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Muita guitarra e pouca ousadia

31.05.05

por Pablo Moreno

Garbage - Bleed Like Me

(Warner, 2005)

Top 3: “Right between the eyes”, “Why do you love me?”, “Bleed like me”

Princípio Ativo:
Guitarras, muitas guitarras. Guitarras até em excesso

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Chegou o novo CD do Garbage, o quarto álbum da banda e o primeiro depois do fracassado Beautiful, de 2001. O quarteto inglês pisou na bola em sua volta às prateleiras: talvez porque o nascimento do disco foi marcado por um processo de gravação conturbado, com brigas e caminhões (!) se chocando contra a parede do estúdio.

Logo na primeira faixa, Butch Vig cede seu banquinho e baquetas para um multifacetado superstar assumir a bateria em “Bad boyfriend”. Dave Grohl empresta seus braços e pernas, mas o resultado não empolga, falta algo.

A segunda canção poderia muito bem ocupar o lugar da primeira. “Run, baby, run” é um típico hit. O refrão pegajoso, conduzido por guitarras e vocais em plena sintonia, mostra que o Garbage ainda tem sangue circulando nas veias. A impressão que se tem é de que o álbum começa nesse instante.

Então, “Bleed like me” parece fazer a coisa toda engrenar. As guitarras ganham ritmos dançantes, Shirley Manson soa mais empolgada e o ouvinte já pode até ensaiar alguns pulinhos. A seqüência animadinha se estende por “Right between the eyes” e “Why do you love me?”.

Um dos talentos do Garbage está na produção de baladas. É assim na faixa-título. Um clima intimista, batidinhas eletrônicas e sobreposições de vocais compõem uma atmosfera sensual que permite à vocalista ruiva perguntar: “Hey baby, can you bleed like me?/ And try to comprehend that which you´ll never comprehend” (Você pode sangrar como eu?/ E tentar entender que você nunca vai entender).

Depois da pausa, o clima animadinho tenta voltar aos poucos. “Metal heart” alterna riffs pesados com interlúdios que indicam a hora certa para pular freneticamente. “Sex is not the enemy” traz gemidos no início, título sugestivo e uma revolução cantada pela provocante Manson, com direito a múltiplas interpretações na letra. Eu, que tenho a mente poluidíssima, pensei nas maiores barbaridades, que sequer cabem neste espaço. Ah! O arranjo? É ótimo. Totalmente convidativo. A dançar, é claro.

“Boys wanna fight” tem potencial, porém, a essa altura, o disco já apresenta sinais de desgaste e a canção soa como uma interminável fila de espera.

Em resumo, com Bleed like me o Garbage ousou pouco. Ainda assim, produziu boas canções, embora mal distribuídas no álbum. Os elementos eletrônicos são racionados e o disco é bom, mas poderia ser mais bem trabalhado. A falta de ousadia faz com que a audição seja cansativa e monótona.

A provocante Manson e seus companheiros pisaram na bola

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