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12ª Mostra de Cinema de Tiradentes, MG, 23 a 30 de janeiro de 2009

O Festival e o Tempo

por Daniel Oliveira

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Janeiro! Mês de sol, praia, atoísse, férias...

Ou não.

Janeiro! Mês de temporais, enchentes, muito trabalho e...de Mostra de Ciinema de Tiradentes. A 12ª edição do festival chega em 2009 com 28 longas, 32 curtas e 61 vídeos digitais, enfrentando as previsões de mau tempo e as chuvas torrenciais que não param de cair em Minas Gerais desde dezembro.

E se a Mostra está lá, o Pílula Pop marca sua presença, firme e forte, oferecendo seu apoio à novena para São Pedro. De hoje até sexta-feira que vem, não deixe de conferir aqui comentários sobre as sessões, debates, entrevistas com cineastas e atores, resenhas... e boletins metereológicos nas minhas ridículas tentativas de bancar o garoto do tempo. Vai ser divertido, então volte aí depois (e depois e depois) - e se você aparecer por lá, não deixe de dar um oi pra equipe do Pílula (leia-se eu). O festival começa daqui a pouco com a homenagem ao diretor José Eduardo Belmonte e a pré-estréia nacional de seu “Se nada mais der certo”, então... até lá.

F de Fraco

por Daniel

Fotos: Divulgação


Acabou. A 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes se encerrou ontem com sua já tradicional e imprevisível cerimônia de premiação. Os júris Jovem e da Crítica deram suas láureas a um filme que não fede nem cheira e, algo raro em TDNT, as escolhas do público foram as que fizeram mais sentido. O Júri da Crítica ainda mandou uma mensagem super bacana com sua menção honrosa: o distanciamento entre público e cinema nacional é tendência e deve ser incentivado com premiações nos festivais.

Confira a lista dos vencedores aí embaixo.

Melhor filme/Júri da Crítica: “A fuga da mulher gorila”, de Felipe Bragança e Mariana Meliande

Menção honrosa/Júri da Crítica: “A casa de Sandro”, de Gustavo Beck

Melhor filme/Júri Jovem: “A fuga da mulher gorila”, de Felipe Bragança e Mariana Meliande

Melhor filme/Júri Popular: “Titãs – a vida até parece uma festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves

Melhor curta-metragem/Júri Popular: “Dossiê Rê Bordosa”, de César Cabral

Melhor curta digital/Júri Popular: “No tempo de Miltinho”, de André Weller

Prêmio Aquisição Canal Brasil de curta-metragem: “Cortejo Negro”, de Diego Muller

F de (início do) Fim

por Daniel

Fotos:


A Mostra de cinema segue firme e forte até sábado aqui em TDNT, mas o Pílula Pop já começa a desarmar sua barraquinha (de tchurrrrrros) hoje. Este pobre, sofrido - e melodramático - jornalista volta para a terrinha amanhã de manhã. (Não se preocupe: até sábado a gente ainda te informa – via satélite - do que aconteceu de importante na mostra, inclusive os vencedores segundo júris e público.)

Mas é hora de fazer um balanço (cheio de malemolência) das principais contribuições do Pílula para a 12ª edição do evento mais importante do audiovisual de Minas. Repasse com a gente:

* Ajudamos Caroline Abras a encontrar as irmãs que ela perdeu na maternidade.

* Preparamos você para o novo esquema de (mais) filas no Cine-Tenda e, consequentemente, ajudamos você a programar sua Mostra.

* Alertamos sobre o perigo real e iminente das monstruosas mariposas.

* Colocamos curta-metragistas indefesos contra a parede e extraímos deles respostas desconcertadas a perguntas constrangedoras.

* Demos o maior (e provavelmente único) furo do jornalismo de serviço sobre o trânsito de TDNT durante a Mostra.

* Metemos o pau na Mostra Aurora, única e exclusivamente para sermos fodidos e desmentidos logo em seguida por uma dupla catarinense + um cara chamado Toucinho.

* Fizemos nossa parte na cobertura meteorológica do festival, dando o melhor que podíamos – o que, óbvio, gerou um resultado medíocre.

* Assistimos a 32 curtas, 11 longas, resenhamos dois deles, listamos um Top 5 e fizemos comentários, por (muitas) vezes desnecessários, sobre os demais.

* Consumimos: 10 garrafas de água mineral, 15 copos de suco, duas latas de cerveja, duas taças de vinho e duas pilhas de gravador.

* Postamos 13 textos.

