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Som da Rua, Los Hermanos e Nervoso

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Haja fôlego. Três das melhores bandas do pop rock carioca resolveram aportar em Belo Horizonte. Som da Rua, Los Hermanos e Nervoso têm mais em comum, além do fato de serem conterrâneas. Mesmo com públicos distintos, a trinca apresentou melodias e letras de bastante qualidade.

Confira as impressões e fotos dos três shows, todos cheios de canções para se tocar no rádio e na TV.

Som da Rua, dia 17/07 (sábado, Pop Rock Café)

4-4-2, pop rock e três pontos ganhos

por Braulio Lorentz

Fotos: Divulgação

- Tô vendo uma camisa do Botafogo ali, mas aqui em Minas eu sou Cruzeiro.

Vaias se misturam aos aplausos logo após a fala do vocalista e guitarrista do Som da Rua.

- É, estraguei o show.

A lamentação de Liô Mariz é seguida da fala apaziguadora do baixista João Rodrigo, que encerra o papo futebolístico.

- Mas eu sou Atlético.

Com a missão de se apresentar pela primeira vez em Belo Horizonte, o Som da Rua entrou em campo com casa cheia. A casa cheia em questão atende pelo nome de Pop Rock Café, reduto que em muitas outras noites de sábado, como aquela do dia 17 de julho, costuma receber bandas que tocam canções de outros artistas. Mas adversidades como essas estão aí para serem quebradas. O quinteto carioca foi aos poucos, como se estivesse com tudo (bem) planejado, conquistando a confiança do público pagante.


A banda em ação

A tática escolhida foi a defensiva. Muitos covers para uma moçada que está acostumada com covers. Uma olhada no setlist confirma o esquema proposto pelos cinco rapazes. Das 14 músicas tocadas, só metade está presente no bom disco de estréia da banda, Canções para violão e guitarra. A outra parte do repertório não poderia, então, deixar de ser um passeio pelos pop hits, quase todos nacionais. “Don’t Look Back In Anger”, do Oasis, é a exceção internacional.


Mariz: pouco antes de liderar uma inusitada "dança de guitarras"

Tocar pop rock no Pop Rock não é uma questão de opção. Trata-se de coerência mesmo. Ninguém é bobo de arriscar tudo e partir pro ataque em uma partida fora de casa. Com a partida ganha, ao fim do show, o sorriso estampado na cara dos caras seria mais coerente ainda.

Bolas dentro (“Cowboy fora da lei”, “O avesso” e mais uma balada do Guilherme Arantes e duas dos Paralamas) e outras não tão dentro assim ("Pais e filhos" e "Plunct Plact Zum") marcaram presença. Os elementos-surpresa eram o hit "Só uma canção", com execução na 98 FM, de BH, e as piadinhas comandadas pelo vocalista.

- Essa é a parte do nosso show que a gente pede pro público vaiar. Vamos pessoal, é pra vaiar mesmo... Uuuuuuuuuuuuuh. Nossa, são poucas vaias, vocês estão gostando mesmo. Mas finge aí que vocês não estão gostando... Uuuuuuuuuuuh!

E aproveitando os "Uuuuuuuuuh's" a banda emenda a versão de "O Vira", do Secos e Molhados. Se você não se lembra, essa música é aquela do verso "Uuuuuuuh gato cruzou a estrada". Piada explicada definitivamente não tem sentido.

Por outro lado, o plano tático do Som da Rua tem todo o sentido do mundo. Mesclar covers com canções próprias é tática habitual, o 4-4-2 das bandas novas. Tocar “Pais e Filhos”, no entanto, é como jogar com três meias de marcação. E este não era o caso.

Los hermanos, Dia 24/07 (sábado, Mix Garden)

Compensações e despedidas

por Rodrigo Ortega

Fotos: Guia BH


Camelo: músicas novas bem recebidas

O último show dos Los Hermanos em Belo Horizonte com a turnê do disco Ventura (2003) tinha tudo para dar errado: longe, caro, previsível e cheio de mauricinhos. Mas quem se atreveu a pagar R$ 30 e enfrentar a viagem ao Mix Garden para a festa de três anos do Pop Rock Café, a boate mais cocota da cidade, foi recompensado. Mesmo antes da estréia da turnê do disco 4, que começa no próximo dia 13/08, em Vitória, eles tocaram quatro músicas novas: “O vento”, “Condicional”, “É de lágrima” e “Pois é”. Apresentaram as velhas e novas canções com simpatia e empolgação. Principalmente Rodrigo Amarante, que pareceu recuperado do trauma da derrota para Júnior, irmão da Sandy, no prêmio Multishow de melhor instrumentista.

