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Longe da nossa TV

01.07.05

por Braulio Lorentz

Shakira - Fijacion Oral Vol. 1

(SonyBMG, 2005)

Top 3: “En Tus Pupilas”, “Escondite Ingles” e “Dia de enero”.

Princípio Ativo:
Vocal marcante

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Para os artistas que cantam em espanhol, estar no Brasil é sinônimo de começo de carreira. Na pior das hipóteses, pode também indicar o de fim de carreira. Veja só. Quando Rick Martin colocou seus dois pés nas paradas norte-americanas, passou a ignorar as trilhas de novela, os programas de auditório e outros compromissos promocionais do mercado fonográfico brasileiro. É só ficar na pindaíba que o ex-Menudo volta para abanar o rabinho e até dançar ao som da musiquinha da C&A.

Caso semelhante viveu Shakira. No meio da década passada, nos tempos em que era apenas uma cantora pop de segundo escalão, Shakira era arroz de festa em nossa telinha. Riu com Serginho Groismman, ouviu Faustão dizer “Quem sabe faz ao vivo” e requebrou ao som de uma dança pior do que a da propaganda da C&A. Era a da garrafa, no sempre deprimente Domingo Legal. Os inúmeros playbacks de hits como “Estoy Aqui” fizeram com que a colombiana ganhasse admiradores por estas bandas. Basta ouvir o vocal de Luka, dona do mega-sucesso “To nem aí”, ou prestar atenção na guitarra de “Três Lados”, do Skank, quase gêmea de “Pies Descalzos”.

As semanas seguidas sem aparecer em programas de auditório brasileiros são diretamente proporcionais às semanas de sucesso na parada da Billboard. E este é o caso do bem intencionado Fijacion Oral Vol. 1. O disco vendeu mais de 150 mil cópias na primeira semana de lançamento e se tornou a melhor estréia de todos os tempos de um CD em espanhol. Oral Fixation Vol.2, versão em inglês do álbum, deve seguir o mesmo caminho e aparece nas prateleiras em novembro.

O vocal marcante (seja louvado o eufemismo) está nos dez rocks de sofá do disco – alguns dançantes e a maioria pecando por ser pretensamente sexy. O ápice é o clipe do primeiro single, “La Tortura”, com o espanhol Alexandro Sanz. Nunca confie em alguém que faz a dança do ventre banhada em graxa.

Mesmo com toda essa graxa afugentando possíveis ouvintes com o mínimo bom gosto, Shakira convence em vários momentos. “En Tus Pupilas” seria ainda melhor com um pouco menos de afetação vocal. Mas a canção vale só pelo fato de mostrar que Shakira está aprendendo o valor de um sussurro, fato comprovado pela fofinha “Obtener Un Si”. “Escondite Ingles” parece mais uma dessas baladas, mas o belo arranjo roqueiro-circense é exposto no refrão. “Dia de enero” é outra surpresa, ao emular a cantora Nelly Furtado. A música poderia figurar em qualquer rádio adulta que busca um pouco de sofisticação.

Graxa e eufemismo à parte, Shakira mostra serviço e entrega um disco perfeito para surpreender os antidivas latinas.

Shakira: provavelmente se lavando da graxa

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