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10 maneiras de ser um cineasta-autor segundo Beto Brant

Coletiva - Sábado, 20/01

por Daniel Oliveira

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1- Trabalhe, preferencialmente, com o mesmo roteirista: Segundo Marçal Aquino (o nome por trás dos roteiros de O invasor, Ação entre Amigos, Crime Delicado, O cheiro do ralo, entre outros), o que existe entre Beto Brant e ele, “não é parceria. É um diálogo. É amizade. É vida”. Os dois já trabalham juntos há 15 anos e Brant se apóia nele até nas horas de verificar uma palavra de dicção difícil na entrevista, como prognosticou. Foi também Aquino quem apresentou o diretor a Daniel Galera, autor do livro em que se baseia o próximo filme da dupla, “Cão sem dono”.

2- Se possível, realize a idéia do roteirista antes mesmo dele conseguir: Aliás, Aquino afirma que “não sou roteirista. Sou escritor. Só sou roteirista porque o Brant quer”. Em “Ação entre amigos” e “O invasor”, o escritor trabalhava em seu livro quando o cineasta decidiu rodar os filmes. Resultado: o roteiro ficou pronto primeiro e Aquino não viu mais sentido em fazer o livro. “É um processo muito doloroso e não quero que aconteça de novo”, confessa o escritor. Ouviu, Brant?

3- Defenda a autoria, mesmo fora do audiovisual: “Que legal, nunca tinha visto tanto repórter interessado assim. Normalmente, os jornais pegam tudo de Agência [de Notícias], né?”. Foi assim que Brant deu início a sua coletiva. Um jornalista pergunta quando Paulo Miklos vai chegar. “Ah, entendi”, brochou Brant.

4- Tenha atitude: Brant reclamou abertamente, no debate da manhã de sábado, do “espetáculo do poder” a que foi submetido na abertura da Mostra. “Ficar sentado três horas com políticos não é a minha”, disparou. Conclamou Tiradentes como um “homem valente da nossa história” (nem tanto, Brant). Defendeu uma mostra “de rua, de debates e oficinas”. E se declarou entusiasta da equipe do Ministério da Cultura de Gilberto Gil, e das propostas do Secretário do Audiovisual, Orlando Senna.


Marçal Aquino, Beto Brant, Renato Ciasca (produtor) e Paulo Miklos

5- Ganhe prêmios: “O invasor” saiu vitorioso dos Festivais de Brasília, Recife e Sundance. Foi escolhido um dos três filmes da década, segundo os 40 jornalistas selecionados pela Mostra para apontar os melhores da retomada do cinema brasileiro. Por sua vez, Beto Brant foi eleito o melhor diretor da década. E quando perguntado sobre quantos prêmios seus filmes já haviam ganhado, responde sem receio que “olha, já não sei mais, não”.

6- Seja direto e um tanto quanto enigmático: Jornalista: E sobre o quê é a história em que se baseia “Cão sem dono”? Beto: “Não sei, tá no livro, lê.” Aquino amacia: “é sobre um casal que se encontra, perde-se e se encontra de novo. É uma história de amor, um filme sobre gerações”.

7- Não caia no pecado da falsa modéstia: “Eu gosto de todos os filmes que fiz. São retratos exatos da época em que foram feitos e eu reconheço cada detalhe deles. Não mudaria nada. Não sou de vê-los muitas vezes, mas ontem, quando vi a primeira parte d’O invasor”, não agüentei e fiquei até o final”;

8- Não “tire o corpo fora no melhor da festa”: “Não trabalho com preparação de atores (externa). Sou muito cuidadoso com meus filmes, dedico-me muito a cada detalhe deles, desde a pré-produção até as filmagens e edição. Deixar a direção de atores com outra pessoa seria tirar o corpo fora no melhor da festa”. Paulo Miklos, ao lado do diretor assina embaixo: “nunca tinha atuado antes, então tive que encarar ‘O invasor’ como um grande videoclipe. Confiei minha atuação totalmente no Beto”.

9- Tem reconhecimento e simpatia? Arrisque-os: Desde sua estréia em longa-metragem com “Os matadores”, Brant tem sido um queridinho da crítica e da imprensa em geral. “Na época em que estava preparando ‘Crime delicado’, alguns amigos chegavam pra mim e diziam que eu tava louco de arriscar essa boa relação que eu tinha com a crítica, fazendo um filme exatamente sobre ela”. Brant seguiu em frente e o que ele viu foram reações “muito emocionadas. Muitas pessoas tocadas mesmo pelo filme vieram conversar comigo. Fiquei muito satisfeito”.

10- Abrace as novas tecnologias: O produtor Renato Ciasca, outro parceiro de Brant, afirma que vive recebendo ligações de gente do país inteiro pedindo DVD’s d’O invasor” para exibições em cineclubes, universidades e afins. Só que a última tiragem acabou e a distribuidora não quer fazer mais por medo de não valer a pena (a tiragem mínima é de 1.000 unidades). “Então a gente manda um DVD pro cara e manda ele copiar para os amigos, ou a gente mesmo faz cópias e envia”, dispara Ciasca. “O objetivo maior de qualquer artista é ser visto, atingir o público. A qualidade do digital, as iniciativas governamentais e novas mídias como o Youtube e o celular possibilitam que muita gente tenha acesso e produza seu material”. Mas e para Brant, como ficam a questão dos direitos autorais? “O músico pode se sustentar fazendo show, né? Com o audiovisual ainda não sei como vai ser”. Essa, realmente, não parece ser a preocupação de Beto Brant.




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