* E retrocedemos alguns graus no processo de reversão da escoliose deste editor, com a ajuda das confortáveis cadeiras da Mostra. (NOT).

A gente volta aí depois.

F de Filmes curtos

por Daniel

Fotos: Divulgação

Top 5 “Pílula Pop recomenda” dos curtas apresentados em Tiradentes (em ordem alfabética):

* Calango Lengo, morte e vida sem ver água, animação, dir. Fernando Miller, 2008. Calango tenta escapar da Morte e sua foice no sertão nordestino, com a ajuda de Nossa Senhora Aparecida. Cartoon Warner dos anos 40 encontra Tom & Jerry encontra seca do sertão.

* Cortejo negro, ficção, p&B, dir. Diego Muller, 2007. Purgatório de um homem preso na miséria trágica de ver seu próprio enterro, enquanto repassa os acontecimentos que o levaram até ali. Ian McEwan encontra cinema gaúcho encontra filme noir.


Assista ao seu próprio enterro e você ficará com a mesma cara.

* Dossiê Rê Bordosa, animação, dir. César Cabral, 2008. Um leitor inconformado parte em busca dos reais motivos por trás do assassinato de Rê Bordosa por seu criador Angeli. “Cidadão Kane” encontra stop motion encontra documentário.

* Muro, ficção, dir. Tião, 2008. Um filme sobre a razoabilidade num universo em expansão. Corrida espacial encontra Bergman encontra interior nordestino.

* Os filmes que não fiz¸ ficção, dir. Gilberto Scarpa, 2008. Diretor lança e defende os filmes que nunca fez. Junket press encontra cinema mineiro encontra auto-depreciação.

Confira também: “Engano” (dir. Cavi Borges); “Eu e crocodilos” (dir. Marcela Arantes); “Número 27” (dir. Marcelo Lordello); “Phedra” (dir. Cláudia Priscilla)

F de Floripa

Sistema de animação, doc, dir. Alan Langdon e Guilherme Ledoux, Brasil, 2009

por Daniel

Fotos: Divulgação

Não disse que eu corria e contava? Pronto: estávamos errados (o que vem a ser um dos eventos mais comuns na História milenar do universo)!

Tá, não vi nascer o novo Kubrick. Mas "Sistema de animação", documentário catarinense apresentado ontem à noite dentro da Mostra Aurora, foi um dos melhores longas do festival e o que provavelmente mais envolveu o público em TDNT até agora.

O filme dos diretores Alan Langdon e Guilherme Ledoux é um solo afinadíssimo sobre o músico Toucinho. Ahn? Pois é. Virtuoso baterista que chegou a tocar na banda de Elis Regina, Toucinho aparece como um pensador genial, uma figura um tanto mítica em Florianópolis e quase totalmente desconhecida fora de lá.

(Só para deixarmos estabelecido: bateras são pessoas sensacionais, que falam uma língua onomatopéica própria e quase sempre são solenemente ignoradas. Então, só por dirigirem sua câmera a um desses caras no fundo do palco, Langdon e Ledoux já merecem nosso respeito.)

Mas o fato é que Toucinho é uma personalidade magnética e altamente carismática. "Ele é uma figura que mistura muito o trágico e o cômico, que se auto-ficcionaliza o tempo todo", disse Langdon no debate hoje pela manhã. E como o documentário é inundado pelo ‘amor e afeto’ de seus diretores pelo baterista – “é o jeito que a gente trabalha”, segundo o mesmo Langdon – ele acaba um one-man-show do personagem, disparando frases de uma inteligência peculiar e apresentando as engenhocas e invenções desse seu universo – que ele batizou de “Sistema de animação”.


Toucinho = the man.

E apesar de Guilherme Ledoux afirmar que seus trabalhos com Langdon são sempre abençoados por uma “conspiração cósmica”, “Sistema” não é um filme inocente, alicerçado somente no carisma de seu objeto. Os movimentos rápidos de câmera, a edição que vai e volta entre depoimentos de pessoas diferentes completando raciocínios e o aspecto sujo da fotografia são elementos bem conscientes com os quais os dois diretores transpõem o universo de Toucinho para a linguagem cinematográfica. Eles guardam uma coerência com o discurso fragmentado do personagem, seus riffs ritmados e a tosquice - turbinada por suas invenções - em que ele acabou indo viver, após ser esquecido pelo...sistema.

