Procura-se um amigo para o fim do mundo

Nossa avaliação

[xrr rating=2/5]

“Procura-se um amigo para o fim do mundo” é o tipo de filme que você quer gostar. Premissa bonitinha. Título bonitinho. Elenco simpático. Mas… que bagunça. É difícil entender como Lorene Scafaria, que só tinha no currículo o roteiro do também problemático “Uma noite de amor e música”, convenceu uma produtora a deixá-la dirigir seu roteiro, que já não era muito bom pra começo de conversa.

Carell é Dodge, analista de seguros abandonado pela esposa (interpretada pela mulher do ator na vida real) às vésperas de um asteroide se chocar com a Terra. Sem rumo, ele conhece a vizinha Penny (Knightley), típica maluquinha-porém-dengosa do romance indie. Numa série de conveniências bem absurdas, ela conduz Dodge a uma carta de seu primeiro amor dizendo que nunca o esqueceu e resolve ajudar o vizinho a encontrar sua amada. Em troca, ele promete levá-la a um avião que poderá reuni-la com a família na Inglaterra.

Cheio de coincidências convenientes e de um primeiro ato de muita enrolação (piadinhas com o fim do mundo que até a música do Zeca Baleiro Paulinho Moska fez melhor e não fazem diferença nenhuma no final), o roteiro confunde sequências gracinha sem nexo com história. Dodge vai a uma festa em que absolutamente NADA acontece e a performance da sempre ótima Connie Britton (American Horror Story) é desperdiçada e nunca mais lembrada. Durante esses 20 minutos iniciais, o público não sabe o que Dodge quer – nem ele – o que o torna um protagonista meramente reativo.

Já Penny é punhetada de acordo com a necessidade do roteiro: maluquinha apaixonada por losers; melancólica nostálgica, romântica para quem tudo que importa é o amor (surgido há 15 minutos). Seria um arco dramático, se o roteiro soubesse o que isso significa.

Aquele sorriso amarelo do ator que percebe que está numa bomba.

Scafaria, diretora inexperiente, não encontra o equilíbrio entre a comédia e o tom melancólico do apocalipse iminente da história. As piadas, como a gag da empregada latina de Dodge, passam pelo espectador que não sabe se ri ou não. Visualmente ela também deixa a desejar, como na sequência em que Carell acorda em um parque ensolarado e logo em seguida anda por uma rua saída direta de “Ensaio sobre a cegueira”, toda azulada e fria.

Mas a sequência que melhor exemplifica sua incapacidade técnica é a escapada de Dodge e Penny de seu prédio. A fuga já não faz muito sentido no roteiro, mas a inconstância do áudio do motim na rua – que devia ser alto e assustador o tempo todo – e a performance de teatro infantil que ela extrai do elenco matam o filme logo ali.

Carell e Knightley fazem o melhor que podem com o pouco que têm nas mãos. A pouca emoção dos minutos finais do filme se deve totalmente aos dois atores, especialmente quando as decisões tomadas pelos protagonistas desdizem tudo que eles fizeram até então. Se o talento dos dois sobrevive a esse caos de filme, eles podem ficar tranquilos que o fim do mundo vai ser fichinha.

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