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Direto ao ponto – de ebulição

The Rapture ao vivo, Bataclan, Paris – 26/09/06

por Alfredo Brant
(Texto e fotos)

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O quarteto The Rapture veio ao mundo como um grupo no qual as influências dos anos 80 encontram a crueza de uma banda de garagem para fazer todo mundo dançar. Mesmo que a fórmula não seja exatamente inédita, funciona muito bem em salas escuras e charmosas. Esse é o caso do Bataclan, em Paris. A apresentação do Rapture pode ser somente um pretexto para a diversão sem compromisso. No show, isso fica explícito na maneira como as canções são executadas.

O contrabaixo do sorridente Mattie Safer destaca-se e tem o groove necessário para as canções funcionarem bem no show. Tudo fica mais temperado com o saxofone de Gabe Andruzzi, que também se ocupa das percussões. O guitarrista Luke Jenne é econômico com seu instrumento, mas responsável pelos momentos mais caóticos do show. Ele divide os vocais com o baixista, que canta em metade das faixas do novo disco.


Nem a banda consegue ficar sem se mexer

Sem fazer firulas, o grupo é direto e objetivo, num esforço claro para deixar todos à vontade para uma dancinha. Não se comunicam muito entre eles ou com o público. Mesmo assim, Luke foi bem simpático quando um fã mais empolgado subiu no palco para se divertir antes de ser convidado a se retirar pelos seguranças.

O primeiro grande momento é o semi-hit “Sister Savior”, do primeiro disco. Não muito depois, a platéia é brindada com o frescor de “Get Myself Into It”, primeiro single de Pieces of People We Love. Sem esconder a satisfaçao, Luke canta sem desafinar: “Holiday, get away / I feel funny, children’s money / Gonne get myself into it, why not help me to it”. Só não foi o ponto alto do show porque o Rapture tem na bagagem “House of Jealous Lovers”, o bombástico hit do primeiro CD. O vocalista faz questão de cantar com a satisfação de desafinar.


O guitarrista Luke Jenne grita

Com o decorrer da apresentação, as pessoas vão se soltando. Meninas dançam de olhos fechados e se misturam com outros que dão as costas para o palco, não se importando com a origem de som, como se estivessem numa boate. É por volta desse momento que a banda experimenta algumas canções como “Calling Me”, lenta e chapada, chegando a soar psicodélica para alguns presentes.

Apesar do grande potencial, o segundo disco poderia ser melhor explorado durante o show. A impressão foi que o público ainda se empolga mais quando Luke pega o microfone para cantar as musicas cruas e diretas de Echoes (2003). Falta descobrir a fórmula do setlist ideal. Canções como “I Need Your Love” e “The Coming of Spring” têm uma força impressionante, que pode ofuscar jóias como “The Devil” ou “Don Gon Do It”.

Ainda assim, foi uma boa apresentação. Despretensiosa e divertida, como deveria ser. O show vale pelo novo disco e por algumas músicas do anterior. Dá gosto assistir a um grupo que foi protagonista da explosão do “novo rock” a partir de 2001. Melhor ainda é perceber que o Rapture voltou à cena mais maduro musicalmente e com um ótimo segundo disco, bem mais excitante do que a estréia.

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