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O Baterista do CPM 22

por Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega

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As bandas do Pop Rock Brasil 2005 sempre atendiam os jornalistas no sofá branco da sala de imprensa. As perguntas deviam oscilar entre duas ou três. Outro pedido era que não déssemos atenção só ao vocalista. Natural, já que os demais integrantes não são mudos.

No dia 11 de setembro, Japinha, do CPM 22, provou que o melhor porta-voz de uma banda nem sempre é o frontman. O simpático baterista falou sobre o novo DVD da banda e contou detalhes do programa Família MTV e da turnê com o novo baixista. O sucesso alcançado com hits como “Regina Let´s Go”, “Tarde de Outubro” e “Irreversível” também foi tema da conversa.

Japinha não hesitou em falar como foi o perde e ganha de fãs quando assinaram com uma grande gravadora. Ao assinar, veio a mudança no som da banda e Japinha falou com aparente sinceridade sobre o assunto. Tudo isso comprova a tese de que seguir as instruções da assessoria de imprensa por vezes vale a pena. E esta foi uma das vezes.


Japinha (primeiro da esq.) e seus companheiros de CPM

Pílula Pop: Antes vocês costumavam tocar em casas de show alternativas, como o Hangar, em São Paulo, e o Matriz, em BH. Vocês faziam shows para 100 pessoas e hoje tocam para mais de 25 mil. Como vocês lidam com essas diferenças?

Japinha: A gente trabalhava no underground, desde 95. E realmente quando você assina com uma gravadora o público aumenta de uma forma gradativa. E claro que o tratamento com o público tem que mudar. Antes a gente saía do palco e ia falar com todo mundo que estava na platéia. Hoje em dia, a gente fala através dos meios de comunicação. E do microfone do Badauí (vocalista), que tem que chamar a galera. Os shows são diferentes, a pegada é outra. O meio de se comunicar é outro. A gente está feliz, porque está vivendo do que a gente gosta.

Pílula Pop: E como estão os shows da turnê com o novo baixista?

Japinha: Estão bem legais. O Fernandinho entrou para somar, mas o Portoga era super legal também. A banda está com uma energia a mais, graças ao Fernando e ao disco novo. Estamos fazendo shows pelo Brasil inteiro. As músicas estão em primeiro lugar. Então, não podemos reclamar de nada.

Pílula Pop: Vocês participaram do programa Família MTV. Vocês se expuseram, talvez o Wally (guitarrista) tenha se exposto um pouco mais...

Japinha: (Risos)

Pílula Pop: Como foi estar cercado por câmeras boa parte do dia?

Japinha: Eu sou mais tímido e não gosto tanto de mostrar meu lado pessoal. Então, eu apareci bem pouco no programa. Mas os caras levaram bem. No final das contas, o Edu, que era o menino que estava filmando, acabou virando amigo nosso. A gente nem percebia que ele estava filmando. Por isso que saíram aquelas trapalhadas todas. Aqueles palavrões. Mas ficou legal. E a partir do momento em que você está em uma posição pública, você tem que assumir o risco e levar da melhor forma. Sempre tentando passar coisas legais.

Pílula Pop: O CPM 22 ficou muitos anos no underground e conquistou fãs naqueles tempos. Muita gente era bastante fã e depois passou a não gostar mais da banda. Ao mesmo tempo em que vocês perderam centenas de fãs, ganharam milhares. O que você acha disso?

Japinha: Acho que é um processo natural que acontece com a maioria das bandas que saem do underground e passam para o mainstream. Primeiro a gente se assustou, ficou com um pouco de mal-estar. O pessoal veio falar com a gente meio magoado, uns vieram metendo o pau e tal. Mas aí...

Pílula Pop: E o som não mudou tanto...

Japinha: É, mudou quase nada, talvez alguns detalhes de produção e de arranjo. Mas o som continuou puro, com a mesma essência. Com o tempo a gente acabou entendendo os porquês disso tudo e achou normal. A gente mesmo quando gostava de uma banda e via ela estourar, ficava meio enciumado, queria que ela continuasse só no underground. Mas a gente sabe o quanto é importante estar vivendo de música e ter essa profissão. Ninguém mais é menino. Eu tenho 31, o Badauí tem 29. A gente precisa de um ganha pão e se a carreira tem a ver com aquilo que amamos, melhor ainda.


O ex-baixista Portoga (com copo na mão) brinda a saída da banda

Pílula Pop: Sobre a questão da produção, já que você falou que mudaram alguns detalhes. Principalmente na hora de gravar, o que mudou na estrutura de gravação das músicas em relação à independência?

Japinha: Quando você passa pra uma gravadora grande o estúdio é maior, você tem o auxílio de técnicos e de produtores mais... Que fazem parte do cenário. E eles, lógico, vão tentar produzir a banda de uma forma que eles gostem, não da forma que a gente gosta. Temos um pouquinho de problema na comunicação. Mas a gente conseguiu chegar num meio termo. Eles vão dando sugestões: “Vamos por um violão aqui”. E a gente responde: “Não, aqui não”. Eles dizem: “Vamos por três arranjos de vozes no refrão”. E a gente: “Só um”. E eles: “Dois”. E assim fechamos em dois. Fica no meio termo para não descaracterizar tanto.

Pílula Pop: E vocês têm algum projeto novo. Disco, DVD?

Japinha: Vamos lançar DVD no fim do ano. Se Deus quiser ano que vem a gente lança outro CD.

Pílula Pop: O DVD é Ao Vivo?

Japinha: Não. É uma mistura de coisas ao vivo, com bastidores, com o Família MTV.

Pílula Pop: E você continua na bateria do Hateen? Como vai a banda?

Japinha: O Hateen está trabalhando e agora vai lançar algumas músicas em português. De repente aparece alguma coisa por aí. (E apareceu: O Hateen assinou contrato, no fim de setembro, com a Arsenal Music. O disco de estréia da banda terá Rick Bonadio na produção e Japinha negou sua saída do CPM 22).

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