Kick-Ass 2

Nossa avaliação
Kick-Ass 2 (2013)
Kick-Ass 2 poster Direção: Jeff Wadlow
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Chloë Grace Moretz, Morris Chestnut, Claudia Lee


O primeiro “Kick-Ass” se equilibrava com desenvoltura em uma linha muito fina entre o realismo e o cartunesco. Era uma espécie de “Watchmen” que não se levava a sério, uma fantasia adolescente com um pé na realidade e hormônios explodindo para todos os lados. A continuação do quadrinho de Mark Millar perdeu o diretor Mathew Vaughn e, com ele, o equilíbrio.

“Kick-Ass 2” é divertido, é empolgante e a Hit-Girl continua roubando a cena, mas agora se entrega de vez à comédia e qualquer sutileza é abandonada em um desespero absurdo para fazer o espectador rir. A maioria das piadas funciona, e há bons momentos de ação, mas talvez devido ao apego exagerado à obra impressa algumas coisas não fazem muito sentido.

Uma cena em um velório é emblemática: vários personagens que se apresentam com uma posição decidida de repente mudam de opinião rápido demais, incluindo o próprio Kick-Ass. Antes disso, o tio de Chris D’Amico (Mintz-Plasse) aparece e desaparece sem muito propósito. Pode funcionar nos quadrinhos, mas surgem como pontas soltas na narrativa cinematográfica.

Os Vingadores versão gente como a gente (bom, não exatamente como a gente...)

A trama em si acaba retornando à uma história de origem, com Kick-Ass sendo treinado pela Hit-Girl (que aparece menos do que merece, já que agora tenta ser uma garota normal) e passando a integrar uma “superequipe”. Enquanto isso, Chris,ex- Red Mist, se torna Motherfucker, o primeiro supervilão do nosso mundo e com desejo de vingança pelo personagem-título. No meio disso tudo, “Kick-Ass 2” tenta mostrar o que seria uma Liga da Justiça verdadeira (e faz o serviço bem feito, com destaque para o Coronel Estrelas de Jim Carrey), mas o problema é que o clima de comédia enfraquece o drama das consequências reais dos atos heroicos. O filme, por exemplo, perde ritmo nas cenas da Hit-Girl tentando ser popular no colégio, já que, apesar de engraçadas, parecem deslocadas do resto da história.

Já o embate final pede para ser épico, mas o confronto entre os dois supergrupos decepciona, já que o diretor Jeff Wadlow não dá conta da complexidade da cena e apela para os combates individuais. É divertidinho, mas não chega aos pés do clímax do primeiro filme. Tendo o mérito de continuar violento e sexual, “Kick Ass 2” acaba sendo sobre a dúvida entre aceitar ou lutar contra sua própria natureza. Tudo o que vemos na tela é um reflexo das descobertas da adolescência elevadas à enésima potência e adornadas com colantes coloridos. São identidades colocadas em formação e o caráter definido em situações extremas. Isso é bem bacana, faltou apenas dosar melhor os ingredientes.

E como sugere a importante cena pós-créditos, a saga do garoto super herói  deve ter a chance de melhorar em mais uma continuação.

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