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Não é que choveu

por Daniel Oliveira

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É que o céu caiu no domingo, em Tiradentes. Seriam os hormônios adolescentes da mostra se manifestando meteorologicamente? Foi na metade do documentário “Fabricando Tom Zé”. Enquanto alguns olhos desviavam da tela para o pano da tenda, com medo de que o vento forçasse uma queda, o artista baiano desfilava pela película, no famoso documentário-fã, que se deslumbra com a “genialidade não-reconhecida do ídolo”. Se perde como cinema, ganha pelo personagem inegavelmente interessante que é Tom Zé.

A chuva continuou e, como já é de praxe no festival, o longa da praça foi exibido na tenda, levando as sessões até 1h30 da manhã. “Hércules 56” é um documento histórico sobre o seqüestro já exibido no cinema em “O que é isso, companheiro?”. O diretor Silvio Da-rin reúne todos os personagens vivos desse marco da Ditadura militar em um longa que se empolga demais em algumas cenas que poderiam ser menores, mas mantém o interesse ao conseguir que esses personagens assumam as falhas de suas ações e a fragmentação que comprometeu a luta contra o governo militar.

Com isso, “Matadores” de Beto Brant encontrou uma tenda semi-cheia, o que é pouco para um domingo da Mostra. O curta “Jó”, que estava prometido antes do longa, não foi exibido por problemas técnicos, e a homenagem ao diretor da década Beto Brant, mesmo que merecida, terminou com um gosto agridoce. Os bate-papos com as equipes presentes de “Querô” e “O cheiro do ralo”, pela manhã, foram insanamente divertidas (graças, em grande parte, ao personagem Lourenço Mutarelli) – em um domingo que, se não foi tão animador quanto o sábado, deixou abertas as portas para o que, espero eu, seja uma boa seleção de curtas neste ano. T+.




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