É essa sintonia entre os realizadores e Toucinho que faz “Sistema de animação” parecer tão autêntico e, consequentemente, dialogar tão bem com o público. “A gente compartilha uma visão romântica da arte”, confessou Langdon sobre a relação entre eles e o músico. Comunhão que ficou clara na tela ontem e que, tivesse Toucinho comparecido a TDNT, teria resultado em algo tão bonito quanto isso aqui.

F de Fazer o bem

Hotxuá, doc, dir. Letícia Sabatella e Gringo Cardia, Brasil, 2008

por Daniel

Fotos: Divulgação

Acabou agora há pouco a coletiva sobre “Hotxuá”, documentário que vai ser exibido em TDNT hoje à noite. A diretora? Letícia Sabatella. (Sim, aparentemente, diretoras-estreantes-atrizes-globais são tendência na Mostra este ano).

Apesar de também ter chamado um co-diretor, Gringo Cardia, para cuidar da parte estética de seu filme, Letícia não poderia estar mais longe de Malu Mader. De fala mansa, pausada, ela parece ao mesmo tempo dona da situação e assustada com ela. Altamente articulada e (aparentemente) bastante inteligente, a atriz-diretora explicou que o título de seu filme, Hotxuá, é a designação da figura do palhaço sagrado na tribo indígena Krahô, original do Maranhão e que se encontra hoje no Tocantins, após ser empurrada pela frente agrícola. “Diante do fracasso da caçada ou da colheita, por exemplo, é o hotxuá que vai cuidar da aldeia para que ela não fique triste”, esclarece.


Letícia: atrizes globais querem fazer o bem.

Sabatella foi batizada na tribo há 14 anos e disse ter feito o filme porque permaneceu envolvida e queria ajudá-los, de alguma forma, a preservar essa tradição. O documentário acabou enveredando pela pesquisa do papel desse palhaço sagrado para os Krahô que, para a diretora, é análogo ao do ator na nossa sociedade. Os direitos autorais de “Hotxuá” são da tribo e a atriz disse que não pretende dirigir de novo, sendo o comando desse projeto algo que ela assumiu por considerar seu interesse “legítimo”.

“A dança dos hotxuá segue o ritmo das plantas, está intrinsecamente ligada à diversidade da natureza ao redor deles. A monocultura da soja destrói isso. E essa importância da natureza para o palhaço sagrado me ensinou muito sobre meu trabalho como atriz. O Leonardo Boff disse em um livro que todos os grandes predadores da história acabaram se extinguindo – os dinossauros, por exemplo. A humanidade não precisa caminhar para isso”, arrebatou Sabatella. Inteligente a moça, não? O editor que vos tecla ficou impressionado.

“Hotxuá” foi exibido nos festivais de Toulouse, Cine Verité e Freiburg e terá sua primeira sessão no Brasil hoje. O filme ainda não tem previsão de estréia no circuito comercial.

F de Falta

A fuga da mulher gorila, dir. Felipe Bragança e Mariana Meliande, Brasil, 2008

por Daniel

Fotos: Divulgação

Não gosto de filme que precisa de bula. Acho importante que o que vejo na tela me faça pensar, mas isso é bem diferente de ter que comparecer a um debate/entrevista/seminário para o diretor me explicar as teorias geniais por trás de seu trabalho.

É por isso que a Mostra Aurora, que exibe obras de diretores estreantes em TDNT, não tem sido minha praia. A seleção conta com sete filmes, que serão avaliados por um “júri jovem” (por sua vez, escolhido entre alunos de uma oficina da última Mostra CineBH). O melhor longa apontado pelo júri receberá um prêmio em serviços de finalização para seu trabalho, além de R$ 6 mil em iluminação, acessórios e maquinários para uma futura produção.

O primeiro filme da Aurora, “A casa de Sandro”, eu já comentei aí embaixo. E o segundo, “A fuga da mulher gorila”*, se representa um avanço em relação ao trabalho de Gustavo Beck, não chegou a me empolgar também.


Kombi Pequena Miss Sunshine versão tunada.

“A fuga...”, dirigido pelos cariocas Felipe Bragança e Mariana Meliande, ao menos tem algo a dizer, diferente de “Sandro”. O longa segue duas mulheres que viajam numa Kombi, apresentando o espetáculo (bem popular no interior) da mulher que se transforma em gorila. A premissa é interessante, a presença de melodias pop na trilha lembra “O céu de Suely” e o resultado podia ser um ótimo road movie.

Mas não é. Ao invés de gastar mais tempo construindo um bom roteiro, Bragança e Meliande se lançam na perigosa onda da improvisação e do acaso, que domina a maré atual do cinema brasileiro. Alguns enxergam nisso ‘frescor, ousadia, inovação etc.’. Com base no resultado a que assisti na tenda ontem, eu enxergo simplesmente falta.

