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Enganação infantil

27.08.09

por Renné França

A pedra mágica

(Shorts, EUA/Emirados Árabes, 2009)

Dir.: Robert Rodriguez
Elenco: Jimmy Bennett, Jake Short, Kat Dennings, Trevor Gagnon, Rebel Rodriguez, Leslie Mann, Jon Cryer, William H. Macy, James Spader

Princípio Ativo:
o humor da série

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Robert Rodriguez tem cinco filhos. E isso explica bastante o que é “A Pedra Mágica”. A aventura infantil coloca o máximo de cores e ação para prender a atenção da criançada, mas não vai além de ser uma babá eletrônica de luxo. O diretor coloca seu estilo de exageros e absurdos à disposição do cinema infantil, como já havia feito na série “Pequenos Espiões” e em “As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl”. Como neste último, a história original é de um de seus filhos, Rebel Rodriguez , que interpreta o coadjuvante Mala.

Mas a criatividade infantil para situações impossíveis não funciona exatamente por causa da tal pedra do título. Toe Tompson é o garoto saco de pancadas que encontra uma pedra com as cores do arco-íris que realiza os desejos de qualquer um que a segurar. O artefato torna-se uma desculpa para situações de humor físico, efeitos especiais de segunda e lições de moral.

O problema de um objeto tão poderoso em cena é que todas as situações geradas por ele poderiam ser resolvidas com uma facilidade muito maior do que aparece na tela. A própria existência da pedra mágica que realiza qualquer desejo desmente todo o filme, pois não dá nenhuma sustentação narrativa para o que acontece na história. O que se vê são situações que seriam divertidas, mas que não emocionam porque ficamos o tempo todo nos perguntando o quanto aquelas crianças são estúpidas para não perceberem que basta fazer um pedido para que tudo se resolva.

Só que, nesse caso, o filme teria dez minutos de duração e não valeria o preço de um ingresso. Rodriguez percebe essa dificuldade de sustentação da história por mais tempo, dividindo a produção em uma série de episódios, na tentativa de contar as aventuras com a pedra em pequenos esquetes cômicos, como os desenhos animados que passam na TV todas as manhãs. Esse aspecto cartunesco, inclusive, é o que de melhor “A Pedra Mágica” oferece, abraçando a estética desse tipo de produção e todos os estereótipos de gangues infantis formadas por personagens unidimensionais. Mas a escolha de contar sua história de maneira não linear não possui função narrativa, além de poder dificultar o entendimento da trama pelo público alvo.

Enquanto o elenco adulto formado por James Spader, William H. Macy e Jon Cryer parece se divertir bastante, as crianças não convencem em atuações careteiras que acabam cansando. Rodriguez é um dos diretores mais criativos da atualidade, mas a originalidade pela originalidade não se traduz em bons produtos. No caso de “A Pedra Mágica”, a cacofonia de cores, sons e exageros não substitui a diversão de uma aventura bem contada.

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