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A outra história

06.06.09

por Renné França

O exterminador do futuro – A salvação

(Terminator Salvation, EUA/UK/Alemanha, 2009)

Dir.: McG
Elenco: Christian Bale, Sam Worthington, Anton Yelchin, Bryce Dallas Howard, Moon Bloodgood, Helena Bonham Carter, Common

Princípio Ativo:
a diferença entre “True Lies” e “As panteras”

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Eu já escrevi um roteiro de “O Exterminador do Futuro”. Na verdade, só uma história, aos dez anos de idade, logo após conferir o segundo filme da série. Ainda embriagado com o espetáculo e impressionado com uma breve - mas marcante - cena do John Connor do futuro com uma imensa cicatriz no rosto, resolvi contar de onde ela veio. Como um homem pode lutar contra um exército de máquinas? Como é a vida da tão citada Resistência naquele futuro?

“O Exterminador do Futuro - A Salvação” se passa exatamente na época que tentei vislumbrar. Mas não é a minha história que foi filmada. Por mim, tudo bem. Afinal, McG não é James Cameron. E isso faz uma diferença tão grande quanto aquela entre “True Lies” e “As Panteras”.

O diretor apresenta um ótimo ritmo para a ação e inspirados planos sequência em um futuro apocalipticamente deserto (parece que o Mad Max pode aparecer a qualquer momento). Mas é no hiato entre uma explosão e outra, onde os personagens deveriam ser trabalhados, que ele não dá conta do recado. E quem se sai pior é exatamente seu protagonista: nunca chegamos a compreender o que faz de John Connor um sujeito tão especial - e a atuação de Bale limita-se aos gritos e à cara de poucos amigos.

A história (dedicada até a medula à mitologia da série) continua apostando no esquema “pessoa-importante-que-precisa- sobreviver- a-qualquer-custo”. Desta vez, o alvo das máquinas é o futuro pai de Connor. Kyle Reese (Michael Biehn no original de 1984 e agora Anton Yelchin) é a figura chave que liga o protagonista ao misterioso Marcus, interpretado pelo (futuro astro) Sam Worthington, que rouba com um pé nas costas todo o filme. Yelchin possui a simpatia necessária para que torçamos pela sobrevivência de seu personagem, enquanto Bryce Dallas Howard faz uma quase-ponta no papel que foi de Claire Danes no terceiro filme.

O roteiro também dá seus tropeços, perdendo o foco em diversos momentos e entregando um final que decepciona, depois de um início fantástico. Se você não viu os trailers, o longa reserva boas surpresas, buscando consolidar a base para uma nova trilogia que, provavelmente, levará aos bastidores das aventuras dos três longas anteriores.

Cheio de altos e baixos e perdendo tempo com alguns personagens descartáveis, “O Exterminador do Futuro – A Salvação” tem ação de sobra e é um reinício interessante para a cinessérie. Estão lá o jeitão de filme B e uma bela fotografia “metálica” (com um tom prateado que lembra filmes de guerra), mas nada do charme de James Cameron. E nadinha da minha história. Quer dizer, tem uma coisa sim: a trilha com “Guns’n’ Roses”.

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