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Feirinha de invenções

Erika Machado e John Ulhoa
Projeto Stereoteca - Biblioteca Pública, Belo Horizonte, 07/06/06

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por Rodrigo Ortega (texto e fotos)

O expectador mais próximo do palco era uma menina gigante, de pano e espuma, criada por Juliana Mafra, parceira de Erika Machado no projeto de artes plásticas Fabriquinha. A garota de cabelos pretos assistiu ao show sentada e quieta, mas com carinha de quem estava gostando demais, assim como o resto do público. O repertório da apresentação foi o mesmo do primeiro disco completo de Erika Machado, No Cimento.


Erika e seu "mestre" John

A tímida Erika parecia ainda mais nervosa na última apresentação da sua feirinha de "invenções" (como ela chama suas composições) antes do resultado sair nas lojas, em julho. Além disso, o produtor do disco, conhecido pela maioria como guitarrista do Pato Fu e pela cantora como "meu mestre John Ulhoa", estava lá. O orientador do projeto participou da banca e da defesa. Ele tocou guitarra em algumas músicas e foi educadamente obrigado, por ela e pelo público, a fazer um bis na música mais conhecida de Erika, "Secador, maçã e lente".

Além de Juliana, outra colega presente foi Cecília Silveira, parceira de invenção em “As coisas” e na faixa-título, e responsável pelos vocais de apoio do show. Mas os olhares eram todos para Erika, integrante do mesmo grupo de cantores que Chico Buarque e Rivers Cuomo, que quanto mais tímidos parecem, mais chamam atenção.

“Essa música é para quem diz que eu não canto coisas sobre o coração”, disse ela antes de cantar uma balada de poucos segundos, com o acompanhamento de seu violão e da guitarra de John. “Mas minha participação nessa música é tão pequena que é quase o mesmo que não fazer nada”, desculpou-se o guitarrista. Ele imita com seu instrumento o apito de um aparelho cardíaco, o que, pelo contrário, indica que ele fez muitas coisas em favor das inusitadas idéias de Erika.

Abraço na vovó

“O disco demorou três meses para ficar pronto, mas na verdade estou trabalhando nele desde que compus minha primeira música”, explicou a cantora. Talvez por isso ela tenha pedido licença para tocar uma canção que não está em No Cimento, “Vovó”, composta aos quinze anos, como ela contou no último show visto pelo Pílula. A chegada da própria vovó de Erika Machado, acompanhada do vovô, para um abraço na netinha depois do show, foi um momento de fofura surreal.


Erika de vestido branco no ensaio de festa de debutante

“Vovó” faz parte do Disco do Baratinho, EP independente de 2003, que chama atenção pelos desenhos do encarte, todos feitos pela própria cantora. Ela também fez toda a arte gráfica de No Cimento. "Entre as artes plásticas e a música o que muda é só o jeito de se fazer, mas as idéias são as mesmas", explicou.

Seu vestido de criança combina com a travessura das letras. Em “Eu”, ela usa o sujeito em primeira pessoa e o predicado em outras, e em “Pernas”, ela transforma “sei lá” em verbo no infinitivo ("Pernas pra sei lá / pernas para depilar"). Quando ela cita influências, “Arnaldo Antunes, Maurício Pereira e Paralamas” explicam a parte das canções simples, enquanto “Beck e Cornelius" explicam a parte que não dá para explicar.

Mas quando ela pega a guitarra para tocar a divertida “Robertinha”, é difícil não pensar na banda do seu produtor. Sobre as possíveis comparações com o Pato Fu, a resposta de Erika Machado é bem Erika Machado: "É legal parecer com coisas que você acha legal".

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