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Fé nas composições

Maria Bethânia ao vivo, Festival da Vida, Mariana (MG), 20/05/06

por Juliana Benício

Fotos: Divulgação


Bethânia em momento de gesticulação

Era o início do “Festival da Vida”, que teve como espetáculo de abertura o show de Maria Bethânia. A moça dispensa maiores apresentações, mas o festival não. Então, vamos a elas. O festival conta com uma série de eventos gratuitos em praças, igrejas e outros belos cenários da primeira capital de Minas Gerais. O objetivo era mostrar, através da música e outros segmentos culturais, manifestações religiosas e de fé. O maior destaque, entretanto, foi mesmo o concerto de Bethânia. Voltemos, então, a ele.

Não poderia haver lugar melhor do que a Praça Cláudio Manuel (Praça da Sé) para receber a cantora baiana. O espaço estava abarrotado de fãs, prontos para apreciar o belo concerto que estaria por vir. Os fãs estavam encantados pela atração da noite, e a atração da noite estava encantada pelos fãs, e pelo ambiente: “Muito obrigada, Mariana, por estar aqui e poder cantar diante da casa da mãe de Deus”, referindo-se à Catedral da Sé.

Bethânia, entre os casarões barrocos, sob o céu estrelado, entoava canções de grandes compositores nacionais, intercalando versos de Vinícius de Moraes, ora cantados, ora declamados. A combinação entre música e poesia é recorrente na obra da cantora, sendo que essa harmonização atingiu o ápice em 97, com o show e álbum Imitação da Vida. Nesse trabalho, poesias de Fernando Pessoa e de seus heterônimos Alberto Caeiro e Ricardo Reis eram recitadas entre as canções escolhidas a dedo.


A capa do disco mais recente

Os músicos entraram no palco e uma salva de palmas foi ouvida. Era o prelúdio da sonoridade, da harmonia perfeita entre voz e instrumentos musicais que logo agraciariam o fiel público. O repertório estava afinadíssimo. Para se ter uma idéia, tudo estremeceu quando Bethânia apareceu cantando “Modinha”, a primeira faixa do álbum Que falta você me faz. Desse disco, cantou ainda “Mulher, sempre mulher”, de Tom e Vinícius, “Bom dia, tristeza” e (para quebrar a melancolia) “Samba da Bênção”, afinal, “é melhor ser alegre que ser triste”.

Contemplou também seu público com canções de Brasileirinho, A Força que nunca Seca e Âmbar. Trouxe mais Vinícius em “Formosa” e outros grandes compositores brasileiros como Roberto Carlos em “Fera Ferida”, Chico Buarque em “Teresinha” e Caetano, na nostálgica “Felicidade”.

Entre a celebração do amor através de versos como “Soneto do Amor Total” e a evocação da fé com “Ave Maria”, de Vicente Paiva e Jayme Redondo, uma hora e trinta minutos de interpretação musical se passou. Para a tristeza dos que ali estavam, chegou o fim do espetáculo. Bethânia deixou o palco, mas antes finalizou com a bela mensagem, de Gonzaguinha: “Viver e não ter a Vergonha de ser Feliz”. A frase sempre faz sentido, mas no “Festival da vida” fez mais.

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