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Fim do mundo pontual

“Berço Pop Rock Brasil” - CPM 22, Hateen e Forfun
Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 11/03/06

por Rodrigo Ortega e Braulio Lorentz

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O CPM 22 foi uma boa babá no Berço Pop Rock

"É o fim do mundo!". Com estas palavras, Badauí, vocalista do CPM 22, acionou cerca de seis mil gargantas e doze mil braços. Até as cadeiras mais distantes do palco balançavam, e os playboys esqueceram os beijos forçados para ver a banda tocar, cantando coisas de amor. Parecia que naquele momento ele podia mesmo fazer o mundo acabar. O CPM 22 foi o dono da festa com maior número e ânimo de presentes já visto pelo Pílula Pop no Chevrolet Hall, o “Berço Pop Rock Brasil”. A festa ainda contou com as bandas Hateen e Forfun. Badauí era dono do tempo também, tanto que inverteu a ordem cronológica das coisas. “Ontem” veio antes de “Anteontem”. Ao menos no setlist da banda, isso aconteceu.

Quando pisamos na pista do Chevrolet Hall, o que se ouvia era as seis mil pessoas cantando um mesmo refrão. Era o finalzinho da apresentação dos cariocas do Forfun. Isso que dá pensar que a falta de pontualidade bate cartão em todos os eventos. No caso do “Berço Pop Rock Brasil”, quando se fala que o show é por volta das oito da noite, é porque o show é por volta das oito da noite. Pelo menos deu tempo de ver a Teoria Dinâmica Gastativa dos cariocas funcionar na prática.

Dois Pop Rocks

O Pop Rock Brasil tem 20 e poucos anos e nós também. Mas a moçada que compareceu nesta prévia do festival tinha em média 18. Detalhe: neste ano a cidade vai ter dois festivais Pop Rock, produzidos pelas rádios Mix FM, no estádio Independência, e 98 FM, no Mineirão. Por isso a cada intervalo o locutor da 98, que já perdeu grandes atrações para a Mix e por isso procura novidades neste berço, puxava dos jovens um “Aha, uhu, o Mineirão é nosso”.

Uma mãe fazia cara de impaciente ao ouvir a filha berrar: “Ai, mas ele é o mais lindo! E tirou foto comigo, não acredito!”. Nas mãos, a menina de menos de um metro e meio tinha uma câmera digital. No visor, estava a imagem da tal garota com os integrantes do Forfun. Bem perto dali, três garotas recebiam da mãe os refrigerantes que ela fora buscar, provavelmente para que as filhotas não perdessem nem um segundinho do show.


Badauí no seu aniversário de 30 anos

“Hateen, Hateen”

Sem proporcionar a mesma empolgação do Forfun, o Hateen arrancou aplausos das mãos e palavras (em inglês e português) da boca da platéia. A banda sofreu com a falta de repertório. O novo disco ainda não chegou nas prateleiras. Resultado: a maior parte do público só sabia "1997”. Para driblar a indiferença, o vocalista e guitarrista Koala andou bem perto das grades, enquanto sua banda estava no palco. O momento que beirou a peninha foi quando Koala puxou, da própria garganta, os gritos de “Hateen, Hateen”. Pelo menos desta vez a banda contou com o baterista Japinha e o baixista Fernandinho. No show anterior em BH o Hateen tocou sem os dois.

“Hoje é um dia muito importante pra mim. Daqui a pouco completo 30 anos. Quero completar 50 neste mesmo palco”, disse Badauí, perto do fim do show. Se bem que essas não foram exatamente as palavras do vocalista do CPM 22. Sou um jornalista que se lembra apenas 46% das falas dos envolvidos na matéria. Diferente de Capote que afirma guardar 94% das conversas.


Koala: como band leader, ele é um bom compositor

Regina bate Hey Ho

Apesar de ter tocado no dia anterior no Festival Planeta Altântida, em Porto Alegre, e ido direto de BH para São Paulo, local do show do dia seguinte, o CPM não pareceu cansado. Hits como “O mundo dá voltas” e “Não sei viver sem ter você” provocavam vários moshs por metro quadrado. Para se ter uma idéia, os shows de Strokes ou Weezer, ambos acompanhados pelo Pílula em 2005, eram fichinha perto da explosão dos meninos e meninas que lotaram o Chevrolet Hall.

A maior parte das músicas do show foi do disco mais recente, Felicidade Instantânea, como “Irreversível”, “Cidade em Chamas” e “Apostas e certezas”. Koala cantou junto no grand-finale de “Um minuto para o fim do mundo”. Essa é uma das muitas faixas que o sujeito que sempre usa boné deu de presente pro CPM. Também no bis, eles lançaram mão da tradicional cover de Ramones para incendiar o público. Não precisava. "The KKK took my baby away" foi uma das músicas menos animadas do set. Parece que os hardcore kids abandonaram a obsessão pelos chavões ramônicos. O “Let’s go” cairia melhor introduzido por “Regina” do que pelo desgastado “Hey ho”.

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