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A vergonha e os Patos

Sempre um Papo com Pato Fu, Belo Horizonte, 27/07/05

por por Rodrigo Ortega

Fotos: notaindependente.com.br

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Vergonha-alheia S.f. 1. Sentimento de intenso desconforto provocado por algum ato, atitude, palavra, etc., ridículo ou com pouca noção, de uma outra pessoa. 2. Incorporação por um observador de todos os escrúpulos que faltam a determinado cidadão que sofre humilhação pública achando que está fazendo bonito. (POP, Pílula 2005)


Da esq.: Koctus, John, Xande e Fernanda

Foi o sentimento predominante entre jornalistas e fãs que participaram do projeto “Sempre um Papo” com os integrantes do Pato Fu, dia 27 de julho, no auditório da Cemig, em Belo Horizonte. Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Lunardi e Xande Tamietti responderam com simpatia muitas perguntas estranhas e comentários desnecessários de pessoas sem noção. Conseguiram falar sobre o disco novo, Toda cura para todo mal; a filhinha de Fernanda e John, Nina; gravadoras e preços. Também mostraram parte do DVD que será lançado com clipes de todas as faixas do novo álbum.

Dois sujeitos foram ao microfone dizer que estudaram com algum dos integrantes. Outro perguntou qual era o “mal” no título do disco, esperando uma resposta filosófica. Após o choque geral de vergonha-alheia no público, eles não perderam o bom-humor e mostraram a despretensão do título. Até a mediadora do evento resolveu dar uma de espertona e perguntou sobre as “críticas à juventude” na faixa “Estudar pra quê?”. John explicou que a canção é uma crônica sem julgamentos sobre a geração Internet.

Quando possível, falaram sobre o álbum que estão lançando. “A Fernanda se dedicou totalmente nos últimos meses a cuidar da Nina, nossa filha, por isso quase todas as composições são minhas”, explicou John. Falaram sobre a saída da BMG e contaram, pela primeira vez, que fechariam com a Warner se Tom Capone, que seria o produtor, não morresse em setembro de 2004. Então decidiram fazer sozinhos, com produção de John, e lançaram pela Sony.

A parte mais legal do encontro foi a exibição de sete vídeos de animação que vão estar no DVD de Toda cura para todo mal. “Chamamos diretores novos, com verbas pequenas, mas liberdade total de criação. Não exigimos nada deles. Alguns nem vimos ainda, assistiremos pela primeira vez agora”, disse Fernanda. Além de “Uh uh uh, lá lá lá, ié ié”, com desenhos de Laerte, que já passa na MTV, vários outros ficaram bacanas, como “O que é isso?”, de Conrado Almada, que já dirigiu “Não Mais”, em 2003.

A entrevista aconteceu uma semana antes da estréia da nova turnê em BH, com o salgado preço de R$ 25 a meia-entrada. Com tolerância mil, eles responderam às reclamações do público, explicando que os músicos não decidem o valor do ingresso, mas “o pessoal do escritório sempre recebe minhas ligações reclamando dos preços”, contou Fernanda. O preço do disco, segundo eles, em algumas lojas, está mais caro do que o valor sugerido pela banda de R$ 20. “Como produzimos por conta própria, pudemos diminuir o preço final”, disse John. Não são legais esses caras?

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