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O diálogo que não aconteceu

Relespública ao vivo, A Obra, 24/08/06

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por Braulio Lorentz
(texto e fotos)


O Relespública é uma banda fácil de se enquadrar

- Olha, eu juro que tentei, mas...

- Mas o quê? Tu é um mané mesmo.

- Não é bem assim, colega. Não sei se era por ter gravado o programa de rádio do Pílula minutos antes do show, não sei se foi culpa do meu humor... E tem mais: eu não achei o MTV Apresenta deles ruim...

- Você também não achou o novo da Christina Aguilera ruim! Não é desculpa. Você tem que ouvir coisas mais classudas, novos clássicos da boa música. Tenho certeza que você não escutou o segundo disco da apaixonante Regina Spektor. Diretamente da Gringolândia.

- Pior que eu escutei sim. Mas voltemos aos curitibanos do Relespública, meu caro.

- Voltemos ao Reles.

- Então, eu não sou tão fã deles quanto você é. Acompanhei uma mínima parte dos 15 anos de carreira dos caras.

- Sei, mas você há de concordar comigo que se você não fosse uma bicha você acharia o show foda, né?

- Olha, como já te disse, eu achei chato.

- Explique-se, colega.


Muito fácil...

- Vamos por tópicos, clichê por clichê:

1)Eles tocaram “Sociedade Alternativa”, do Raul Seixas. Disseram que fizeram isso porque ninguém estava cantando as músicas deles. Mas daí o guitarrista e vocalista Fabio Elias disse: “Nem Raul vocês cantam?”. Reclamar do público de BH é super clichê.

2)Fábio e o baixista Ricardo Bastos estavam com o mesmo tênis All Star preto. Eu estava tão chato na noite do show que isso me incomodou. Olhei pro pé da minha namorada e ela estava com o mesmo tênis. Se bobear você também estava com o mesmo modelo de pisante.

3)O baterista pede que o chamem de Emanuel Moon e o guitarrista trajava uma camisa do The Who. Só faltou tocar uma música da banda do baterista Keith Moon? Não, não faltou nada.

4)“Garoa e Solidão” foi a canção que mais me fez mexer a cabeça. O que é natural, já que era a que eu conhecia de frente pra trás.

5)Dei uma nova chance para a versão de “Minha Menina”, que ficou conhecida na interpretação dos Mutantes. Não foi dessa vez que a cover me pegou. Mas tudo bem, é até clichê falar que a original é mais bacana.


Fácil mesmo...

- Mas você também é um cara cheio de clichê. Faz um top 5 e termina falando “bacana”. Guri-clichê indie do caralho!

- Foi mal. É que nas Noites Alto-Falante com Érika Martins e Cabaret eu confesso que fui um pouco condescendente. Até com o Cacos, banda do Rafa, que é baixo e calado, me disseram que eu fui.

- Tá certo. Fim de papo então.

- Beleza. Fica brabo não...

- Vou tentar. Mas é difícil. Tenho que manter a minha fama de mau.

- Eu entendo. Até mais ver!

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