“O Vento”, primeira música de trabalho de 4, já estava rolando na Internet e nas rádios, mas poucos arriscaram acompanhar Amarante em belos versos como: “Posso ouvir o vento passar/ Assistir a onda bater/ Mas o estrago que faz/ A vida é curta pra ver”. Ele também cantou “Condicional”, a mais animada das novas, e se mostrou feliz com o resultado. As duas músicas cantadas por Marcelo Camelo, “É de lágrima” e “Pois é”, deram respaldo aos boatos de que o disco tem um clima mais triste do que os anteriores. Foram mais aplaudidas do que as outras duas.

Nem precisava tanto para esquecer os R$ 10 para estacionar na lama e o frio descomunal do lado de fora da casa de shows, além dos preços abusivos das bebidas e a vergonha-alheia do show de abertura da banda JPG, com covers óbvios de Capital Inicial, Lulu Santos e até uma versão deprimente de Clocks, do Coldplay. O DJ que tocou no intervalo dos shows também não deixou por menos e tocou hits típicos dos freqüentadores do Pop Rock Café, salvo boas exceções como “Somebody Told Me”, do The Killers, animando um pouquinho quem não estava ali pra cocotar. Deu vontade de voltar até a porta e tentar resgatar a garrafa de pinga que os seguranças não deixaram entrar. Mas os amigos barbudos compensaram tudo.


Amarante tinha que ter tocado “Traumas”, do Roberto Carlos

Provocaram o tradicional pula-pula em “O Vencedor” e “A flor”, arrancaram suspiros em “Deixa o Verão” e “Além do que se vê”, e lagriminhas marotas em “Sentimental”, “Santa Chuva” e “Último Romance”. Foi a última chance de ver muitos dos antigos sucessos, já que a banda deve tocar mais as músicas novas na próxima turnê, que passa em setembro por São Paulo e Rio e em outubro pelo Nordeste e Belo Horizonte.

Muita gente disse que ia dar errado, mas foi incrível. Tem tudo para ser melhor ainda, quando eles voltarem no fim do ano. Muita gente ri porque eles acreditam em canções de amor. Mas eles estão cada vez melhores nisso. E deixam “O vento” responder às expectativas: “E como será?/ O vento vai dizer lento o que virá/ E se chover demais/ A gente vai saber/ Claro de um trovão/ Se alguém depois sorrir em paz/ Só de encontrar”.

Nervoso, dia 28/07 (quinta-feira, A Obra)

Disponível para downloads

por Braulio Lorentz

Fotos: Divulgação

Feliz por estar pisando no palco do bar dançante A Obra, o carioca Nervoso foi a atração entre duas sessões animadas de hits do Indie Rock Tonight. Explico no parágrafo abaixo.


Nervoso: boas músicas e um cover psicodélico

Com um álbum independente lançado na praça e apenas um cover no show, era de se esperar que houvesse um pouco de dispersão dos indie rockers de plantão. Ainda mais se levarmos em conta que a tal cover não é a nova do Weezer ou um lado B do Placebo e sim "A Máquina Voadora", pérola da pouco conhecida fase psicodélica de Ronnie Von.

- Meu sonho é que um dia todos vocês saibam essas canções.


Nervoso grita, e não é pouco não

A frase de Nervoso vem a calhar. Músicas como "Maus Limites" e "Moça Mimada" flertam com o rock gaúcho e dão pegas na jovem guarda. São perfeitas para estarem na pauta das festinhas de Indie Rock. Dançantes e com letras no mínino bem boladas. "Candidato a amigo", por exemplo, é dedicada "ao amor mais nobre: a amizade", segundo palavras do próprio vocalista e guitarrista.

A mais famosa do disco de estréia de Nervoso, Saudade das Minhas lembranças, de 2004, é reservada para o fim do show. "Já desmanchei minha relação/ Que coincidência estou feliz/ Com idéias na cabeça/ E sem dor no coração", brada. O disco, diga-se de passagem, merece ser comprado, se ainda estivesse à venda.


A cozinha do moço: baixista e baterista

- Mas quem quiser baixar no meu Soulseek esteja à vontade.

Quem se interessou, mande e-mail pra gente que o nome de usuário do cara será enviado, sem custos adicionais. Como diz o VJ Rafa da MTV, "a internet ainda vai nos salvar". Pode parecer papo de nerd, mas por vezes faz todo sentido. E este é o caso.

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