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Nação Zumbi

29.01.10

por Daniel Oliveira

Zumbilândia

(Zombieland, EUA, 2009)

Dir.: Ruben Fleischer
Elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin, Bill Murray, Amber Heard

Princípio Ativo:
sumbis

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Vampiros podem ser sexy, charmosos e – atualmente – milionários. E podem até ser o novo preto. Mas zumbis são imprevisíveis, absurdos e engraçados. Enquanto Chris Martin poderia ser um vampiro, Pete Doherty seria um zumbi. E é por isso que, quando bem feitos, filmes de zumbi são muito mais cool.

Está aí “Zumbilândia” que não me deixa mentir. Cinco minutos da sua mistura de gags bem escritas com um elenco perfeito em seus papéis e uma boa direção são mais divertidos que qualquer uma das produções com caninos alongados feitas recentemente.

Jesse Eisenberg faz mais uma vez o loser-charmoso-mas-não-tão-loser-e-mais-charmoso-que-o-Michael-Cera Columbus, que sobrevive em um futuro próximo dominado por zumbis graças a uma série de regras criadas por ele mesmo. Seu parceiro é Tallahassee, o exterminador/semi-psicopata/bicho-grilo/crianção interpretado, claro, por Woody Harrelson. Na busca por um oásis no meio do deserto georgeromeriano, os dois passam metade do filme levando olés de Wichita, a sexy-engraçadinha-espertinha-seduz-e-sacaneia-garotos-tipo-a-Lily-Allen Emma Stone, e sua irmã, Little Miss Sunshine Rock, uma Abigail Breslin ainda-fofa-mas-que-sabe-usar-uma-arma-crescendo-e-aprendendo-as-agruras-do-mundo-cinematográfico-adulto.

Brincar com os alter-egos de seus atores é uma das boas sacadas de “Zumbilândia”, assim como não revelar os nomes dos personagens (que são identificados pela sua cidade de origem) e “piscar” as regras de Columbus durante sua aplicação. Os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick adaptam o humor metalinguístico de “Todo mundo quase morto” para um produto mais hollywoodiano. A acidez britânica é trocada por referências à cultura pop – que vão de pilotos da Nascar a “Caça-fantasmas” - e a gêneros, como o road movie e o romance entre o loser e a gostosa, que são coloridos pelo sangue e temperados pela violência nonsense dos zumbis.

Com um elenco bem escalado e um bom roteiro, o diretor Ruben Fleischer não tem muito trabalho em sua estreia, a não ser na sequência final. A locação clichê (parque de diversões? sério?) e a série de inconsistências lógicas são salvas por sua edição ágil, que ludibria o espectador com o ritmo da ação. Para isso, ele conta com uma ótima trilha musical, que ainda estabelece o tom dos personagens, como numa das primeiras cenas de Wichita e Little Rock, em que elas escutam Gold Guns Girls do Metric no carro roubado.

O resultado disso tudo é hilário e rende uma das sequências/piadas mais surreais desde Mike Tyson em “Se beber, não case”. Você me transformaria num zumbi se eu a estragasse, então só vou revelar que ela envolve Bill Murray. E dizer isso é dizer tudo: Bill Murray está para zumbis assim como Rob Pattinson está para vampiros. Precisa de mais o que?

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Não fui eu, dedos!

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