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Festa Alto-Falante, Lapa Multishow, Belo Horizonte, 18/08/06

Superguidis, Los Porongas, Falcatrua e Wado Ao Vivo

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por Braulio Lorentz

Fotos: Daniel Oliveira

A festa de comemoração dos nove anos do programa Alto-falante colocou no palco do Lapa Multishow quatro nomes da música pop independente. Superguidis, Los Porongas, Falcatrua e Wado dificilmente pisariam no mesmo lugar, no mesmo dia, com uma estrutura tão bacana e público beirando mil pessoas. Não teve bolo de aniversário, mas teve “Bolo de Casamento” – cortesia da Superguidis, que foi a primeira banda da noite.


Uma pausa para tirar a mão das cordas e colocá-la na cabeça

Era a estréia do quarteto gaúcho em BH e o bom-humor dos caras continuava intacto mesmo após algumas noites quase sem dormir. A banda estava no meio de uma turnê por três cidades: evento da revista Laboratório Pop no Rio de Janeiro, a festa do Alto-falante na capital mineira e o festival Calango de Cuiabá. “A correria faz parte, a gente está com pouquinhas horas de sono. Ninguém mandou ser músico... Agora agüenta”, resume o vocalista Andrio Maquenzi.

A grande maioria das músicas que o Superguidis apresentou estão no CD de estréia. O álbum foi lançado pelo Senhor F, selo de Brasília comandado por Fernando Rosa. “Ele é uma mistura de Peter Sellers e Gepeto”, descreve Andrio. A inédita “Mais Do Que Isso” não está no disco mas “está no YouTube”, segundo palavras do guitarrista Lucas Pocamacha.


O vocalista dos Porongas em momento mais contido

O Los Porongas foi o segundo nome a fazer barulho. Outra banda do selo Senhor F, porém vinda de Rio Branco, capital do Acre. A primeira coisa que fez o público arregalar olhos e ouvidos foi essa peculiaridade. O vocalista Diogo Soares gosta disso: “O Acre não tem tradição na música pop e no rock, e isso é bom, gera uma baixa expectativa”. E desgosta: “Num segundo momento acaba sendo ruim, porque a banda chama a atenção por ser exótica e aquilo que a gente quer é ficar conhecido pela qualidade das músicas e não pelo fato de ser do Acre”.

Exótico é tudo o que os Porongas não são. No palco, eles fazem valer o que o baterista Jorge Anzol disse que o alto e falante Terence Machado certa vez disse: “As músicas parecem com um monte de coisa e ao mesmo tempo não se parecem com nada”. A frase de Terence tem um quê de Humberto Gessinger, mas tem muito mais quê's de verdade.


André e uma das estriupulias teatrais para prender a atenção

Tocando em casa, o Falcatrua estava tão a vontade que na versão de “New York, New York” o vocalista André Miglio ficou só com suas roupas de baixo. A banda vestiu roupas estranhas e tocou as quatro versões que estão no DVD “Falcatrua e o Pau de Arara espacial” e (muitas) outras canções de terceiros.

“Come Togheter”, na versão dos Porongas, era a única cover a ter sido tocada na noite antes do Falcatrua colocar pelo menos outra meia dúzia de canções não-próprias na lista. O inusitado, entretanto, foi que a mais bacana foi justamente “Come Togheter”. Uma amiga minha tinha ido ao banheiro e voltou de lá com cara de desentendida, como se tivéssemos voltado no tempo. “Não, beibi, é outra banda tocando a mesma música!”, teria dito se não estivesse cantando.


Vá no wado.com.br e baixe todas as MP3 dele. Agora!

A música da festa foi, show a show, sofrendo um processo de “desindiezação”. A guinada “mpbística” ensaiada pelo Falcatrua foi confirmada por Wado, acompanhado de sua banda Realismo Fantástico. Duas expressões com aspas em um parágrafo!? Uau.

Wado era o nome mais conhecido da ocasião e o único dentre as atrações a ter lançado mais de um disco. O alagoano já colocou três trabalhos na praça e prepara o quarto CD, que deve enveredar pelo caminho de sons que vão de funk carioca a Gorillaz. Sem capacidade de mexer os pés ou sequer ficar de pé, observamos a animada platéia sambando e sorrindo. Como dizem os membros do projeto Alto-Falante, que venha a festa de 10 anos. Com mais bons shows e com mais boas novidades, como o novo horário do programa na TV Cultura (sábados ao meio-dia).

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