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A fazenda de pedra

06.09.09

por Daniel Oliveira

Quanto dura o amor?

(Brasil, 2009)

Dir.: Roberto Moreira
Elenco: Sílvia Lourenço, Maria Clara Spinelli, Danni Carlos, Fábio Herford, Paulinho Vilhena, Leilah Moreno, Gustavo Machado, Aílton Graça

Princípio Ativo:
representações banais

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Sabe o que é pior que ouvir uma versão “Emerson Nogueira” de Danni Carlos para High and dry, do Radiohead?

É ter que ouvir isso em um filme.

E sabe o que é pior ainda?

Ter que ouvir isso em um filme ruim.

A trilha sonora equivocada de versões voz e violão na voz da cantora (sic) (que não melhora nem um pouco com os teclados novelescos/supercinescos de Lívio Tragtenberg) é só um dos problemas de “Quanto dura o amor?”. Segundo longa do diretor Roberto Moreira depois da excepcional estreia em “Contra todos”, o filme é uma decepção de várias histórias mal desenvolvidas que, editadas num produto só, resultam num festival de clichês gratuitos e mensagens banais.

A trama começa com Marina (Lourenço, co-autora do argumento), interiorana que chega em São Paulo para tentar a carreira de atriz. Ela vai morar com Suzana (Spinelli), uma advogada certinha, num apartamento na Paulista. Em pouco(íssimo) tempo, Marina já está deslumbrada com o cosmopolitismo da cidade, namorando uma cantora de bar, Justine (Carlos, numa espécie de Courteney Love ainda mais FAIL), e dando um pé na bunda do ex do interioRRR. No mesmo prédio mora Jay (Herford), escritor medíocre e solitário apaixonado por uma prostituta (Moreno).

O eixo do roteiro de Moreira e Anna Muylaert (Durval Discos) é o contraponto entre a certinha Suzana e a liberal Marina – e as expectativas geradas por essas aparências. Agora, se você me perguntar o que o escritor faz ali, sinceramente não sei. Parece que ele foi colocado simplesmente para encher mais de uma hora de longa e sua história sempre incomoda, interrompendo as tramas das duas protagonistas.

Mas o que mais impressiona – negativamente – é como o diretor de “Contra todos”, um filme que surpreendia com escolhas difíceis e inesperadas, e o desse “Quanto dura o amor” podem ser o mesmo. Da cantora de bar lésbica à atriz sonhadora, passando pelo escritor fracassado e a advogada reprimida, o filme é um festival de representações banais e contrapontos óbvios que vão contra tudo (trocadilho involuntário) que o longa anterior era. Os únicos méritos do cineasta estão na boa direção de elenco e no retrato apaixonado e realista da selva de concreto da Paulista.

Lá pelas tantas, os arquétipos/estereótipos são subvertidos e parece que Moreira gostaria de sair detrás da câmera e gritar “Te peguei!”, à la Mallandro. Só que é tarde demais. Remete, na verdade, àqueles curtas-pegadinha com uma grande “sacada” final tentando compensar por todo o restante fraco. É a matemática desse “Quanto dura o amor?”: três curtas que poderiam até ser bons, mas que somados resultam num longa ruim.

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Era isso ou Danni Carlos de cabelo azul, galera, me ajuda aí...

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