Falta de bons diálogos, falta de rigor e disciplina, falta de dedicação em cativar o público. Um longa não tem que entregar tudo mastigado para seu espectador, mas o que ele quer dizer tem que estar inserido na película – independente de quem assiste ter lido uma entrevista com o realizador, ou conhecer sua carreira ou mesmo comparecer a um debate sobre o filme, como acontece aqui em TDNT.

Sei que são realizadores iniciantes. Sei que os recursos são poucos. E também sei que acabo parecendo um pouco cruel e superficial detonando o trabalho dos outros assim. Mas também sei que tem muita gente fazendo trabalhos interessantes, com pouco dinheiro e que atingem várias camadas do ‘espectro receptor do cinema nacional’ (para usar um eufemismo típico do universo desses debates).

Porque pode parecer o contrário, mas é muito mais difícil fazer um filme inteligente para uma audiência ampla do que para um público com anos de carreira acadêmica, preparado para achar teorias psicanalíticas na imagem de uma galinha botando ovo. Enfim, ainda faltam cinco filmes na Aurora e assistirei a alguns deles. Quem sabe não corro aqui e conto para vocês que vi nascer o novo Kubrick? Tomara. Por enquanto, é isso.

(Inspirado em parte por “How to hang a Warhol”, do CD do Little Joy, que tenho estudado em TDNT para o show em BH na sexta-feira.)

* O nome completo do filme é “A fuga, a raiva, a bunda, a boca, a calma, a vida da mulher gorila”. Mas há que se ter bom senso. Resumimos.

F de Fatalidade

por Daniel

Fotos: (intrépida) Mariana Marques


Número de acidentes automobilísticos envolvendo Harley Davidson's na 12ª Mostra de cinema de TDNT até o momento: 1.

F de Família Angeli

Bate-bola com César Cabral, diretor do curta “Dossiê Rê Bordosa”

por Daniel

Fotos: Divulgação

Outro bate-bola, agora com César Cabral, diretor do curta “Dossiê Rê Bordosa”. Documentário em animação (antes do hit de Cannes “Valsa com Balshir”) em stop motion, o curta investiga o assassinato da famosa personagem dos quadrinhos Rê Bordosa, cometido pelo seu criador, Angeli, em 1987. O filme foi exibido no primeiro programa de curtas de TDNT na segunda-feira e também recebe o selo “Pílula Pop recomenda” que, assim como barras de ouro, vale mais do que dinheiro.


Rê Bordosa: bandida ou vítima?

Pílula Pop: Quais os reais interesses por trás dessa investigação? Seria você um filho perdido da Rê Bordosa?

César Cabral: Sou um filho perdido mesmo. Lia muito os quadrinhos do Angeli na época, era um dos meus preferidos. Incomodou ele matar o personagem e não explicar muito bem. E foi um exercício legal fazer um documentário desse universo em animação, que é com que eu já trabalho

Você sofreu algum tipo de ameaça ou repressão durante a investigação?

CC: A gente pensou em entrevistar uns delegados, mas eles acharam que tinha muito mais por trás disso tudo que a simples morte de um personagem.

Quem você acha que a Rê Bordosa pegaria em TDNT?

CC: Putz. Não vou citar nomes. É mais fácil falar quem ela não pegaria.

Tem mais algum crime não-resolvido que você pretende investigar?

CC: Estou voltando à animação não-documental. Tem uma animação infantil e estamos estudando a possibilidade de, talvez, fazer uma série para a televisão com os personagens do Angeli. Ta bem no começo, mas o Angeli está muito a fim também.

Você pensou em chamar a Rita Lee [voz da Rê Bordosa no longa “Wood & Stock”] para dublar a personagem no seu curta?

CC: Cogitei. Chegamos a falar com ela, tava quase certo. Mas aí eu conheci o trabalho da Grace Gianoukas na Terça Insana, que é um projeto famoso em São Paulo. E achei que ela tinha a pegada que eu queria para a Rê Bordosa, até pelas personagens doidonas que ela faz no teatro. É algo muito subjetivo. O quadrinho tem isso: cada um lê e imagina uma voz. No “Wood & Stock”, é diferente porque é uma Rê Bordosa morta-viva, que acordou ali no IML. E no “Dossiê”, ela ainda está viva. Mas eu acho genial o resgate desses personagens da década de 80 para uma nova geração.

E, por fim, a pergunta que todos estão se fazendo: qual o significado de rosebud?

