Rio

Nossa avaliação

[xrr rating=4/5]

Carlos Saldanha é carioca, mas vive nos Estados Unidos desde o início dos anos 90. Portanto, conhece profundamente a sua cidade, ao mesmo tempo em que sabe muito bem o que os americanos esperam dela. E “Rio” é exatamente isso: a cidade maravilhosa para gringo ver.

A animação entrega direitinho o que o olhar estrangeiro busca, sem se esforçar por mostrar alguma visão diferente. Seja isso bom ou ruim para a imagem do país, a verdade é que funciona que é uma beleza para a história que Saldanha quer contar.

Abrindo com um número musical que parece saído direto de um desfile na Sapucaí, “Rio” narra a saga de Blu (Eisenberg), uma rara arara azul totalmente domesticada que vive na fria Minnesota e é levada para o Rio de Janeiro para se acasalar com Jade (Hathaway) e permitir a continuação da espécie. Começa aí uma aventura que vai passar pelos pontos turísticos mais conhecidos da cidade, em uma trama que envolve contrabando de animais, comédia romântica e a já costumeira tentativa de superação individual (no caso, Blu ter que enfrentar sua incapacidade para voar).

Blu sai daqui...

A arara e sua dona chegarem ao Brasil exatamente às vésperas do carnaval é apenas a primeira desculpa para o diretor espremer o máximo de referências possíveis sobre a sua cidade: favela, futebol, Carmen Miranda, samba, bunda, praia, funk e Garota de Ipanema. Mas tudo isso é mostrado de forma tecnicamente irrepreensível, em uma animação belíssima que abusa do colorido (com grande destaque para o azul e também para as outras cores da nossa bandeira: verde, amarelo e branco), criando uma fotografia que valoriza a paisagem do Rio de Janeiro.

... para chegar aqui...

O filme é muito bem humorado, com diálogos inspirados e ótimas sacadas visuais (como os macaquinhos cego, surdo e mudo) que misturam referências universais com piadas tipicamente brasileiras. Os personagens são tão cativantes quanto a história é óbvia. “Rio” faz o bê a bá das típicas animações infantis, com coadjuvantes simpáticos que aparecem e desaparecem conforme a ação pede e uma resolução pra lá de esperada. Os números musicais são visualmente interessantes, mas afetam o ritmo da narrativa, que busca combinar romance, humor e ação de forma bem equilibrada.

A produção não possui o brilhantismo da Pixar, mas em uma e outra cena sente-se o carinho de Saldanha pelo projeto. Para além de toda a técnica empregada, percebe-se um algo a mais que torna “Rio” uma animação com um quê de especial. Não é apenas o melhor filme que o diretor já fez. É também o melhor filme para toda a família lançado em 2011 até agora.

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