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Verbase

Cada um fala o que quer

por Braulio Lorentz

Fotos: Fernando Guerra

“A gente é de Ubá (MG) e nunca tinha tocado na nossa capital”. A frase dita pelo vocalista e guitarrista do Verbase, Anderson Badaró, inicia a apresentação do power trio no bar dançante A OBRA, em Belo Horizonte. “E hoje quase a gente não chega. A Kombi estragou duas vezes no caminho”, completa o empolgado cabeludo. Badaró, desde já candidato ao posto de sósia oficial de Adriano “enciclopédia” Falabella, do programa Alto-falante, da TV Cultura, é um show à parte.


As escadas d`A Obra: inferninho na Savassi

As sentenças acima foram duas das muitas recebidas de modo entusiasmado pelos que compareceram ao inferninho mais badalado de BH. A apresentação daquela quinta-feira, 20 de janeiro, contaria com outras expressões favoráveis ao “espírito rock n´ roll”. As palavras dignas do personagem interpretado por Jack Black no filme “Escola de Rock” vieram acompanhadas por canções que faziam bater os pezinhos e balançar as madeixas dos presentes.


Dois terços do Verbase

O epílogo para a cover mais hype do setlist, por exemplo, é ao mesmo tempo didático e singelo: "Em algum momento do nosso som você encontra esta influência. A banda se chama Stone Roses e a música é She Bangs the Drums". A explicação vem logo antes da correta versão para a música dos queridinhos ingleses. A competência funciona e a canção arranca sorrisos.


Badaró: roqueiro com cabelo na cara

A influência do britpop do começo dos anos 90 e final dos 80 está escancarada. Traços do rock oitentista brazuca também estão no som do Verbase. A característica mais marcante, para delírio dos guitar band fans de plantão, são as guitarras barulhentas. O barulho, no entanto, é pop até o último fio de cabelo. E olha que não são poucos...

O repertório de frases para se anotar na caderneta não estava extinto. Afinal, não se ouve sempre o vocalista de uma banda afirmar que “Minas Gerais tem o melhor metal do mundo”. A frase é seguida de uma versão da banda Sarcófago, um dos principais nomes do death metal de Minas Gerais.


Detalhe da guitarra do líder do Verbase

O show apresenta aos belo-horizontinos um punhado de músicas novas do CD que está na fase de mixagem e deixa duas questões no ar. Há algum mal em ser apadrinhado pelo Detonautas Roque Clube? Qual o problema de escrever um texto sem saber ao certo os nomes das canções? Sem mais perguntas.

Lasciva Lula

Cabofolia lado b

por Rodrigo Ortega

Fotos: Fernando Guerra

Jornalistas bobões e todos os consumidores da infindável linha de produtos impostos aos jovens com a urgência de um revólver na cabeça conhecem bem o velho bordão e vivem a matraquear por aí: rock é atitude.


Lasciva lula: a banda solta a voz

É o que o vocalista do Verbase, Anderson Badaró, buscava ter, desesperadamente, em uma tediosa noite de quinta na Obra, balançando a cabeleira ou esticando o braço pra alcançar a guitarra perpendicular ao corpo e terminar a apresentação com alguns riffs de heavy metal ou coisa que o valha, supostamente impressionando os poucos presentes.

E é o que os cariocas da Lasciva Lula exalam sem o mínimo esforço, poucos minutos depois, no mesmo palco baixo e estreito e o mesmo terrível sistema de som. O vocalista e guitarrista, Felipe Schuery, tem um olhar estranho que provoca risadas imediatas, alguns instantes antes de você começar a se perguntar se, na verdade, é ele que está tirando onda com a sua cara.


Os pés descalços do guitarrista guga_bruno

O outro guitarrista, com a alcunha de guga_bruno, é bem alto e tem um jeitão peculiar, parecido com o mais engraçado do grupo de amigos protagonistas de um filme de Sessão da Tarde do tipo “Férias Muito Loucas na Califórnia”.

Se a atração anterior veio de Ubá, cidade de Minas Gerais com mais influências cariocas do que belorizontinas, a Lasciva veio do município do Rio com maior incidência de mineiros por metro quadrado: Cabo Frio. Origem inusitada para uma banda idem. Uma levada de jazz introduz a série de dissonâncias e melodias angulosas


"Será que ele tá fazendo hora com a nossa cara?"

Canções como “Brechó” e “Häagen Dazs” soam bem, mas não parecem ter muitas daquelas frases que entram pelo seu ouvido e ficam vagando pelo seu cérebro a ponto de te fazer cantá-la sem perceber ou escutá-la várias vezes (a única que eu conhecia antes do show era “Olívia Lic”, com uma letra ultra-esquisita).

As versões de Pixies e Beach Boys, além de serem coerentes com a origem praiana dos caras, se encaixam no perfil dos dois figurões da banda. A libidinosa “Hey” fica bacana com o vocal psicopata de Felipe, enquanto “Sloop John B” é uma ótima trilha para o tal filme de Sessão da Tarde do qual guga_bruno saiu.


Diretamente de Cabo Frio: atitude sem o mínimo esforço

Durante essa música, guga ainda teve a manha de pegar emprestado o chapéu de um sujeito que vive fazendo poses e trejeitos na Obra. Esbanjando simpatia, ele fez com o chapéu um tipo muito mais interessante e divertido do que tentou o seu verdadeiro dono por noites e mais noites nas pistas de dança, buscando em vão ter a tal “atitude”. O problema é que ou você é legal ou não é, e a Lasciva Lula não precisa fazer nenhum esforço para ser.

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