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Sons, imagens e sensações

CocoRosie, Spleen e Adriana Calcanhoto - Circo Voador, RJ, 02/09/2006

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por Rodrigo Ortega

Fotos: Nando Rocha

Ueba

Quem trocou o quentinho da cama pelo frio da madrugada na noite de dois de setembro para ver a dupla norte-americana CocoRosie no Circo Voador, no Rio de Janeiro, provavelmente encarou imagens, sons e sensações mais parecidas com sonhos do que quem ficou literalmente sonhando em casa. Os arranjos folk e o clima de “oh, o fantástico mundo” das canções das irmãs Sierra e Bianca são características comuns entre muitas das bandas mais admiradas atualmente pela crítica e (como elas provaram neste show) pelo público. O CocoRosie foi a atração principal do festival Minimal, que teve abertura da cantora gaúcha Adriana Calcanhoto e do cantor francês Spleen.


Sierra à frente e o beatboxer (de laranja) ao fundo

Uááá

Apesar do saldo final positivo, a sensação dominante no início da noite foi de preguiça. Não foi culpa de Adriana Calcanhoto, que acompanhada por Moreno Veloso (violão, cello e pandeiro) e Domenico Lancelotti (sampler, violão e pandeiro) fez um show discreto, mas contagiante. O cello de Moreno era imponente, e o público deu moral desde os momentos mais "difíceis", em que ela mordia uma maçã no microfone como um instrumento musical ou improvisava uma poesia no meio de uma cover de "Music", da Maddona, até refrões conhecidos como os de "Fico assim sem você" e "Vambora". Spleen também agradou com seus blues e raps e seu vozeirão, mas a preguiça ficou por conta do músico especializado em beatbox que o acompanhou. Primeiro foi engraçado vê-lo imitar com a boca vários instrumentos, como em "Kiss", do Prince. Mas era uma piada para cinco minutos, não para quarenta.

Ufa

Finalmente entra Sierra, com uma máscara japonesa, e Bianca, com uma calça de skatista três vezes mais larga do que a sua cintura. De cara um susto: Spleen e Tez, o tal fazedor de beatbox, também participariam deste show. Felizmente eles fizeram intervenções discretas e no final até simpáticas. Ufa. Mas o alívio mesmo foi ver Sierra se sentar ao piano, soltar a voz e fazer a massagem nos ouvidos que o hype prometia. Bianca ficou do outro lado, mais dedicada à mesa de aparelhos eletrônicos lo-fi e com uma voz também linda.


Bianca e suas calças largas

Ohh

O show do CocoRosie é tanto musical quanto visual. A beleza natural das meninas, a harpa no meio do palco e as sensacionais imagens do grande telão ao fundo são de coçar os olhos para conferir se é tudo verdade. O público pareceu hipnotizado, mas também participou do espetáculo. Em "Terrible angels", primeira faixa do primeiro disco das garotas, La Maison de Mon Rêve, todos cantaram juntos. Um dos momentos mais vibrantes foi "Beatiful boys", do segundo e mais recente disco, Noah's Ark, mesmo sem o cantor Antony (do grupo Antony and the Johnsons), que participa dos vocais da faixa no disco.


Cores de Almodóvar / Cores de CocoRosie

Uhh

O clima lentamente passou de surreal para sensual. As irmãs foram ficando à vontade, o que cuminou em uma dança de Bianca e Spleen digna de baile funk e em saltos frenéticos de Sierra pelo palco. Quando Bianca fez sinal para o público de que queria fumar, uma menina comentou para sua amiga do meu lado: "Se ela quiser, eu me enrolo em uma seda e vou". As meninas não perderam o ânimo nem com uma briga no público que interrompeu o show e nem quando alguém avisou para elas que seria chato tocar uma música chamada "Brazilian Sun" (faixa de Noel's Ark) com letra em espanhol. Felizmente, essa ficou de fora. No bis, Sierra perguntou se o público queria ouvir "Good Friday". Depois que a música acabou, deu vontade de tapar o ouvido para não ouvir mais nada além dos sons do fantástico mundo ressoando na cabeça, para a trilha sonora do sonho literal no quentinho da cama.

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