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MBA: Gestão em bom cinema

16.07.05

por Daniel Oliveira

Em boa companhia

(In good company, EUA, 2004)

Dir.: Paul Weitz
Elenco: Dennis Quaid, Topher Grace, Scarlett Johansson, Philip Baker Hall, Selma Blair, Malcolm Mcdowell

Princípio Ativo:
Abaixo as grandes corporações!

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Qual é o seu cargo? Quanto mede sua sala no trabalho? Você tem uma sala própria? Então, qual é o tamanho da sua mesa? Em quantas pessoas você manda? Quantas mandam em você? Qual a marca do seu carro? Tem um apartamento bacana? Um iPod? Freqüenta a academia regularmente e usa roupas de uma marca hype?

Se você está tentando entrar no mercado de trabalho, ou faz parte dele, reconhece esse questionário-perfil da “cultura” corporativa, os gerentes de marketing com MBA em Gestão de Recursos Humanos e demais clichês relativos ao assunto. “Em boa companhia” é um filme sobre os reflexos humanos dessa “política”. Dirigido e escrito por Paul Weitz, ele segue a cartilha de seu último trabalho, “Um grande garoto”: bom elenco, humor bem dosado, crítica sutil, misturada a um romantismo inocente, e uma excelente trilha sonora.

O longa conta a história de Dan Foreman (Dennis Quaid), diretor de Marketing da famosa revista esportiva Sports America, substituído pelo jovem Carter Duryea (Topher Grace), devido à incorporação de sua empresa pela megacompanhia Globecom. Dan ainda tem que lidar com a gravidez tardia de sua mulher e a mudança para Manhattan de sua primogênita Alex (Scarlett Johansson) que, de quebra, apaixona-se por Carter.

Weitz estabelece, com acidez e humor, o conflito entre o “antiquado” Foreman e sua identificação com a revista, e Duryea, cria da cultura gerencial fria e desumana, personificada pelo magnata da Globecom, Teddy K. (Malcolm Mcdowell). Os discursos de Carter e Teddy, recheados com clichês como sinergia, gestão e lucro, são embaraçosamente engraçados. A sequência em que Dan fica sabendo que seus dois melhores amigos serão despedidos, devido ao corte de pessoal, é outra virtuose do diretor: logo após a notícia, ao chegar em casa, Weitz usa a câmera em plongée, em uma imagem clara do poder das corporações sobre os sujeitos que trabalham para elas.

“Em boa companhia” funciona devido ao ótimo elenco. Quaid está em uma de suas melhores atuações e Johansson é a apaixonante espontaneidade e o calor humano, que fazem o personagem de Grace rever seus conceitos. A trilha, permeada de baladas ao violão, lembra “A primeira noite de um homem” sem a mesma genialidade, mas Iron & Wine e Damien Rice não fazem feio. O filme se equilibra entre a doçura e o sarcasmo e, se no final escorrega para o piegas, ele se salva em duas seqüências chave entre Alex e Carter – uma no apartamento dela e outra na porta do elevador da Sports América - e se redime na última cena. Prova de que Weitz segue o bom caminho de “Um grande garoto” e deixa os dias de “American Pie” para trás.

Scarlett:”Pois é, na verdade, eu gosto é do Bill Murray”

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