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Rádio de Outono

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“A Rádio de Outono é uma banda gracinha”, diria Hebe Camargo. Desde 2003, suas simpáticas canções conquistam o público de Recife, cidade-natal da banda. Em 2005, mesmo ainda sem disco lançado, eles despontaram nacionalmente nos festivais Abril Pro Rock, Mada e Curitiba Rock Festival, de onde saíram para uma turnê pelo Sul e Sudeste. O grupo é formado por Bárbara Jones (voz e efeitos), Gleisson Jones (bateria), Júnior Vieira (teclado) e Kleber Crócia (baixo). Pode conferir os parênteses de novo, a Rádio de Outono não tem guitarras.

Bárbara Jones conversou com o Pílula Pop sobre o primeiro EP, que vai sair em dezembro pelo novo selo do Coquetel Molotov, as influências da Turma da Mônica e outras peculiaridades da RdO. Após o sucesso do clipe de “Além da Razão”, Bárbara revelou a música que vai ganhar o próximo vídeo da banda: “Sabe-Tudo”. Enquanto esta entrevista estava sendo publicada, em 6 de novembro, a Rádio de Outono dava outra mostra de sua fofice: um “show de bebê” em homenagem a Maria Luisa, filhinha do baixista Kleber. O ingresso era um pacote de fraldas. Gracinha ou sim?


Os recifienses embarcam nesse carrosel

Pílula Pop: Para começar, uma coisa que muita gente deve estar perguntando: como foi abrir para o Weezer e tocar no Curitiba Rock Festival?

Rádio de Outono: Tocar no CRF já é motivo suficiente para comemorar, já que é uma oportunidade de mostrar seu trabalho para um monte de gente que nunca ouviu falar da sua banda. Por estarmos por fora do esquema das grandes gravadoras, nosso trabalho é mais de formiguinha mesmo e festivais desse porte ajudam a pular etapas de divulgação. Apesar de não termos tido contato pessoal, ver o show do Weezer de graça (e tocar no mesmo palco que eles) é uma experiência inesquecível! E ainda ganhamos de lambuja fãs novos que estavam lá por causa deles e acabaram gostando da gente.

Pílula Pop: E a turnê que vocês fizeram pelo Sudeste?

Rádio de Outono: A principio, a gente só pretendia fazer turnê fora do Nordeste quando estivéssemos com nosso CD, mas com o convite pro CRF, contatamos alguns amigos e saímos marcando shows por São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Tudo no bom e velho esquema do buzão + casa de amigos. Valeu muito a pena!

Pílula Pop: Algumas peculiaridades da Rádio de Outono: por que vocês não usam guitarras?

Rádio de Outono: Bem... A RdO tinha guitarra no começo, mas quando resolvemos levar a banda à serio, o guitarrista saiu. Ele tinha outros planos (mas vale a pena dizer que ele continua compondo pra gente). Fizemos testes com outras pessoas, mas quando um faltou, ensaiamos sem guitarra. E gostamos! Daí pra frente, conseguimos dar um gás e no momento estamos bem assim!

Pílula Pop: E por que citam influências da Turma da Mônica?

Rádio de Outono: Acho que todos da banda liam turma da Mônica quando eram crianças e eu continuo lendo até hoje. É como se os personagens fossem amigos íntimos. Muito de vocabulário e de experiências eu meio que vivi ali. Tipo, se eu quisesse escrever sobre um rio e peixes, iria falar em tilápia por causa do Chico Bento.

Pílula Pop: O que preparam para o lançamento do disco? Pretendem iniciar uma turnê?

Rádio de Outono: O lançamento é surpresa, hehehehe... O disco sai pelo Coquetel Molotov. Eles têm dado a maior força pra gente com contatos, idéias, matérias e assessoria de imprensa. A turnê é algo que naturalmente vamos ter a necessidade de fazer. Já estamos programando nossa volta pro Sudeste no começo do ano que vem, em março, provavelmente. Com certeza, já com o CD na mão. Mas vamos estender o lançamento para um montão de outros lugares, em outras mini-turnês.


O visual da Rádio de Outono também é caprichado

Pílula Pop: Com bandas como Ludov e Leela assinando com gravadoras, você acha que este é um momento propício para bandas com mulheres no vocal?

Rádio de Outono: Acho que sempre houve bandas de renome nacional com mulheres no vocal, como Mutantes, Kid Abelha e o próprio Pato Fu. Acho que é um fluxo natural das coisas não haver mais “isso é coisa de homem” ou “isso é coisa da mulher”.

Pílula Pop: Várias bandas novas do Recife têm se destacado recentemente (Volver, Astronautas, Chambaril). O que você acha desta “nova cena”? Existe alguma pressão para seguir a trajetória das bandas do “manguebeat” e fazer um som igual ao delas?

Rádio de Outono: Como o mangue consolidou Recife musicalmente no Brasil e no mundo, ele se tornou meio que a “identidade” da cidade. Todas as leis, projetos, etc., de certa forma, privilegiavam quem fizesse algo na linha. Então eu posso dizer que, num primeiro momento, existia uma pressão implícita pra isso. Mas isso não afetou quem quis fazer seu som.

Hoje em dia a necessidade de auto-afirmação não é mais tão forte. E por isso, naturalmente, bandas mais “urbanas”, de jovens que apesar de admirarem o manguebeat, não escutam maracatu, vêm surgindo na cidade. São bandas que não buscam conceitos pré-definidos, mas um som sincero acima de tudo. São bandas que se juntam para criar espaços de shows e na mídia, ou seja, um mercado independente de bandas. E têm conseguido! Como o ser humano tem necessidade de rotular, elas acabam sendo chamadas de algo: “bandas indie”, “nova cena”, ou sei lá. O que prevalece no final das contas é a forte multi-culturalidade da cidade seja de uma forma ou de outra.

Pílula Pop: Como andam os projetos para os videoclipes da banda, já que a cena pernambucana de produtores também está em alta?

Rádio de Outono: O próximo clipe vai ser da música “Sabe-tudo” e está em processo de finalização. Ele vai ser todo em animação 2D e está sendo feito por Marcelo Vaz (responsável pelo clipe dos Astronautas indicado ao VMB deste ano). Projetos para outras músicas já estão no papel.

Aqui em Recife nós temos de tudo: produtores, cineastas, músicos, estilistas, atores, e o que você pensar. E de ótima qualidade! O melhor de tudo é que todo mundo se ajuda. Infelizmente a gente não tem tanta grana pra pagar a galera como ela merece, mas eles aproveitam pra enriquecer seus portifólios conosco. É como uma troca. Hoje a gente tem João Z. que tira nossas fotos, Daniel Aragão que fez nosso 1o. clipe, Marcelo Vaz que está fazendo o 2o, Jay que faz maquiagem (show, clipe, foto), Semira Casé que desenha roupas pra mim, Albert na iluminação, Pablo Lopes como técnico de som, Juliano Ribeiro e os meninos da Mooz com os projetos gráficos. Estamos finalmente caminhando para não depender tanto do Sudeste.

Pílula Pop: E para o futuro, quais são os objetivos? Conquistar a América do Sul com dez exércitos no Brasil? ;)

Rádio de Outono: Droga! Nossos planos foram descobertos, Jones! Vamos para o plano B: ainda este ano distribuir nosso disco pelo Brasil e no ano que vem divulgá-lo em mini-turnês, trabalhar em mais clipes, fazer música, fazer música, fazer música e nos preparar para gravar um disco cheio! E quem sabe conquistar o mundo...

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