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Pic-nic com tia Rita

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por Natália Becattini e Lívia Mendonça

Fotos: Divulgação / Gualter Naves

A sessentona Rita Lee provou que ainda tem fôlego para conduzir um show. Após cinco anos sem se apresentar na capital mineira, ela conseguiu lotar o ginásio esportivo Chevrolet Hall com sua turnê Pic Nic. A rainha do rock brasileiro entrou no palco sob aplausos e gritinhos histéricos da platéia, no seu melhor estilo punk-tiazona, e se encarregou de levar a toalha xadrez em forma de uma calça. Já a receita dos 16 quitutes degustados foi light e ao mesmo tempo tradicional, composta essencialmente pelos hits de Lee.

Quitutes de entrada

“Flagra” abriu o show, seguida por “Nem Luxo, Nem Lixo”. Apesar de serem sucessos, elas não foram suficientes para empolgar o público, que permaneceu a maior parte do tempo sentado em suas confortáveis cadeiras. Apenas alguns quarentões mais animados arriscavam alguns passinhos desajeitados uma hora ou outra. Na verdade, a revelação de que a cantora torcia pelo Atlético Mineiro causou mais bagunça no local que qualquer música que ela tinha cantado até o momento.

Pratos exóticos

Enquanto uma fã usando uma peruca vermelha-berrante e com um cartaz enorme na mão pulava constrangedoramente em frente ao palco, Rita Lee tocou “Dinheiro”, uma baladinha simpática que está no novo disco, seguida por um cover cheio de estilo de Chuck Berry. Mas a versão mais inusitada da noite foi de “I Wanna Hold Your Hand”, dos Beatles, em uma pegada de forró – com direito a chapéu de cangaceiro e triângulo. A letra em português foi escrita nos anos 60 pelo grupo Renato e seus Blue Caps, mas Yoko Ono não permitiu que fosse gravada. “Foda-se a japonesa!” gritou, antes do inicio da música.


Rita levou seu bebê imaginário para o pic-nic

Temperos

De tempos em tempos, tia Rita dava um jeito de enfiar alguma performance maluca no meio das músicas, o que deu um charme a mais ao show. Em Vítima, a cantora apareceu vestida com um sobretudo, chapéu e segurando uma lanterna em meio a um cenário escuro e com paisagem urbana, encenando uma espécie de perseguição que culminaria em um assassinato de uma de suas backing-vocals. “Vingativa”, música do repertório das Frenéticas, recebeu um toque hispânico com uma espécie de coreografia que utilizava grandes leques vermelhos.

Pratos principais

“Doce Vampiro” e “Ovelha Negra” conseguiram arrancar um coro da platéia, mas animação, animação mesmo, só em “Agora só Falta Você”, a última antes da saída estratégica dos músicos. Algumas pessoas chegaram a pular para a área vip só para chegar mais perto do palco, com a aprovação da dona da festa: “deixa a moçada entrar!”. E deixaram mesmo. Depois Rita foi embora, mas logo retornou ao palco. Perguntou o que os mineirinhos queriam ouvir e, atendendo aos pedidos, tocou “Amor e Sexo”, “Lança Perfume”, “Erva Venenosa” e, por fim, fechou com “Chiquita Bacana”, de Carmem Miranda, acompanhada por uma chuva de papeis picados.

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