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Ivan Lins foi embora

31.08.05

por Braulio Lorentz

Violins - Grandes Infiéis

(Monstro Discos, 2005)

Top 3: “Hans”, “II Maledito” e “Glória”.

Princípio Ativo:
Distorção com molho agridoce

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O tripé no qual as bandas de rock deitam e rolam muitas vezes foge do tradicional sexo, drogas e rock'n roll. Esse é o caso do quinteto goiano Violins. Os caras se acharam em meio aos violinos, livros velhos e reuniões do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico. Foi num desses encontros do CNPQ que os integrantes da banda, antes chamada Violins and Old Books, se conheceram. Começaram então a compor canções em inglês, reunidas no EP de estréia, Wake up and Dream, de 2002. O disco seguinte, Aurora Prisma, de 2003, apresentou a nova proposta de se fazer canções com letras em português.

E também foi neste período de transição que eles fizeram a até agora única apresentação em Belo Horizonte. O vocalista e guitarrista Beto Cupertino, naquela ocasião, teve que responder à seguinte pergunta:

- O que você acha dos comentários da platéia sobre você ter um timbre que lembra o do Guilherme Arantes?

Desde aquele dia seis de setembro de 2003, às onze horas da noite e vinte e cinco minutos, passei a dosar melhor os improvisos em entrevistas. Dois anos se passaram e o clima “Thom Yorke encontra Ivan Lins” permanece. Em termos, já que a distorção e um monte de guitarras heavy metal de certa forma botaram Ivan Lins pra correr. Guilherme Arantes correu junto. No vácuo.

A sonoridade de Grandes Infiéis está ainda mais alinhada com a turma do líder do Radiohead, especialmente na arrebatadora seqüência inicial “Hans”, “II Maledito” e “Glória”. Cupertino está mais seguro nos vocais e produz com seus companheiros de Violins uma dúzia de petardos que emplacam de cara.

Cantadas por Cupertino, palavras bem amarradas, às vezes trôpegas, soam fortes e se acomodam nas suaves melodias. “Eu quis beber pra ir aí/ Mas a sorte me fez dormir” e “Eu quis beber para então sorrir/ Mas a dose me fez trair”, por exemplo, estão na já citada “Hans”.

As letras são cheias de imagens que encantam e provocam estranhamento. Destaque para “Ângelus”, que conta sobre a busca por um deus no espaço, procurado com os “olhos descalços”. A partir dessa canção, os pianos também soltam mais aos olhos. Dá até para ver um fantasminha do Ivan Lins flutuando. Mas o Ivan Lins não está vivo? Ah é. Quem, por outro lado, está mais pra lá do que pra cá são as guitarras do Radiohead. Os órfãos delas agradecem.

Violins (da esq.): Pierre, Léo, Beto, Pedro e Diego

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