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Fragmentos de um making of

Moptop ao vivo na Melt – RJ, 04/10/06

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por Rodrigo Ortega

Fotos: Marcelle Santos

Cena 1: Estúdio da UFMG Educativa / Escritório da Universal

Conversa por telefone do editor de música do Pílula Pop, Braulio Lorentz, com o baixista do Moptop, Daniel Campos.

Braulio: "E a abertura do Oasis? O Noel até vestiu a camisa do Moptop... ou foi montagem?".

Daniel: "Ele vestiu mesmo. Agora tudo o que vier do Moptop você vai achar que é faking of? (risos)"

As cenas que explicam a conversa são do "Faking of" que a banda carioca produziu para a divulgação do seu primeiro disco, lançado pela major Universal e produzido pelo major Chico Neves. No vídeo, a banda finge não saber tocar e tira onda com a desconfiança que vem junto com o sucesso - comentários do tipo "uma carreira em ascenção assim só pode ser coisa armada".

Daniel: "O vídeo partiu de uma idéia da banda e do diretor Bruno Natal. A gente gravou o disco muito rápido, e não dava para fazer um making of clássico. Normalmente quando se filma esse tipo de coisa, há uma pitadas de mentira, então resolvemos fazer uma parada escrachada mesmo. Já que não dava para fazer um documento fiel do que foi a gravação do disco, a gente fez uma documentação que a gente pelo menos curtisse".

O músico fala enquanto tira o cabelo do rosto, exatamente como não faz nos shows. O editor ajeita os óculos e aumenta um pouco o volume do gravador - baixistas sempre falam mais baixo.

Cena 2: Primeiro andar da Melt


Mário atrás do prato e Daniel atrás da franja

Entra com cara de desavisado o outro editor de música do Pílula Pop, Rodrigo Ortega. Como a partir daqui ele é o guia da história, podemos enumerar as duas primeiras observações e seus desdobramentos positivos e negativos na cabeça do garoto.

1. O lugar é mega arrumado - Lado bom: o bar é legal / Lado ruim: o bar é caro.

2. A fila lá fora está enorme - Lado bom: o Moptop está bem mesmo / Lado ruim: o show não vai começar tão cedo.

A cara de desavisado se intensifica quando o editor não vê nenhum palco no local. A hipótese de que a festa de lançamento poderia ser apenas uma festa só não é mais estúpida do que a pergunta para o garçom ("Aqui tem palco?"). Tem, no segundo andar. Para salvar a cena do desastre total, entra o áudio de duas das respostas de Daniel na conversa da cena anterior, enquanto Ortega sobe a escada.

"Fizemos o caminho que todas as bandas estão fazendo: divulgar o som a partir da internet, colocar as músicas para download, para o pessoal ir conhecendo. O contrato foi resultado de três anos de trabalho árduo, de todo mundo. A gente teve a sorte também de contar logo de cara com uma pessoa para empresariar a banda e a partir daí a gente vem buscando o nosso espaço."

"A gente teve contato com o Chico Neves antes da gravação. Ele conheceu a banda através do site (que a filha dele apresentou), a gente conversou e se interessou em trabalhar com ele. Só que na época estávamos amarrados com o Claro que É Rock, pois não podia ter disco lançado para tocar na segunda etapa. Mas assim que a gente assinou e a Universal falou que queria regravar o disco, não lançar a demo (o que pra gente fazia mais sentido, pois nunca encaramos a demo como um "disco" mesmo), sugerimos o nome do Chico Neves. Ele tinha acabado de gravar com o Nando Reis, pela Universal também, e o pessoal gostou da indicação."

Cena 3: Segundo andar da Melt


Gabriel atinge seu máximo de abertura bucal

Como o local estava lotado, o Moptop aparece apenas por frestas entre os troncos e cabeças das pessoas. Ortega não gasta muito a ponta do seu tênis para ampliar o campo de visão, o que pode ser explicado pelas seguintes imagens de arquivo:

Cena 2a: Show em Belo Horizonte, n'A Obra. Casa semi-cheia e público atento à banda.

Cena 2b. Show em São Paulo, abertura para o Oasis, no estacionamento do Credicard Hall. Clima tenso, fãs gritando pela atração principal.

Cena 2c. Show no Rio de Janeiro, Festival Labpop, no Teatro Odisséia. Casa também semi-cheia, mas público super animado, especialmente membros do fã-clube.

A variedade de climas não modifica em nada as expressões do vocalista Gabriel Marques, inclusive na Melt. Claro que a miopia do guia da história pode esconder alguma mudança, mas nada o impede de imaginar o Moptop tocando em um iglu no Pólo Norte ou no meio de um bombardeio nuclear e Gabriel cantando com a mesma economia nos gestos.

O show da Melt foi o mais difícil de se ver e o mais legal de se ouvir. A banda estava à vontade entre os amigos (a quem Gabriel agradeceu várias vezes) e afiada no repertório do disco novo, até porque apenas três músicas não estavam no EP Moonrock (“Uma chance”, “Lugar qualquer” e “Leve demais”). As covers são as de sempre (“You really got me”, dos Kinks, e “Molly’s Chambers”, dos Kings of Leon) e o final estilo “grand finale” de "Sempre igual" também é igual.

O editor respira aliviado quando Gabriel não repete o jeito estranho de cantar em “Paris”, o único momento do disco novo que dá saudade do EP antigo. Mas o disco novo é melhor, o show novo é melhor e "O rock acabou" é hit. Para o final feliz não ficar tão fácil, Daniel fala sobre as comparações do Moptop com o rock tipo-assim-Strokes:

“São bandas que realmente a gente curte. Eles têm mais ou menos a mesma idade que a gente, acaba que está todo mundo acompanhando o mesmo tipo de som, então é normal ter esse tipo de influência.”

Letras sem romantismo forçado, declarações honestas. O Moptop não é uma banda fingida.

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