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Limpando as ruas

22.03.09

por Igor Costoli

Gran Torino

(EUA/Austrália, 2008)

Dir.: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Ahney Her, Bee Vang, Christopher Carley

Princípio Ativo:
Os velhos tempos

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Quando sua esposa falece, Walter Kowalsky (Clint) olha ao seu redor e tudo o que vê lhe desagrada em absoluto. Distante dos filhos, não consegue não se irritar com seus netos e odeia os rumos que o mundo tomou. Seus antigos vizinhos foram substituídos pelos Hmong, da região do Laos, a quem se refere como “os chinas” e trata com grosseria, incomodado com os fantasmas que evocam em sua mente.

Raiva é tudo que lhe resta, por isso sua esposa, sabendo do peso que o marido carrega desde seu tempo de combatente na Guerra da Coréia, fez um último pedido ao padre Janovich: que fizesse Walter se confessar.

Dirty Harry

A transformação acontece quando o pequeno Thao (Vang), seu vizinho, começa a ser assediado por uma gangue de delinquentes Hmong. Walt, cuja única alegria é um Gran Torino 1972, montado por ele próprio e escondido na garagem, não queria intervir. Queria apenas sossego e, principalmente, distância. Armado, ele os expulsa do seu quintal. Mas acaba os afastando do bairro, algo pelo qual todos os vizinhos fazem questão de lhe agradecer.

- Obrigado, Sr. Kowalsky.
- Saia do meu quintal.

Ser o herói não estava nos planos de Walter, menos ainda aceitar que tinha mais em comum com aquelas pessoas que com sua própria gente.

Menina de Ouro

A produção do elenco se esforçou em encontrar atores que fossem de fato descendentes Hmong para os papéis, ainda que o resultado mostre fraqueza justamente quando o roteiro também derrapa nas falas. Ahney Her sequer havia pensado em ser atriz, mas se mostra uma boa escolha para a personagem Sue, irmã de Thao, com a petulância necessária para furar a barreira que Kowalsky levantou entre si e seus vizinhos.

Ao contrário do que possa parecer, “Gran Torino” é menos um filme sobre preconceito e mais uma história sobre como o mundo mudou – pra pior – e mesmo isso não significa o fim do mundo ou o fim de tudo. A força da história está presente na mudança, no elogio à capacidade humana de se transformar e, principalmente, na origem do preconceito: o racismo de Walt tem força na sua ignorância e diminui à medida que ele conhece e entende porque os Hmong estão nos EUA.

A Conquista da Honra

Eastwood parece nascido para este papel, de um homem que diz coisas horríveis, e ainda assim possui o carisma certo para o tom cômico negro que acompanha a história. Em termos de verossimilhança, algumas passagens, como o ato final, soam um pouco falsas. Ainda assim “Gran Torino” é a maior bilheteria da carreira do diretor, com uma história pesada e uma visão de mundo pessimista, apesar da oferta de redenção. Estaria o público envelhecendo também?

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"Isto é envelhecer? Deus, mate-me logo..."

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