Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Conhecendo Matheus

por Daniel Oliveira

receite essa matéria para um amigo

Quando, em I am trying to break your heart, do Wilco, Jeff Tweedy cantou “Arranque o band-aid logo porque eu não acredito em touchdowns/ o que eu estava pensando quando nós dissemos olá?...isso não é uma piada, então por favor pare de sorrir/ o que eu estava pensando quando disse que não doía?... Sempre achei que se te abraçasse forte, você sempre me amaria como antes/ Daí eu dormi e a cidade continuou piscando...Eu estou tentando partir seu coração”, um monte de gente sentiu os olhos encherem de lágrimas. E outro monte simplesmente não entendeu.

Porque ele estava falando de um tipo de relacionamento entre pessoas que acessam sentimentos com a mesma velocidade que processam referências pop no dia a dia ou abrem links em uma página na internet. Uma geração (a minha, por acaso). Só que se essa velocidade é conveniente no cotidiano, ela faz com que os sentimentos se tornem um turbilhão incompreensível e nauseante. As pessoas sabem o que aquelas emoções são, mas não o que fazer com elas, o que querem. Daí elas se machucam – a si mesmos e aos outros.

É mais ou menos o caso dos protagonistas de “Apenas o fim”, filme que estreou no Festival do Rio no ano passado, arrebatou o prêmio do público e vem colecionando elogios e detratores desde então. Dirigido pelo carioca Matheus Souza, de 20 anos (portanto, membro dessa geração), o longa conta a última hora do namoro de Tom (Gregório Duvivier) e a personagem (sem nome) de Érika Mader, prestes a abandoná-lo para sempre.

Por que? Por tudo isso que eu disse aí em cima. E por nada disso. O grande trunfo do filme é nunca afirmar uma justificativa nos longos diálogos, inspirados em “Antes do pôr do sol”, que podem encantar alguns - especialmente os membros dessa geração – e entediar outros.

“Apenas o fim” é divertido, tocante, egocêntrico, sincero, cansativo, descolado, derivativo, autêntico, inundado de referências pop. Coeso e incoerente. Assim como a geração 84. O filme está em cartaz atualmente no Rio, São Paulo e Brasília. Dependendo do sucesso, se aventurará em turnê por outras praças. Para saber se você deve conferir ou não, leia a entrevista que Matheus concedeu via email ao Pílula. Em forma e conteúdo, “Apenas o fim” é bem isso aí embaixo - e se você gostar do cara, provavelmente vai curtir o filme também.


Matheus, que ainda não se formou, com roupa de formatura.

Pílula Pop: O que você gostaria de ter feito em “Apenas o fim” e não pôde/não fez?

Matheus Souza: Uma participação especial da Scarlett Johansson. Fora isso, gosto do jeito que ele ficou. Não é nenhuma obra-prima, mas é bem sincero, simpático.

Pílula Pop: O que você fez em “Apenas o fim” e gostaria de não ter feito?

Matheus Souza: Tem uma cena na qual, ao fundo, aparece uma mulher correndo desesperada para se esconder da câmera. Nunca nenhum espectador percebeu, mas toda vez que eu olho, lembro dela passando na hora e penso "como gostaria de ter uma máquina do tempo para voltar a 1953 e impedir o nascimento dessa mulher". O filme tem vários defeitos, como qualquer um, mas eu gosto deles.

Pílula Pop: Qual a sua cena preferida do filme?

Matheus Souza: Quase no final, quando ele fala que ela poderia fazer qualquer coisa, xingar, humilhar, trair, ovar em praça pública que, mesmo assim, se um meteoro estivesse indo em direção à Terra e, mais especificamente, em direção a ela, ele se jogaria na frente para defendê-la. Aí ele lembra que isso não adiantaria de nada. O meteoro acabaria com os dois mesmo assim. E isso resume bem o relacionamento deles.

Pílula Pop: Quantos por cento de Matheus existe em Tom?

Matheus Souza: Muitos por cento.

Pílula Pop: E quantos por cento das ex-namoradas do Matheus existe na personagem da Érika?

Matheus Souza: Bastante por cento.


Matheus, entre alteregos.

Pílula Pop: Se “Apenas o fim” fosse uma música, qual seria?

Matheus Souza: A primeira demo de "Last Nite" dos Strokes. Sei lá, me veio isso na cabeça agora.

Pílula Pop: Qual o comentário mais esdrúxulo/engraçado/inusitado que você leu até agora sobre você ou o filme?

Matheus Souza: Alguém no Twitter o chamou de "Fofomovie do ano".

Pílula Pop: Qual foi a última coisa que você twittou?

Matheus Souza: "Dia 11/06, 14:18. Começo a escrever agora (finalmente) a página 1 do roteiro de "Pessoas Felizes". Tenho que terminar até amanhã de noite."

Pílula Pop: Qual o seu vídeo preferido do Youtube?

Matheus Souza: I'm fucking Matt Damon.

Pílula Pop: Qual o último livro que você leu?

