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Fresno e os rótulos coloridos

por Rodrigo Ortega

“O primeiro disco é rosa, o segundo é verde”. Mais do que descrever as capas, Gustavo Mantovani, guitarrista do Fresno, acha conceitos simples para definir os dois primeiros álbuns da sua banda, Quarto dos Livros (2003) e O Rio, A Cidade, A Árvore (2004). As cores são uma boa sacada para sair da sombra de outro conceito simples com o qual alguns ouvintes tentam resumir a banda gaúcha desde seu surgimento em 1999. “As pessoas acabam por colocar no mesmo saco bandas que não têm semelhança alguma”, reclamou o vocalista Lucas Silveira, em entrevista ao Pílula Pop, sobre o rótulo de emo que costuma ser associado ao Fresno, especialmente depois que a banda apareceu na emblemática matéria do Fantástico sobre o tal rótulo.

Na fuga de definições, a banda acabou chegando a um rótulo bem mais livre: Ciano é o nome do terceiro e recém-lançado disco da banda. “Não tínhamos nenhuma idéia para o nome do disco. Aí pensamos nesse lance das cores e fomos sugerindo, até que eu disse ‘ciano’, que é um tom de azul”, conta Gustavo. Ele é chamado de Vavo pelos fãs mais ativos do Fresno, que são chamados de Street Team por Vavo.

A pedido do Pílula, Vavo tentou refazer a sobreposição de cores que resultou no tom azulado e montou uma lista dos discos que mais influenciaram a banda na gravação de Ciano. As cinco bandas relacionadas já sofreram, com boas razões ou não, comparações à malfadada palavrinha de três letras. A viagem colorida dos gaúchos é um bom guia para os novos fãs, e também uma oportunidade para quem não é do Street Team resolver com os próprios ouvidos a dúvida: na terra das guitarras estridentes e letras emotivas todos os gatos são pardos?


Da esq.: Lezo (baixo), Cuper (bateria), Lucas (vocais e guitarra) e Vavo (guitarra)

Adam Richman - Patience and Science (2005)

“Adam Richman é rei! Mestre dos mestres”, exalta-se o guitarrista. “Ele grava todos os instrumentos, canta, produz, mixa e masteriza todos os seus CDs. São canções pop de qualidade inegável uma veia rock muito pulsante.” A independência do roqueiro da Pensilvânia combina com o faça-você-mesmo dos roqueiros gaúchos. Eles lançaram os dois primeiros discos por conta própria. Ciano sai por uma gravadora criada pelos produtores da banda, a Terapia Records. Mas independência não é sinônimo de falta de expectativas, nem para os fãs nem para os ídolos do Fresno. “Nosso sonho é que o Adam vire mania nacional e venha tocar no Brasil”, sonha Vavo.

Ouça em: adamrichman.com

Dashboard Confessional - The Places You Have Come To Fear The Most (2001)

O topetudo Christopher Carrabba é protagonista na formatação das atuais características do hardcore emocional. Vavo conta a história: ”É uma banda que começou como um projeto solo acústico de Carraba, mas depois foi agregando gente, até virar uma banda de rock. Todas as fases têm uma característica em comum, e é justamente essa característica que faz do som do Dashboard algo único.” Mais uma vez, os desejos do Fresno são altos: “É uma das bandas que sonhamos em tocar juntos”.

Ouça em: dasboardconfessional.com


Chris Carraba: hardcore acústico

Anberlin - Never Take Friendship Personal (2005)

O guitarrista explica que os timbres de guitarras e sons de bateria de Ciano são altamente inspirados no Anaberlin. “A rigor, é uma banda de rock alternativo, mas eles reeditam uma série de características dos anos 80, o que deixa o som deles único”, conta Vavo. “Não só o vocal virtuoso e impecável, mas todos os instrumentos nessa banda são tocados de uma forma ao mesmo tempo simples e cativante.” Assim a banda consegue fugir do emo, mas esbarra em duas duplas de palavrinhas complicadas: o “alternativo adulto”, irmão do rock de sofá, e o “simples e cativante”, fortes concorrentes a palavras mais repetidas nas resenhas de música do Pílula Pop.

Ouça em: anberlin.com

Copeland - Beneath Medicine Tree (2003)

Assim como o Anberlin, esta é uma banda que o Fresno tinha nos ouvidos durante a produção do seu terceiro disco, como conta o guitarrista: “O Copeland tem um dos melhores vocalistas da atualidade, em canções com uma carga emocional absurda”. Uma característica em comum com o gaúcho são os sentimentos intensos das letras. “Não é recomendado para momentos tristes”, alerta Vavo. Cada poça da rua do Fresno tem um pouco das lágrimas do Copeland.

Ouça em: thecopelandsite.com


Vavo acha um absurdo os gritos do vocalista do Copeland, Aaron Marsh

Mae - The Everglow (2005)

“Esse disco é uma fonte inesgotável de inspiração”. O último tom da paleta Ciano que Vavo revela é de uma banda formada dois anos depois do Fresno. Não faltam elogios aos irmãos mais novos. “O Mae (sigla para Multisensory Aesthetic Experience) é uma banda fenomenal, com riffs muito criativos”. Mas não são só as guitarras estridentes e letras emotivas do Mae que fazem Vavo chorar. “Os teclados e efeitos etéreos dão às músicas uma característica única”, conta.

Ouça em: whatismae.com

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