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Pop Rock Brasil 2006, Mineirão, Belo Horizonte – 11 e 12/11/2006

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O festival Pop Rock Brasil é mineiro como o Pílula Pop, mas as atrações principais foram internacionais. New Order e Black Eyed Peas fecharam sábado e domingo de evento, respectivamente. Para incrementar a overdose pop roqueira, você fica sabendo o que rolou no palco de bandas novas, com destaque para Fresno, Luxúria e Cachorro Grande.

New Order

Fora de Lugar

por Braulio Lorentz

Fotos: Divulgação/Almiro Pereira

Vou sair da casa da minha namorada pontualmente às 23h. O ônibus azul passará no ponto também pontualmente, às 23h10. Não muito depois disso, o balaio já estará nas proximidades do local do evento, quando O Rappa estiver perto da metade de sua apresentação.

Tudo seguiu conforme o planejado. Entrei no Mineirão pouco antes da massa esvaziar o estádio. De quebra, ainda escapei dos shows de CPM 22, Pitty, Tianastácia e Hateen, que já vi em outras tantas ocasiões.

Mais pontual do que o 5102, ingleses que são, a primeira atração internacional começou sua performance quando meia-noite cravou no relógio. Foi quase automático. A aparição do nome do New Order no letreiro luminoso do topo do palco foi a senha para a debandada geral da platéia: mais da metade dos presentes foi embora para casa. Chegar até as grades que separavam a pista da área de imprensa foi tarefa fácil. Era de se esperar.


Bernard é o terceiro da esquerda pra direita

A surpresa foi maior quando o vocalista da banda belo-horizontina Manitu apareceu para cantar “Bizarre Love Triangle”. Alexandre cantou direitinho (já havia interpretado a música no EP “Nosso Tema”, de 2004), mas as pessoas estavam ali, com gotas pingando em suas cabeças, para ver Bernard Sumner cantando.

O New Order tocou músicas do Joy Division, sua cultuada banda embrião (“Ceremony”, “Transmission” e “Love Will Tell Us Apart”). Não deixou seus maiores hits como “Blue Monday”, “Temptation” e “Regret” de fora. Sumner pediu desculpa pela chuva, perguntou se todos estavam gostando e, talvez surpreso com a resposta pouco enfática, resmungou: “Não dá para agradar a todos”. Em “Guilt Is A Useless Emotion”, largou a guitarra e rodou timidamente pelo palco, resumindo a falta de graça de toda aquela noite.

Algumas pessoas que ainda curtiam sua vida de bebê quando o New Order emplacou seus principais hits até tentaram participar. A menina ao meu lado pediu “Bizarre Triangule Love” e mexeu a boca fingindo que cantava “Temptation”. Atitudes tão desastradas quanto colocar o New Order fechando o sábado do Pop Rock Brasil.

Black Eyed Peas

Caras, bocas e hits

por Braulio Lorentz

Fotos: Divulgação/Almiro Pereira

O álbum trampolim da carreira do Black Eyed Peas (Elephunk, 2003), com mais de sete milhões de cópias vendidas, foi o primeiro com a participação de Fergie. A diva do quarteto californiano está com tudo. A carreira solo vai muito bem, tanto que seu primeiro single, “London Bridge”, foi uma das músicas mais festejadas durante o show do BEP com mais de 50 mil pessoas.

Os outros integrantes também tiveram seus momentos de solidão no palco. O filipino Apl.de.ap cantou músicas inspiradas em seu país de origem e o méxico-americano Taboo dedicou seu tempo desacompanhado aos passos de dança. Will.i.am estrelou os minutos acústicos do show: na paródia de “Hotel California”, do Eagles, com versos sobre as belezas do Brasil e em “Gone Going Gone”, faixa que na versão de estúdio conta com Jack Johnson.

Cada ida e vinda dos membros do BEP, aparecendo e sumindo de cena, era sinônimo de troca de roupas e de muitos teatrinhos. Músicas como “Pump It”, “Don´t Phunk With My Heart”, “Where´s The Love”, “Don’t Lie”, “Let´s Get It Started” e “Mas Que Nada” foram cravejadas de caras, bocas, gesticulação e coreografias.


Fergie e seu amigo filipino

Em “My Humps”, apareceram até objetos cênicos como colares e outros adereços oferecidos ao personagem que a loira interpreta na música. Houve também adaptação da letra em alguns refrões. Cantada por Will.i.am, “My Humps” virou “My Bunda”.

O ápice da dramaticidade, porém, veio com “Shut Up”, quando Fergie sentou em um canto do palco e caiu em prantos. Antes de chorar, a moça já havia gargalhado. Bem no início do show, imitou Axl Rose em “Sweet Child O’ Mine”, com direito a boné para trás e dança semelhante a do líder do Guns.

Por essas e por conseguir dar cambalhota e cantar ao mesmo tempo, Fergie provou que é a azeitona que estava faltando na empada do Black Eyed Peas. E é sempre bom saborear a tal empadinha sem que ela tenha saído do forno há mais de dez anos.

Fresno, Luxúria e Cachorro Grande

Os bons moços venceram

por Braulio Lorentz

Fotos: Divulgação/Almiro Pereira

Duas bandas gaúchas e uma paulista foram os três nomes que fecharam a escalação do palco Talk, reservado aos novos nomes “do pop ao rock”. A expressão consta no slogan da rádio que promoveu o evento e resume as sonoridades que desfilaram no palco secundário do festival.

O reggae, representado por Armandinho no palco principal, também teve seus defensores: Manitu e Edu “Me Namora” Ribeiro. Quem ficou por conta de tocar canções pop roqueiras foram as cantoras e VJs Kênia e Keyla Boaventura, do Ksis. As gêmeas não se cansam de anunciar os clipes de Fresno, Luxúria e Cachorro Grande no Disk MTV e Top 20, paradas da emissora musical.


O Mineirão cheio

Dentre as três bandas que fecharam os trabalhos, a primeira a subir no palco foi a Fresno. Sem falarem muito, Lucas Silveira (vocal e guitarra), Gustavo Mantovani (guitarra), Pedro Cupertino (bateria) e Rodrigo Tavares (baixo) foram direto às canções. Tocaram as duas músicas de trabalho do disco “Ciano”, de 2006 – “Quebre as correntes” e “Alguém que te faz sorrir” – e deixaram “Onde Está”, talvez o maior hit da banda, para o fim do concerto.

O Luxúria veio em seguida, também apoiado em duas faixas muito tocadas de seu álbum de estréia, de 2006. “Ódio” e “Imperecível” foram gritadas pela vocalista Meg Stock e pela platéia. As garotas dos camarotes, que berraram e sacudiram seus cabelos ao som de Luxúria, mudaram o semblante quando o Cachorro Grande começou a tocar.

A conclusão estava na expressão de nojinho das meninas. Elas até cantaram “Sinceramente”, mas algumas fecharam a cara durante “Sexperienced”, por causa da letra: “Já experimentei ter paciência com as mais inibidas / Mas enchi o saco agora quero só mulheres vividas”. A reação era muito diferente dos suspiros que o Fresno provocou com os versos: “Alguém que te faz sorrir / Alguém que vai te abraçar / Quando a escuridão cair / Te impedindo de me enxergar”. O rock bom moço venceu desta vez.

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