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A Bela e a Fera

16.04.09

por Renné França

Anjos da Noite – A Rebelião

(Underworld: Rise of the Lycans, EUA/Nova Zelândia, 2009)

Dir.: Patrick Tatopoulos
Elenco: Michael Sheen, Rhona Mitra, Bill Nighy, Steven Mackintosh, Kevin Grevioux, David Ashton

Princípio Ativo:
a mitologia da série

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“Anjos da Noite – A Rebelião” é um prólogo. Trata-se de uma versão estendida da história, apenas mencionada nos primeiros filmes, sobre um amor proibido entre vampiro e lobisomem que terá como consequência a secular guerra entre as duas espécies.

De acordo com a mitologia da série, as duas criaturas descendem do primeiro imortal, mas os lobisomens eram feras sem qualquer traço humano, caçadas pelos aristocráticos vampiros até que uma anomalia genética fez com que um lobisomem fêmea gerasse um filho de aparência humana. O menino, Lucian, dá origem a um novo tipo de lobisomens, os Lycans, e é criado pelos vampiros como um escravo. Mas sua paixão por Sonya, filha única do líder dos dentuços, origina o conflito cuja resolução foi mostrada nos dois filmes anteriores.

Amor impossível, vampiros, lobisomens, prequel à la Star Wars... apesar de não haver nada de original aí, “Anjos da Noite – A Rebelião” não faz feio ao contar o início de sua saga. Tudo funciona bem melhor, claro, para os já iniciados, que encontrarão referências por toda a obra. Mas é também uma bela porta de entrada para quem não conhecia nada sobre a série e é apresentado a essa fascinante relação entre criaturas amaldiçoadas. A produção consegue pesar bem as diferentes influências, que vão das lendas arthurianas à estética de ação pós-Matrix, com ecos de “A Bela e a Fera” e até uma pitada de comentário social.

O surgimento de Lucian se dá na Idade Média, a famosa era das trevas que virá dar lugar à Idade Moderna e ao domínio da razão. O personagem, em sua dupla identidade de homem e lobo, é a própria representação da mudança de eras, do domínio da “besta” interior domesticada pela racionalidade - aqui mostrada com o rosto e dente dos vampiros, completados pela elegância que esconde o instinto de sangue e destruição do homem.

O longa do diretor Patrick Tatopoulos peca apenas na construção de algumas situações forçadas e em um meio levemente cansativo, que não se decide em qual personagem focar. Auxiliado pela boa performance de Michael Sheen, Lucian é bem mais complexo do que Sonya, uma vez que Rhona Mitra limita-se a repetir as expressões e trejeitos de Kate Beckinsale, estrela dos filmes anteriores (o que é importante para a trama, mas não esconde as deficiências da atriz).

Mas “Anjos da Noite – A Rebelião” cumpre sua função de apresentar o início da história e, ao mesmo tempo, consegue provocar curiosidade nos não-iniciados. Um novo (e primeiro) capítulo da guerra entre vampiros e lobisomens, que explora com propriedade o interessante universo dos poderosos imortais que reinam na escuridão.

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Lucian conseguiu sua própria versão medieval de Michael Clarke Duncan.

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