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O bloco dele sozinho

31.08.05

por Rodrigo Ortega

Beto Só - Lançando Sinais

(Senhor F Discos, 2005)

Top 3: “Meus olhos", "Me faz feliz", "Meu amor quem foi?"

Princípio Ativo:
Cartas de amor

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Sabe aquelas cartas guardadas em uma caixinha no fundo do seu armário? Não precisa responder, mas você sabe. O brasiliense Beto Só pegou as dele e transformou nas canções do disco Lançando Sinais. Relacionamentos difíceis marcam as onze histórias contadas nas músicas. O som tem a mesma aparência sensível das letras. Não faltam cordas, teclados e efeitos de guitarras. Os refrões simpáticos dispensam uma suposta autopiedade. Impossível não dar uma googlada interna nisso tudo e achar bandas como Keane e Starsailor. O que não deve ser ruim para Beto, já que elas são queridinhas das paradas.

Beto Só se destacou na cena independente de Brasília com a banda Solitários Incríveis, que terminou em 2003. O disco é um dos primeiros lançamentos do selo do agitador musical de Brasília Senhor F (aka Fernando Rosa) com distribuição nacional pela Tratore. A produção ficou por conta de Philippe Seabra (Plebe Rude). Lançando Sinais é um dos produtos desta cena nova e promissora da cidade, de bandas como Prot(o) e Phonopop. A banda que não deixa Beto tão só assim é formada por Ju (guitarra), Beto Cavani (bateria), Mateus Baeta (baixo) e Tiago Ianuck (teclados). Ju, irmão de Beto, toca também no Phonopop.

A primeira faixa, a dramática “Meus Olhos”, já é conhecida pelo público local. Figurou na coletânea Clássicos da Noite Senhor F (2005) e tem potencial para ser ainda mais indie-hit. “Me faz feliz” é mais animada e demonstra esperança em meio a um ponto de vista negativo em relação ao amor: “Me poupe dos pileques / das teorias vazias sobre você”. “Meu amor quem foi?” marca pelo arranjo à Coldplay em Rush of blood to the head (2003) e pela mensagem pé-na-bunda da letra. “Não pede desculpa / Esquece meu número e diz / Diz pra mim / Diz assim, que não vai mais voltar”, canta Beto. A faixa completa o Top 3 de Lançando Sinais.

Em “Olha”, outra música bacana, Beto assume o outro lado do pé-na-bunda em versos bem sacados: “Olha que ontem eu troquei o seu nome / Olha, eu já voltei a sentir fome”. As canções tentam encontrar alguma luz em um cenário sombrio, o que é marcante na faixa-título, “Lançando Sinais”. Beto escorrega ao esbarrar no estereótipo emepebezístico e tedioso do “trovador solitário” (“Guirlanda de Flores”) e, por outro lado, no vocal afetadamente bripopesco (“Isadora”). Mas, longe desses extremos indesejáveis, faz um som bacana e boas canções, que o creditam para ser um dos novos queridinhos de seguidores da cena e rádios espertas.

Beto Só em pose amedrontadora

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