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Overdose Quando o cinema canta

The sound of (pop) music

por Mariana Marques

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Mamma Mia, here I go again! é o mínimo que você pode sair cantando após assistir ao musical “Mamma Mia!”, estrelado por Meryl Streep. Ok, você não precisa necessariamente cantar em voz alta e, muito menos, dançar coreografias como no filme. Mas acho difícil alguma canção do ABBA não ficar em sua cabeça após mais de uma hora e meia ouvindo as grudentas pérolas do grupo pop sueco.

Sejam musicais ou não, alguns filmes utilizam a música não só para ajudar a contar uma história, mas também de forma mnemônica. E é assim que certa música sempre nos lembra determinada cena de algum filme. E nada mais sagaz que utilizar a música pop para fazer essa associação. O Pílula Pop resolveu relembrar o que você nem esqueceu e lista alguns desses filmes e diretores culpados por grudarem certas canções em nossas cabeças.

Filmes

por

Fotos:

O Casamento de Muriel (Austrália/França, 1994, dir. P.J. Hogan)

Cinco anos antes da estréia do musical Mamma Mia! nos palcos de Londres, já havia quem soubesse do potencial das canções do ABBA para embalar uma história. Muriel (Toni Collette) é fã do grupo e seu sonho é se casar. Ouvir canções como Dancing Queen é o ponto alto de seus dias vividos em uma pequena cidade da Austrália. Você pode até não gostar de ABBA após assistir ao filme, mas é impossível não ficar fã de Toni Collete.

Para grudar na cabeça: Waterloo, pela cena impagável de Toni Collette e Rachel Griffiths (aquela mesma, de “A sete palmos”) dançando no palco, imitando os trejeitos da metade feminina do ABBA. Menção honrosa para o figurino de Muriel.

Moulin Rouge (EUA/Austrália, 2001, dir. Baz Luhrmann)

Musical mais coraçãozudo e vermelho dos últimos tempos, “Moulin Rouge” é daqueles filmes que faz a gente querer comprar o DVD e o CD juntos. Não há um número sequer que não seja digno de ficar na memória. Pudera! Como esquecer a cena do Duque (Richard Roxburgh) cantando e dançando Like a Virgin?

Para grudar na cabeça: The Elephant Love Medley, interpretada por Nicole Kidman e Ewan McGregor. Satine e Christian se apaixonam enquanto cantam uma seleção que inclui Beatles, U2, David Bowie...Own!

Juno (EUA, 2007, dir. Jason Reitman)

Ellen Page, além de ter interpretado uma Juno capaz de comover os mais durões, foi bem esperta e intrometeu-se na escolha da trilha sonora. Resultado: a amiga Kimya Dawson foi responsável pela trilha e, além de incluir suas fofíssimas canções, pautou também Belle and Sebastian, Buddy Holly, e Tom Jobim.

Para grudar na cabeça: Anyone else but you, em dueto de Juno e Paulie Bleeker (Michael Cera). Mas eu aposto que todas as outras canções de Kimya Dawson também irão te conquistar.

A primeira noite de um homem (EUA, 1966, dir. Mike Nichols)

Não deve ser fácil fazer com que uma trilha sonora chame atenção quando atuações, roteiro e direção são ilustres. Simon and Garfunkel não só conseguiram isso, como também eternizaram a personagem de Anne Bancroft com a canção Mrs Robinson.

Para grudar na cabeça: Impossível não sorrir ao ouvir The Sound of Silence na cena final. Dá para seguir cantando enquanto os créditos rolam.

Diretores

por

Fotos:

Sofia Coppola

Sofia Coppola escreve, dirige e também dá um jeito de tomar conta da trilha sonora de seus filmes. Em “As Virgens Suicidas”, não perdeu tempo e inseriu uma canção do Air, de quem é fã confessa. Também escreveu e dirigiu “Maria Antonieta”, filme de época com uma trilha controversa. A rainha da França experimentava vestidos e dava festas em Versailles ao som de Gang of Four, New Order, The Strokes e – claro- mais uma vez, Air.

Para grudar na cabeça: Just Like Honey, do Jesus and Mary Chain. É a canção final de Encontros e Desencontros. Nunca uma canção de despedida foi tão amargamente doce.

Cameron Crowe

Para quem começou a carreira aos 15 anos escrevendo artigos para a Rolling Stone, nada mais natural que se tornar um cineasta obcecado pelas trilhas de seus filmes. Em “Singles”, de 1992, Cameron Crowe convidou a então desconhecida banda Pearl Jam para uma participação. Em “Quase Famosos”, sua semi-autobiografia, ouvimos Beach Boys, The Who, The Stooges, Led Zeppelin, Neil Young, dentre tantos outros.

Para grudar na cabeça: Tiny Dancer, de Elton John, acompanhada por todo o elenco naquele momento bonito clássico de viagem para espantar todos os males.

Quentin Tarantino

Quentin Tarantino é tipo o Cameron Crowe só que, em vez de passar a adolescência escrevendo para a RS, ele trabalhou em locadoras assistindo a todos os VHS do mundo. O cara também é obcecado pelas trilhas de seus filmes – simplesmente não contrata nenhum compositor original porque não se sente seguro em dar o controle musical de sua obra a outra pessoa – e tem, conhecidamente, um quarto inteiro em seu apartamento em Nova Iorque lotado de LPs. Todo filme seu tem pelo menos um clássico dos anos 70 (que talvez nem fosse tão clássico assim, mas o fato de ele ter usado transforma automaticamente), uma seqüência musical antológica e um diálogo inesperado sobre uma música ou banda. Da surf music de “Pulp Fiction” ao Twisted nerve de Bernard Herrmann em “Kill Bill”, o cara inventa o pop.

Para grudar na cabeça: Girl, you’ll be a woman soon, de Neil Diamond e cantada pelo Urge Overkill, enquanto Uma Thurman seduz John Travolta com seus pés em “Pulp Fiction” (aproveite, até porque o Urge Overkill nunca mais fez nada que preste).

Wong Kar-wai

Como todos os demais elementos dos filmes de Wong Kar-wai, as músicas marcam um espaço-tempo determinado. E normalmente, ele parece fixado em uma canção específica para cada longa. Em “Um beijo roubado”, seu último trabalho, o hit era The greatest, de Cat Power. Mas o pop preferido de Mr. Kar-wai você confere aí embaixo.

Para grudar na cabeça: California Dreamin, do The Mamas and the Papas é tocada à exaustão em “Amores expressos” e dá um tom poético e irônico ao sonho da garçonete que quer aprender inglês e ir para os EUA. Impossível não sair do filme cantarolando a música.

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