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Pete faz falta, e eu fui lá pra comprovar isso

Libertines ao vivo

por Braulio Lorentz

Fotos: Marcelo Forlani

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Hype à parte, se é que isso é possível, o Libertines fez o que se esperava dele. Tocaram as canções que costumam tocar, as groupies deram os gritos que costumam dar. O quarteto londrino completou a lista de tarefas: deixaram de nariz torcido os demonizadores do hype. Pete Doherty, guitarrista da formação original e compositor das músicas em parceria com Carl Barât, não viajou com a banda para o Brasil. Os três integrantes menos chapados do Libertines chegaram ao consenso de que o chapado-mor só poderia voltar à trupe se desse um "fa-lou" para suas dependências químicas.


Carl Barât: mais comportado que de costume

Dos gritos de "Ei, Supla, vai tomar no cu", minutos antes da entrada do Libertines, aos gritos finais na pulsante "I get along", muita coisa aconteceu. Supla? Cu? Explico: Supla foi visto pela platéia. Xingado com a frase transcrita acima, foi tirar satisfações. "Serra, serra, serra", berraram. Provocações para o deleite de fotógrafos risonhos, da platéia e do próprio Supla. Até um dos roadies deixou o trabalho de lado para ver o que estava acontecendo. Depois da ceninha e do fim do trabalho dos roadies, apareceram os libertinos, anunciados como “a atual sensação do rock inglês” e com rumor de transmissão completa do show pela Rede Globo.

Barât e Anthony Rossamondo, que substituía Doherty, usam cigarrinho na guitarra, provando que passaram pela "escola Keith Richards de guitarristas bebuns". O baixista John Hassa, por outro lado, não tem guitarra, não tem cigarrinho e quase não se mexe. Contido nas atitudes e manco no backing vocal: um dos muitos motivos para sentirmos falta do barrado Pete.

Canções aglutinantes como "Boys in the band", "Time for heroes" e "Death on the stairs" confirmaram a competência ao vivo da banda. Destaque ainda para "Vertigo", mais uma do álbum de estréia (Up the Brackets, 2002), que teve quase todas as músicas tocadas. Do mais recente disco, "Can´t stand me now", "Last Post in a Bugle" e "What became of the Likely Lads" deram conta do recado.


John Hassall: às vezes ele até se mexe

"Music when the light goes out", a balada junk mais bela da estação, passou longe do setlist. Eles não gostam de baladas, dentre as outras canções só "Good old days" ficou incubida de quebrar o ritmo. O sambinha de gringo puxado pelo baterista Gary Powell, com direito a apito e paradinhas, não comoveu, tampouco constrangeu. O que mais incomodou mesmo foi a falta que um integrante pode fazer em uma banda.

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