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O pior de dois mundos

04.06.09

por Daniel Oliveira

A mulher invisível

(Brasil, 2009)

Dir.: Cláudio Torres
Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Maria Manoella, Vladimir Brichta, Fernanda Torres, Maria Luísa Mendonça, Paulo Betti, Lúcio Mauro

Princípio Ativo:
Piovani, Victoria's secret mode on

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Luana Piovani é a melhor coisa de “A mulher invisível”. Em todos os sentidos. E, se depois do Dadogate, de todo o “Ike&Tina brasileiro”, ela é o melhor que o filme tem a oferecer, é sinal de que há algo errado.

É de se imaginar que ver Piovani em trajes mínimos, limpando a casa como se estivesse em uma campanha da Victoria's Secret, é motivo bastante para fazer um longa. Não é. A moça está até muito bem no papel de Amanda, uma mulher ideal no estilo das femmes imortalizadas por Marilyn Monroe, mas o resto do filme não acompanha suas curvas benfeitas (com o perdão do trocadilho).

Amanda é imaginada pelo protagonista Pedro (Mello) para superar a fossa causada pelo abandono da mulher, Marina (Mendonça), sufocada pela idealização excessiva do marido. Pedro conversa com Amanda, vai ao cinema com ela, transa com ela – mas a moça só existe na mente dele.

E o problema do longa escrito e dirigido por Cláudio Torres (Redentor, A mulher do meu amigo) é que, entre as várias opções possibilitadas por essa história, ele segue sempre as mais óbvias e fracas. “A mulher invisível” não é uma fantasia descarada, como o ótimo (e clássico) “Mulher nota 1.000”, nem em nenhum momento a alucinação de Pedro é encarada como uma patologia séria.

Torres nunca abraça de verdade o lado cômico da trama e assume sua imponderabilidade, como o perfeito “ninguém é perfeito” de Billy Wilder em “Quanto mais quente melhor”. Ao mesmo tempo, o sexo-fantasma (que, depois das temporadas de “House” e “Grey's anatomy”, aparentemente virou uma tendência da estação) é questionado pelo amigo Carlos (Brichta), mas nunca é enxergado de forma realista pelo resto do script, que se perde num terceiro ato confuso, desconectado do tom estabelecido anteriormente e forçado.

Com isso, a 'viagem' do protagonista se torna simplesmente uma metáfora pobre e nada sutil de um homem romântico demais, que precisa aprender a encarar as dificuldades de um relacionamento de verdade, representado pela vizinha Vitória (Manoella). Poderia até funcionar se Selton Mello estivesse numa performance inspirada, o que não é o caso. O ator grita, abusa de uma fisicalidade exagerada para forçar o riso e acaba parecendo desafinado em relação ao resto do filme.

Quem se destaca mesmo é Piovani como uma mulher perfeita que gosta de futebol, usa roupas provocantes e com certeza é o sonho ideal de 90% dos homens. Ela nasceu para esse tipo de papel (vide “O homem que copiava”) e, caso o filme todo fosse tão redondo quanto sua escalação, seria um gol de placa. Como está, é um mero coquetel de possibilidades desperdiçadas.

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Cada país tem a Marilyn que merece.

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