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Hanson em BH

Turubidapadchu bop! (apesar da peninha...)

por Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega

Fotos: Malu Oliveira

A um quarteirão da entrada do Chevrollet Theater, cambistas oferecem com um certo desespero ingressos por 60% do preço da bilheteria. Na porta, algumas pessoas tentam disfarçar o clima de “o que estamos fazendo aqui?”. Foi assim a entrada para a apresentação acústica dos Hanson em Belo Horizonte, no dia 17 de março, uma quinta-feira nada propícia para um grande show. Em tempo: o concerto em BH foi marcado na última hora, devido ao cancelamento de um no Peru. A falta do B5, banda de abertura nos outros concertos pelo Brasil, tem a ver com isso.

A maior parte do público, como esperado, era feminina, mas com uma média de idade elevada pelas meninas que provavelmente amavam os loirinhos na época do disco This Time Around e aproveitaram a ocasião para recordar os idos de 2000. Passando pela pequena fila já alguns minutos depois das 21h, hora marcada para o início do show, a visão é desoladora. Nem um quinto do espaço ocupado pelas garotas. Peninha dos Hanson!


Olhando assim, até parece que não estava tão vazio...

Mas as gurias amontoadas em frente ao palco nem olhavam para trás, e não pareciam se importar com a pouca quantidade de pessoas no local. Apenas gritavam “Hanson, Hanson!” e “Aaaaaaaaaahhhhhhhh!” cada vez que um roadie se mexia no fundo do palco. Depois de dezenas de falsos alarmes de que o show iria começar, os telões foram ligados. Já com o público em uma quantidade menos constrangedora, a galera se empolgava até com o jingle dos patrocinadores do show, o que nos levava a pensar: “Imagina na hora de ‘Mmmbop’”.

O irmaozão Isaac, de cabelo raspado, o do meio Taylor, com a face rosada, e o irmãozinho Zac entram finalmente no palco. Histeria coletiva. O que se vê então é um repertório desplugado que alterna sucessos dos (não tão) velhos tempos, com canções do álbum Underneath, lançado em 2005 no Brasil. O começo é marcado pela cativante “Strong Enough to Break”, faixa que abre o novo disco. Em seguida, emendam o primeiro sucesso da noite, “If Only”, com direito à gaita tocada por Taylor. E a fórmula continua durante todo o show.


Taylor: o Hanson preferido da maioria das meninas

Tudo está no arroz e feijão até o momento em que Issac e Taylor saem do palco. Engana-se quem esperava um intervalo. O pequerrucho Zac, o mais cool dos meninos, se dirige calmamente ao piano para tocar “Broken Angel”, a balada mais bonita do mais recente disco. Timidamente ele pede para as meninas diminuírem a gritaria e toca de costas para o público, brigando com as teclas do piano. O anti-clímax é amenizado pelas insistentes palmas da equipe do Pílula Pop que se espalham pelo Chevrolet Theater no fim da música, um pouco antes de Zac errar feio e sorrir sem graça para as meninas. Que outro grupinho adolescente nos proporcionaria um momento tão fofo? Isaack também tem um momento solo, desperdiçado com uma versão cheia de virtuose de “Ain´t no sunshine”, sucesso na voz de Michael Jackson.


Zac: o irmão caçula briga com as teclas do piano

“You Never Know” e “Wish That I Was There”, ambas do segundo disco, são cantadas em coro e surpreendem os que só conhecem os hits dos Hanson. A empolgação das mocinhas nos dois lados B comprovam a tese de que a maioria que estava ali era composta por fãs da banda nos tempos de This Time Around. Claro que fãs “veteranas” também estavam muito bem representadas. Do primeiro CD, Middle of Nowhere, de 97, não poderiam faltar os singles que levaram o trio ao estrelato. Mas um deles faltou, “Weird”, talvez a melhor melodia do petardo de estréia. “MMMbop”, em versão mais curta e aquém das expectativas, “Where´s The Love” e “I will come to you”, por outro lado, não ficaram de fora e aumentaram o nível de decibéis no recinto.

Outro bom momento foi quando seis garotas levantaram seis letrinhas feitas com cartolina e papel brilhante. O que estava escrito? “S-a-v-e m-e”, é claro. O hit incluído na trilha-sonora da novela Laços de Família foi o ponto alto da apresentação. A balada levantou todos os presentes e até dava para ver uma dúzia de luzes de celulares esboçando uma dancinha no ambiente escuro. De Underneath, méritos para “Lost Without Each Other”, a mais vibrante performance do Hanson, e o primeiro single, “Penny and Me”, que arrancou alguns litros de lágrimas de duas garotas que estavam ao nosso lado.


Taylor passeia pelo palco perto do fim do show

Antes do final, ainda havia tempo para Taylor se levantar do banquinho e andar por todo o palco. O líder dos Hanson penou ao tentar fazer cada lado da platéia repetir um dos versos do refrão da música “This Time Around”. O lado direito gritava: “You can't say I didn't give it/ I won't wait another minute/ We're on our way this time around”. E o esquerdo respondia: “And we won’t go down/ And we won’t go down/ And we won’t go down”. E então todo mundo cantava junto, numa sintonia de fazer inveja às bailarinas do programa do Faustão. O final perfeito para um show não tão perfeito assim.

Arquivo: Resenha do disco Underneath

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