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“E eu dizia já é tarde, tarde, tarde, tarde, tarde”

Cacos ao vivo - A Obra, Belo Horizonte, 27/07/06

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por Braulio Lorentz (texto e fotos)


Rafa torce pela volta do Smashing Pumpkins e veste a camisa

“E eu dizia ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo”, grita o vocalista do grupo paulistano Cacos, Rafael Losso. A cover de Legião Urbana fez muitos irem embora, outros se entreolharem e alguns poucos cantarem juntos os versos de Renato Russo.

Ao acabar (com) a música, já éramos menos de 30 pessoas n'A Obra. Quase todos os integrantes da banda que abriu os trabalhos, Caipirinhas, o dono do bar que fez a apresentação do show, Claudão, e um jornalista alto e falante foram alguns dos que acharam que já não era tão cedo assim. Eles partiram e não acompanharam o resto das canções da banda, que antes se chamava Jeremy e em BH teve Ricardo Azedo na bateria, Marcelo Nunes na guitarra e Claudio Sampaio no baixo.

Quem se foi também não viu Rafael, entre uma soprada de franja e outra, comentar sobre mais uma versão. Tratava-se, dessa vez, de uma canção de um nome independente. “Estou reparando os adesivos colados aqui atrás [do palco] e tem muita banda legal. Uma delas é o Vanguart”, introduz Rafa, com seu olhar pulando do chão para o adesivo e para a platéia.


Eles vieram de carro, mas só acreditam no avião

Depois de perguntar pelo menos três vezes se alguém conhecia a banda de Cuiabá, Rafa desistiu. Ele preferiu contar que “Semáforo” era sua música preferida de 2006, e então entregou uma versão aquém da original, o que já era esperado. “Legal a versão de 'Semáforo', mas perde muito sem os vocais de apoio”, disse ao vocalista-VJ depois da apresentação. “Sim, sim, concordo”, respondeu, coçando o cavanhaque.

Dentre as composições próprias, a que mais surpreende positivamente ao vivo é a barulhenta “Uma”. A canção foi tocada perto do fim do show, pouco antes de Rafael entrevistar um bêbado que estava bem próximo ao palco. Talvez isso tenha acontecido por Rafa estar acostumado a pegar o microfone e ter paciência para ouvir o que os outros estão dispostos a dizer.

No caso, o entrevistado não tinha coisas interessantes a acrescentar: “Falta clássico! Eu gostei muito das músicas de vocês, mas eu estou bêbado”. “Faltou clássico? Mas a gente tocou Legião Urbana!”, defendeu-se.


“Rafa, (gluup) eu (gluup) gostei (gluup) muito (gluup)”

Mesmo sendo bastante constrangedor presenciar o diálogo entre o vocalista do Cacos e o bêbado, esse foi o maior momento de interação entre banda e platéia. Desde o começo da apresentação, Rafael economizou nas palavras. Entre uma música e outra, falava pouco e com extrema timidez, porém fez questão de dizer que era a primeira vez que estava em Belo Horizonte.

O nervosismo pode ser explicado pelo post do dia 26 de julho em seu blog do site da MTV. Na véspera deste show, Rafa escreveu: "Amanhã vou fazer uma das viagens mais fodas da minha vida. (...) vai ser a primeira vez que faço isso não só com amigos, mas com uma banda, indo pra tocar em uma cidade distante, desconhecida, conhecendo pessoas estranhas e fazendo barulho".

Apenas depois de “Ainda é cedo” ele começou a se soltar: seja para apontar adesivos, olhar os olhos dos presentes, entrevistar bêbado ou colocar os braços para trás e fazer uma pose de Liam Gallagher. Ainda não é tarde para juntar os cacos e transformar toda essa empolgação em música - com um bocado mais de desenvoltura e menos receio de mandar bêbados chatos irem pastar.

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