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BiD

Os baratos e as aspas do BiD

por Braulio Lorentz e Mariana Marques

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Fotos: Divulgação


BiD: três em um

BiD chega acompanhado de sua assessora Flávia. Ela pergunta se já estávamos esperando há muito tempo. Não era o caso. Mesmo assim, ela comenta que o trânsito estava congestionado, por causa do BID. Mas era por causa do outro BID.

Na mesma semana que o BiD veio a Belo Horizonte para divulgar seu disco Bambas e Biritas, acontecia a 47ª Reunião Anual de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento. O Pílula Pop conversou com o BiD produtor, ex-Funk Como Le Gusta e um dos caras mais bacanas da MPB moderninha. Naturalmente, o papo esbarrou nos dois discos do Chico Science que ele produziu, no hit "16 Toneladas" e nas chupações feitas pelo Black Eyed Peas.


BiD: Produtor

Produtor que não fabrica

“A minha forma de trabalhar é a de ser mais um elemento do projeto. Lançar um monte de idéias, sendo que algumas são boas, outras ruins. E usar as que são boas. Você pode me falar: ‘Tem uma amiga minha que tem 18 anos, e é bonitinha e gostosinha, e não sei o quê. Vamos fabricar ela? Vamos transformar ela em não sei o quê?’. Não é o meu trabalho, não consigo fabricar alguém. Não tenho a manha e nem quero fabricar artista”.

Produtor que é membro da banda

“O negócio é meio coletivo. Então, eu entro com o que eu sei, com o que já vivi, com meus gostos musicais, com algumas idéias. Junto com a banda. Chico Science (BiD produziu os discos Afrociberdelia e CSNZ) e todo mundo que eu trabalhei já tinham uma essência. Facilita meu trabalho, porque eu não estou precisando transformar água em vinho tinto. Eu gosto de trabalhar com banda que já tem um conceito ou um caminho. Eu entro e viro um membro da banda por um tempo, no período que faço o disco”.



BiD mais ensolarado

BiD: Ex-membro de big band

O barato das big bands

“A Orquestra Manguefônica é um trabalho que fortalece. Vi duas vezes e acho legal eles se juntarem. Acho legal também a Orquestra Imperial. O formato deles é bem legal, meio irônico e tirando onda. Quando comecei com o Funk Como Le Gusta descobri que todo mundo queria fazer parte de uma big band. É meio que sonho de músico. Ao mesmo tempo, é uma parada difícil porque tem que ser super educado e econômico. Se não, não sobra espaço pra todos os instrumentos. Tem um aprendizado de cada um realmente ocupar um espaço no arranjo. É meio que uma parede de som. O barato é olhar pro lado e todo mundo estar dando risada”.

Os problemas das big bands

“Na questão do Funk Como Le Gusta era uma sociedade de onze músicos. Treze inicialmente, depois saíram a Paula Lima e a Simone Soul. Então viraram onze sócios pra dividir o dinheiro. Onze pessoas pra ter reunião. Pra tirar foto promocional era um inferno pra conseguir que os onze tivessem aquele mesmo horário. O Funk Como Le Gusta começou a virar obrigação. Alguns integrantes acharam que tinha que virar pop e eu não acredito em programar um hit. Mostrei o disquinho com ‘16 toneladas’ pro Reginaldo, que tinha a voz grossa, e falei ‘pô, isso aqui ia ficar muito louco de fazer, eu sei que você tem esse timbre meio grave’. A música estourou nos shows”.



A capa do disco de estréia

BiD: Um dos caras mais bacanas da MPB moderninha

O perigo eletrônico

“Eu diria que ficou meio perigoso esse negócio de misturar MPB com eletrônico. A coisa de drum n’ bass com Tom Jobim, com Jorge Ben, funcionou. ‘Samba Assim’ da Fernanda Porto ficou muito legal. Mas virou uma onda, começou a virar chiclete que vende em qualquer esquina. Eu acho que tem que tomar cuidado quando mexer nas coisas antigas. Então, quem mexer, que mexa com criatividade e inovação”.

A fórmula eletrônica

“Tudo que vira fórmula eu acho que está errado. O melhor é fazer todo o processo e no final ter a fórmula. Tem muita gente fazendo a mesma coisa. Por outro lado, é o tempo que a gente vive hoje: computador, sampler, não tem como fugir. O grande segredo é como mexer. Hoje qualquer um tem computador em casa, qualquer um faz loop ou usa programas de computador. Não precisa saber de música. Meu filho de cinco anos faz, pega e cria. Moral da história: a quantidade de músicas saindo é gigantesca e está tudo virando... descartável”.



Muito obrigado, Beck

BiD: Fora do contexto

Jorge Ben e Black Eyed Peas

BiD conta que foi ele quem avisou ao empresário de Jorge Ben Jor sobre o uso de trechos de músicas do compositor no primeiro disco do Black Eyed Peas. O nome de Jorge não consta no encarte da estréia do BEP.

Beck e “Everybody’s Gotta Learn Sometime”

BiD gravou uma versão não lançada de “Everybody’s Gotta Learn Sometime”, da banda Korgis. Três anos depois da gravação, o irmão de BiD ligou dos Estados Unidos. Ele tinha acabado de ouvir a versão de Beck para a mesma música, no filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança”. Todo mundo tem sua vez de aprender, de fato.

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