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Se você é bonito, descolado e moderninho, dance

07.04.09

por Pablo Moreno

Lady Gaga - The Fame

(2009)

Top 3: "Just Dance", "Poker Face", "Summer Boy"

Princípio Ativo:
Sintetizadores, dinheiro e carão

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A principal crítica à música pop é a de que os artistas são muito produzidos, não têm liberdade artística e que não fazem o som que realmente querem. Aí apareceu a Lady Gaga. A cantora, de apenas 23 aninhos, não é bonita, tem visual excêntrico, usa roupas estranhas, tem formação musical, é talentosa e fala em suas letras sobre coisas que se espera ouvir de um jovem baladeiro: fama, noitada e grana.

O talento da moça se comprova pelo currículo. Lady Gaga estudou música na Universidade de Artes de Nova York, já foi DJ, toca piano desde os 4 anos e já compôs para Britney Spears e Pussycat Dolls, entre outros.

The Fame, seu álbum de estréia, traz a mão pesada de grandes produtores (Akon, RedOne e Martin Kierszenbaum). Apesar disso, o álbum tem a cara (ou seria o carão?) dela. São músicas pra dançar em clubes moderninhos, com óculos tipo máscara, mexendo os ombros e fazendo biquinho.

A primeira parte de The Fame é como uma boa noitada numa balada moderninha. “Just Dance”, a faixa de abertura (com participação de Colbie O’Donis) tem uma batida hipnótica e um refrão grudento. “Love Game” e “Paparazzi” falam sobre o amor, mas de um jeito... moderninho, digamos. “Poker Face” é estilosa e dançante. É ela que dá a deixa pro carão imperar. A voz de fundo repetindo a vocalização faz a base atrevida da canção, que estourou no Brasil nas rádios e nas pistas como segundo single de The Fame.

“Eh Eh (Nothing else I can say)” abre espaço para uma outra etapa no álbum. É como se você acordasse sem ressaca depois da balada porque beijou alguém legal. O refrão da canção – que tem um clipe tão bonitinho quanto sua melodia – prepara o ouvinte para uma parte mais crua de The Fame. Numa nova referência ao fim de semana é como aquele esquenta de sábado no apê de um amigo antes da balada.

No bloco seguinte, The Fame vem com pitadas de anos 80, como se fosse mais uma noite na balada. Em “Boys, Boys Boys” Lady Gaga canta, com um corinho de vozes femininas o hino da Maria Gasolina: “Boys, Boys, Boys! We like boys in cars”. “I like it rough” lembra os competentes sons oitentistas feitos por New Order e Depeche Mode.

“Summer boy” é outro bom momento ensolarado. Se The Fame fosse um seriado, seria como um capítulo especial em Acapulco. O resultado não poderia ser mais divertido. A voz da cantora soa bem humorada e simpática na doce melodia narra as desventuras de um amor de verão que não sobe a serra.

Lady Gaga afirma que seu álbum é um trabalho de pop-art. Não dá pra negar a beleza do disco, sua coerência e o talento da cantora. Sem apelar, sem dizer que beijou garotas, sem sair louca cheirando pelas ruas e sem tomar surra de namorado, Lady Gaga firma seus pés no mundinho pop.

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