Matheus Souza: Frenesi Polissilábico, do Nick Hornby.

Pílula Pop: Qual o último filme que você viu?

Matheus Souza: Duplicidade, ontem. Sou um eterno apaixonado pela Julia Roberts e ela ficaria triste se eu não fosse prestigiá-la, mesmo nessa correria de lançar filme e tudo mais.

Pílula Pop: Qual o último filme de que você gostou?

Matheus Souza: Dos mais recentes, o melhor foi Star Trek.

Pílula Pop: Qual o último filme que você achou uma bosta?

Matheus Souza: Wolverine (que não merece nem que eu escreva o título completo).

Pílula Pop: Qual filme você mais viu durante as gravações?

Matheus Souza: "Antes do pôr-do-sol", "O Balconista" e "Brilho eterno de uma mente sem lembranças".

Pílula Pop: Quanto você acha que o McDonalds deveria te pagar pelo merchandising no filme?

Matheus Souza: 13 Quarteirões, 11 Mc Duplos, 9 Big Macs, 8 Cheddars, 7 Crispy Mc Chicken Bacon (ou seja lá qual for o nome daquele que é comprido e tem frango e bacon dentro), 6 saquinhos de McNuggets de 6 unidades, 5 McLanches Felizes (ou seja lá qual for o plural disso) com brindes não repetidos de Star Wars, 4 McMaçãs, 3 casquinhas de baunilha, 2 McFranças da copa de 2002, 1 McInglaterra da copa de 2006 e 87 sachês de catchup. Mas pode ser renegociado.

Pílula Pop: Que filme você gostaria de ter feito?

Matheus Souza: Qualquer um do Wes Anderson.


O trailer de “Apenas o fim”.

Pílula Pop: Que ator você gostaria de dirigir?

Matheus Souza: Bill Murray e Selton Mello.

Pílula Pop: Que atriz você gostaria de dirigir?

Matheus Souza: Scarlett Johansson, Zooey Deschannel e Fernanda Torres.

Pílula Pop: Tarantino ou Fincher?

Matheus Souza: Quase respondi Fincher, mas olhei para um pôster do Superman que eu tenho, lembrei de Kill Bill 2 e mudei de idéia. Tarantino então.

Pílula Pop: Star Wars ou Senhor dos Anéis?

Matheus Souza: Star Wars.

Pílula Pop: Strokes ou Franz Ferdinand?

Matheus Souza: Strokes disparado.

Pílula Pop: Little Joy ou Sou?

Matheus Souza: Cara, eu sou fã do Amarante e do Camelo incondicionalmente e na mesma proporção. Desde o primeiro CD e nunca deixei de ser. Na época de lançamento eu ouvia mais o "Sou", mas recentemente escuto mais Little Joy.

Pílula Pop: Fernando Meirelles ou Walter Salles?

Matheus Souza: Walter Salles.

Pílula Pop: Coringa: Heath Ledger ou Jack Nicholson?

Matheus Souza: Heath Ledger.

Pílula Pop: Friends ou Seinfeld?

Matheus Souza: Seinfeld.

Pílula Pop: Lost ou Arquivo X?

Matheus Souza: 24 Horas.

Pílula Pop: Peter Jackson ou Steven Spielberg?

Matheus Souza: Peter Jackson.

Pílula Pop: Ratatouille ou WALL-E?

Matheus Souza: Posso pular essa? Pra mim são duas das maiores obras-primas da história do cinema, nunca consegui escolher entre um deles.

Pílula Pop: Jaspion ou Jiraya?

Matheus Souza: Jiban.

Pílula Pop: Changeman ou Flashman?

Matheus Souza: Changeman.

Pílula Pop: MegaMan ou PacMan?

Matheus Souza: MegaMan.

Pílula Pop: X-Men ou Watchmen?

Matheus Souza: Watchmen.

Pílula Pop: Qual a sua saga preferida dos Cavaleiros do Zodíaco?

Matheus Souza: A dos cavaleiros de ouro.

Pílula Pop: O que vem depois do (Apenas o) fim?

Matheus Souza: São dois filmes: um chamado "Por enquanto", que eu queria que se chamasse "Não deixe a Julia ir embora ou o que aconteceu enquanto o Chinese Democracy era gravado", mas ninguém gosta do meu título favorito. É mais um filme sobre a minha geração, sobre um cara que acorda todos os dias com uma frase na cabeça: "Não deixe a Julia ir embora". Só que ele nunca conheceu nenhuma Julia. É de baixíssimo orçamento, nos mesmos moldes do "Apenas o fim". O outro se chama "Pessoas felizes" e fala sobre duas pessoas muito infelizes que se encontram em certo ponto de suas vidas e decidem fazer algo para sair dessa situação. Criam e seguem uma lista de coisas para fazer que chamam de "Como ser feliz", baseada numa série de livros de auto-ajuda, que tem itens como "vingar-se de todas as pessoas felizes do planeta". Esse deve ser maior e conta com a produção da Mariza Leão.

» leia/escreva comentários (12)