é importante avisar: assistir ao vencedor de Cannes 2008, “Entre os muros da escola”, transportará você de volta àquela sala repleta de alunos barulhentos. Muda o ano e o local, mas a adolescência continua a mesma, na contestação da autoridade ou na ansiedade em saber o que fazer da vida.

A história acompanha o professor (de Francês) François lecionando por um ano na sétima série de uma escola pública de Paris. Pelos seus olhos, vemos alunos e colegas de trabalho. O diretor Laurent Cantet conduz um roteiro que não julga, inserindo o espectador em suas cenas. Enquadrando os alunos sempre em conjunto, Cantet constrói uma interessante oposição “turma versus professor”, sozinho em quadro. Além disso, a câmera é mantida baixa quando focaliza os estudantes, enquanto François aparece sempre em posição mais alta, transferindo para a narrativa a hierarquia que pontua todo o filme.

Por mais que o professor tente se aproximar de seus alunos, há um abismo os separando: da classe à religião aos times de futebol. E a escola funciona ignorando essas diferenças, que gritam na tela, e premiando os alunos que se enquadram melhor dentro da homogeneização.

As reuniões dos professores e seus sistemas de punição revelam a ineficiência de um sistema que lida com personalidades diferentes da mesma maneira. O conceito de justiça igual para todos é aos poucos desconstruído, culminando na apresentação de um exercício de autorretrato. Os alunos são finalmente enquadrados individualmente, revelando as especificidades de cada um e as dificuldades em lidar com as desigualdades dentro de uma turma vista como homogênea.

Deixando situações em aberto e criando tensão com eventos banais, Cantet consegue um retrato impressionante e realista, ainda mais pungente quando sabemos que o protagonista não é ator profissional, mas um ex-professor de uma escola parecida com a do filme. Os alunos também têm o mesmo nome de seus atores, todos amadores e matriculados na sétima série.

Realidade e ficção misturam-se em uma obra que, mesmo passada totalmente dentro da escola, revela toda uma realidade que se estende para além de seus muros. No final, fica a conclusão de que ensinar é muito mais do que dar aula.

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