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Alan Moore

por Cedê Silva

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Gracinha.
Constantine. A Liga Extraordinária. Do Inferno. V de Vingança. Você pode nunca ter ouvido falar de Alan Moore, mas certamente já ouviu falar destes filmes. São todos adaptações mais ou (geralmente) menos bem-sucedidas de seus quadrinhos. E Watchmen, única HQ na lista da revista Time de “100 melhores romances publicados desde 1923”, é a próxima a chegar às telonas. Desta vez, sob a direção de Zack Snyder.

Até o Coringa do saudoso Heath Ledger deve muito a Alan Moore e a um trabalho de pouco mais de quarenta páginas chamado “A Piada Mortal”, de 1988. Na história, o Coringa tenta um “experimento social” para deixar o Comissário Gordon louco, atira na Batgirl, deixando-a paraplégica (fato que continuou nas HQs posteriores), e admite não conseguir se lembrar direito de seu passado. Uma das mais influentes histórias do homem morcego de todos os tempos, a HQ conta com o melhor final que uma história Batman-Coringa já teve.

O artista de “A Piada Mortal”, Brian Bolland (há tempos Alan Moore faz “apenas” os roteiros das histórias embora, em se tratando de Moore, não pode se qualificar seus roteiros de “apenas”), desde então se recusa a desenhar quadrinhos para qualquer outro roteirista, salvo uma história curta que ele mesmo fez. “É o que acontece quando você trabalha com o melhor”, ele diz.

Moore parece uma versão contemporânea de Salvador Dalí – louco, genial, de aparência e modos pra lá de excêntricos, um estilo inimitável e com talento para autopromoção. Cultua uma entidade-serpente chamada Glycon, filosofa ser estranha a existência religiões organizadas, uma vez que “as pessoas são diferentes física e também espiritualmente”. Travou disputas judiciais e se afastou de todas as grandes editoras com as quais trabalhou, especialmente por não reter os direitos sobre os personagens que criou.

Não autorizou nem se envolveu com nenhum dos filmes baseados em suas HQs. Sobre “V de Vingança”, fuzilou: “o quadrinho era especificamente sobre ‘fascismo’ e ‘anarquia’, palavras que não aparecem uma só vez no filme. Foi transformado numa parábola da era Bush por pessoas tímidas demais para ambientarem uma sátira política em seu próprio país”. Apesar da má relação com editoras, não se esconde dos fãs. Já leu uma página de Watchmen na voz de Rorschach e também dublou a si mesmo nos Simpsons. E achou legal.

Nascido em 18 de novembro de 1953 em Northampton, Inglaterra (onde hoje mora), Moore confirma a tradição na qual invenções americanas são levadas ao seu máximo potencial por artistas britânicos, sejam o rock ou os quadrinhos.

Simpsonizado.
Filmografia

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