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Lançamento quebradeira: a Unimed paga

Pato Fu ao vivo

por Daniel Oliveira e Pablo Moreno

Fotos: Pablo Moreno / Divulgação

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Domingão, início de férias escolares, sete e meia da noite. Lá estávamos nós, em meio a um mar de estudantes de 15-17 anos prontos para curtir a valer. Para eles, seria perfeito se fosse um show do CPM 22. Mas era o lançamento do CD novo do Pato Fu, Toda Cura Para Todo Mal.

Entramos. Uma estranha “área vip” era oferecida por uma rádio da capital. Um pedaço da arena, separado por um cordão de isolamento meia-boca. Não fazia muito sentido, especialmente porque eles vestiam camisas do Biquíni Cavadão. E não me peça para explicar.

Sem muito atraso, o show começa às 20h. Não era bem a matinê da música do Franz Ferdinand, mas... Bem, o show. Logo de cara, uma barulheira traz aos palcos John Ulhôa (guitarra, programações e vocais), Ricardo Koctus (baixo e vocais), Xande Tamietti (bateria e percussão) e Lulu Camargo (Teclado e programações). O som estranho aos poucos ganha forma e indicam a execução de “Estudar pra quê?”, uma das músicas mais raivosas de Toda Cura Para Todo Mal. Uma pena poucas pessoas conhecerem a faixa. Seria irônico ver em coro aquela massa de jovens a berrar “ESTUDAR PRA QUÊ?”.


A mãe Fernanda Takai

Para a segunda música, Fernanda Takai entra com seu modelito 2005: vestidinho rosa rodado by Ronaldo Fraga (terminado às pressas, minutos antes do show, segundo a própria cantora). Mais mãe, impossível. “Anormal” empolga a supracitada área VIP (???) com sua doçura pop.

Depois de tanto tempo afastado dos grandes palcos, a banda exibia uma empolgação contagiante. Um meio termo entre as baladas radiofônicas que começam a irritar os fãs e os experimentos do início de carreira espalhados em doses bem distribuídas pelo CD novo caracterizaram o show. O resgate de velharias como a espevitada “Gol de quem?” (faixa título do segundo CD) levou ao delírio os fãs, que cantaram e pularam como loucos relembrando os anos 90.

Oito músicas novas (e um trecho da divertida “!”) deixam os olhos dos fãs brilhando, enquanto percebem cada peculiaridade das canções ao vivo. Misturadas a outras, como “Perdendo dentes”, “Antes que seja tarde”, “Depois” e uma nova versão que deu uma sobrevida à desgastada “Capetão 66.6 FM” o show ia em frente.

Uma das especialidades do Pato Fu são as brincadeiras cênicas de seus shows. Dessa vez, um macabro bonequinho de astronauta aparece para cantar a nova faixa “Simplicidade”. “Vou sonhar com esse bonequinho à noite, com certeza”, penso.


Da esq.: Koctus, Lulu Camargo, Fernanda Takai, John e Xande

Antes do BIS oficial, Fernanda Takai deseja ao inocentado Michael Jackson sorte para voltar a fazer coisas boas. Então, ecoa através do ótimo (sic) sistema de áudio do Chevrolet Hall “Uh Uh Uh, Lá Lá Lá, Ié Ié!”. Com uma capacidade para fazer sucesso com canções improváveis, toda a platéia soltou o esqueleto, cantou em coro com voz fininha e bateu palminhas em ritmo dos anos 70. Confesso ter ficado surpreso com a qualidade da canção ao vivo. Não imaginei que fosse funcionar tão bem.

Literalmente em casa, os integrantes fazem piadinhas e contam “causos”. John conta sobre os projetos desenvolvidos durante as férias dos patos: “O que eu fiz de mais importante foi o CD novo do Arnaldo Baptista...”. “Como assim, e a Nina?”, eu pergunto. “Depois ela cresce e vira punk e eles não sabem por quê...”, um amigo completa ao meu lado.

Bem mais rock que na turnê do álbum MTV ao vivo, o Pato Fu está de volta à estrada. A presença de algumas músicas (“Eu”, “Deus”, “O filho predileto do Rajneesh”) acrescidas do som do teclado “humano” - e não mais executado pela parafernália eletrônica que o Pato Fu mantém no palco - justificam essa afirmação. Alguns adolescentes se divertem ao meu lado em uma tradicional roda de pogo. “Nossa, então o show foi quebradeira!”, você me diria. Uhn... Nem tanto... Talvez a maior surpresa do show, “O processo de criação vai de 10 até 100 mil”, responda esse questionamento. Se esses meninos se machucarem no pogo, “a Unimed é que vai pagar”. Nada como um show de rock para o público Chevrolet Hall. Quebradeira, pogo, rebeldia, experimentalismo e anarquia sob controle. Assim como o novo som do Pato Fu. “Ah, se o show fosse em um sábado, no Lapa, às 23h...”, um de nós sonhava após o show...

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