Busca

»»

Cadastro



»» enviar

E agora?

16.07.05

por Rodrigo Ortega

The Tears - Here Come The Tears

(Independiente - importado, 2005)

Top 3: “Refugees", "Autograph", "Lovers”.

Princípio Ativo:
Drama

receite essa matéria para um amigo

Bernard Butler e Brett Anderson figuraram em capas de semanários musicais ingleses antes mesmo de gravarem o primeiro disco. Eram, respectivamente, guitarrista e vocalista do Suede. Viveram a glória, antes de serem atropelados por Oasis, Blur e novas bandas que ganham capas antes de gravarem o primeiro disco. Tiveram sucessos, a maioria sem Butler, que saiu em 1993. Depois que o hype passou, a festa acabou e a luz apagou, se reencontraram para perguntar: “e agora?”. Abraçaram o próprio drama e montaram os Tears, que estréia este ano com Here come the Tears.

O lixo no vento e os amantes nas ruas ainda são os temas preferidos da dupla. O romantismo de Morrissey e Johnny Marr, dos Smiths, e o glam rock de David Bowie são as maiores referências do som. O primeiro single, lançado antes do disco, é “Refugee”, bela e dramática. “Como Bonnie e Clyde nós somos livres / Não diga que não há nada entre nós”, canta Anderson, acompanhado por Butler, Nathan Fisher (baixo), Makoto Sakamoto (bateria) e Will Foster (teclado).

“Lovers”, segunda música de trabalho, é a mais alegre e maior candidata a hit, com direito a lalalás e pandeirinho tipo Liam Gallagher. Periga até repetir a proeza de “Beautiful Ones”, do terceiro disco do Suede, Coming Up (1997), que chegou a passar no Top 20 da MTV Brasil nos tempos de Sabrina Parlatore.

Mas as baladas dominam Here come the Tears. Em “Ghost of you” eles pegam pesado na lamentação, justificando as lágrimas do nome: “Eu acordo pela manhã / e tento ser forte / Mas é difícil seguir em frente / quando o seu fantasma permanece aqui”. “A love as strong as death”, é igualmente dramática e mais bonita, encerrando o disco com belos arranjos de sopros e cordas.

Bernard Butler manda bem tanto nos dedilhados de baladas como “The Asylum”, que lembra o Verve, quanto nos riffs mais animados de “Brave new Century” e da ótima “Autograph”, também candidata a hit.

As histórias de amor nas letras não devem ser frutos da imaginação de Brett Anderson. Dizem que sua relação com Justine Frischmann, vocalista do Elastica, foi o motivo da famosa separação da moça com Damon Albarn, que resultou no choroso disco 13, do Blur. Não sei se o caso é verdadeiro, mas espero que estes romances e brigas continuem rendendo músicas bonitas como em Here come the Tears.

Da esq., à frente: Bernard Butler e Brett Anderson

» leia/escreva comentários (0)