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Mainha, cadê meu kilt?

Whisky Festival – Camera Obscura ao vivo em Recife – Club Nox, 28/05/10

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por Marcela Vieira

Fotos: Rodrigo Édipo e Bruna Roazzi

Ah, a Escócia. Lugar aprazível, cheio de pontos turísticos interessantes e cultura peculiar onde homens usam “saias”, mas enchem a cara de uísque. País de sotaque lindo e bandas boas. Sim, muito boas. Mas não pense que estou me referindo apenas aos igualmente bons Travis e Franz Ferdinand. A Escócia tem muito mais. E é de lá, no auge de seu sucesso no mundinho indie, que veio parar justo em Recife, para felicidade de meus conterrâneos, a fofa Camera Obscura.


Deixa, achei o vestidinho xadrez

Chamados de primos do Belle & Sebastian, os escoceses do Camera Obscura trazem um rock fofo e dançantinho e ao mesmo tempo melancólico; e talvez por isso, tão fascinante, como os compatriotas. E a expectativa por aqui foi grande para os indies, mais chegados à banda, que lotaram a boate Club Nox. Até os hypes e descolês perguntavam: “Camera o que?”. Agora imagine a cena: indies puro sangue num lugar que só vai playboyzinho e paty? Realmente foi bastante interessante ver os playboyzinhos chegarem nos carrões achando que ia rolar bate-estaca a noite toda e dar de cara com o Whisky Festival - que teve edições em São Paulo e no Rio de Janeiro - e um mundo de pessoas que vestem xadrez e usam all star branco. E do jeito que o sucesso está batendo à porta, o Camera já pode se considerar uma das bandas mais famosas da Escócia.

Mas vamos ao que interessa. A abertura da noite ficou por conta do jornalista e DJ Lúcio Ribeiro, que colocou geral pra chacoalhar o esqueleto ao som de Franz Ferdinand, Moby, Arctic Monkeys e Hot Chip, entre outros sons classe A. Quase que pontualmente, a 01h06 da manhã, o Camera Obscura sobe ao palco. E foi aquele alvoroço habitual. Tanto que pode ter assustado um pouco a vocalista Tracyanne Campbell, que só mostrou entusiasmo mesmo na execução de “French Navy”, que aliás, levou todo mundo a cantar junto. Mas Tracy, relaxa, gata. A galera aqui é assim mesmo.


Esfrega-esfrega

Começaram com a belíssima “My Maudlin Career”, e depois deram vez a muitos sucessos conhecidos do público que estava no Club Nox, como a perfeita-pra-dançar “Swans” e a introspectiva “Tears for Affairs”. “The Sweetest Thing”, “Forest and Sands” – que foi de pegar o imaginary boyfriend e dançar coladinho” – e “James”, trataram logo de fazer cair lagriminhas no cantinho dos olhos. Mas aí, quase colocando a casa abaixo, vieram as execuções de “Lloyd, I’m ready to be heartbroken” e a já comentada “French Navy”.

A acústica da casa não ajudou muito, como também o fato das menininhas embriagadas se esfregarem em tudo e em todos, procurando a todo custo um pseudo-ombro pra encostar a cabeça nas musiquinhas tristes. Mas pra chorar ou pra sorrir, bom mesmo foram as quase duas horas de músicas lindas e o clima super escocês, com direito a uísque grátis e tudo o mais, mesmo que lá fora imperasse o calorzinho massa de Recife.

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