CC: O Angeli responderia melhor isso. Mas nem ele sabe explicar direito porque matou. E no filme, o motivo da morte não é o importante. São as questões que ela levanta. Acho que seria algo assim.

F de Fazer (ou não)

Bate-bola com Gilberto Scarpa, diretor do curta “Os filmes que eu não fiz”

por Daniel

Fotos: Divulgação

Bate-bola rápido com Gilberto Scarpa, diretor mineiro do curta “Os filmes que eu não fiz”. Sarcástica, metalinguística e auto-depreciativa, a obra é uma espécie de entrevista de lançamento dos filmes que Scarpa não lançou. Exibido no segundo programa de curtas de TDNT na segunda-feira, o curta tem o selo “Pílula Pop recomenda” que, assim como barras de ouro, vale mais do que dinheiro.


O simpático Gilberto Scarpa mineirando em TDNT.

Pílula Pop: A filmografia dos filmes que você não fez já conta com quantas obras?

Gilberto Scarpa: Bem mais que os cinco que ‘foram feitos’ agora. Deve ter uns 15 ou mais.

Quanto tempo - entre idéia, roteiro e realização – você levou para fazer “Os filmes que eu não fiz”?

GS: Demorou um ano e pouco, com aquela fase toda de captação de recurso... A gente filmou em seis dias. Aí meu montador me deu sete bolos consecutivos, eu desisti dele e montei o filme eu mesmo. Editei em uns dois meses e depois a gente esperou uma captação pra poder finalizar.

Como você conseguiu reunir um elenco com quase todos os grandes atores mineiros?

GS: A Maria do Rosário Caetano na coletiva de imprensa em Recife disse que meu filme era um portfólio dos grandes atores mineiros [risos]. E acho que é verdade. Tem o Nivaldo Pedrosa, que é um talento absoluto, Inês Peixoto, Rogério Falabela, o Adriano Falabela, que é uma figura... E foi tranquilo. Coincidiu de ser uma data em que todos tinham disponibilidade.

Quais os próximos filmes que você pretende não deixar de fazer?

GS: Estou fazendo agora “O filme mais violento do mundo”, outro curta que eu não tinha feito. No elenco, tem o Maurício Tizumba e o André Abujamra fazendo dois produtores de cinema. É um curta metalingüístico também e trata do tipo de filme que é de público e o tipo que não é de público. Em 2010, tenho um projeto de longa, que é o “Até o fim”. É a história de um músico que não tem muito talento, mas vai até o fim, faz uma coisa drástica e tal.

Qual filme você acha que não deveria ter sido feito?

GS: Um punhado. Não sei, isso é bobagem. Todo filme que foi feito...foi feito. Eu saio da sala de cinema quando o filme não está me agradando muito. Já tenho muita experiência desagradável que sou obrigado a fazer na minha vida. Depois, vem o vexame da pessoa me perguntar se eu gostei e ter que falar que não vi até o final...

E qual você gostaria de ter feito?

GS: Uns mil. Um que eu gostaria é o “Drácula de Bram Stoker”, do Coppola. Só de filmar em 70mm, cara... É um filmaço.

F de Fuga

A casa de Sandro, doc, Brasil, 2009, 80 min.

por Daniel

Fotos: Divulgação

Boletim meteorológico: a chuva chegou ontem. Sessão da praça transferida para a tenda. Porém, nada de dilúvios/temporais/catástrofes.


Nada.

Mais da metade do público saiu antes do fim do documentário “A casa de Sandro”, exibido em pré-estréia mundial em TDNT na segunda-feira à noite.

Por que, Daniel?

Porque o filme mostra Sandro vivendo sua vida - na casa de Sandro - comendo, reclamando, pintando, fazendo nada. Nada. Nada. Nada.

Mas o que acontece?

Nada.

Ele não faz algo genial?

Não.

Tem uma doença rara?

Não.

Conta casos engraçados?

Não.

Então um raio cai em cima da cabeça dele no final do filme?

Quisera eu.

A casa de Sandro pega fogo?

Muito menos.

E você ficou até o final disso?

Sim, não podia deixar ele me vencer.

Perdeu duas horas da sua vida?

80 minutos. Que, na verdade, tornam-se uma semana na dimensão paralela do filme, em que o tempo nunca passa.

Mas por que o diretor Gustavo Beck fez esse documentário?

Porque ele pode.

F de Favela

F de filme nº 2

F de filme nº 1

F de Fobia

F de Filas

F de Futilidades

F de Fórum

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