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Muito Emo e pouca noção

08.10.05

por Braulio Lorentz

B5 – Novo

(Boom Records, Warner, 2005)

Top 3: “Vertigem”, “Tudo Bem” e “3 porquinhos”.

Princípio Ativo:
Emo = Emocore = Emoção + Hardcore

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No primeiro disco, as canções destes cinco meninos de Petrópolis eram sobre salas de aula e ficadas em geral. Sempre havia espaço pros “Nanana´s” e “Tchururu´s” à la Teenage Fanclub, mas os garotos arrancaram os cartazes dos Beatles da parede e colocaram fotos de bandas com uma quedinha para o lado Emo da força. Blink 182, Green Day e Box Car Racer, por exemplo, já foram contemplados nos shows do B5, com destaque para os de abertura da passagem do Hanson pelo Brasil.

Neste segundo CD, os rapazes, todos entre 16 e 18 anos, chutaram o balde como um grupo supostamente comportado jamais o fez. A tão comum camaradagem entre bandas brasileiras passa longe dos versos da canção “3 Porquinhos”. O título, pasmem, pode ser interpretado como uma referência ao trio KLB. Outras alfinetadas são menos indiretas. “Já tô com nojo/ Muita vontade de cuspir/ 43 não é o olhar que vem daqui” é uma possível alusão ao hit “Olhar 43”, regravado pelo KLB.

Na mesma música, os conterrâneos da turma do “Hermes & Renato” parecem criticar o recurso mais usado por Kiko, Leandro e Bruno. Trata-se da artimanha imortalizada pelo Bee Gees de dizer “Ai” no fim de cada verso. Os meninos do B5 provavelmente não sabem o significado da palavra “noção” e constroem o refrão mais sacana dos últimos tempos do Pop Rock Nacional. Se Joselito ouvisse “3 porquinhos”, com certeza ele choraria de emoção: “Ai!/ É sempre aquele ai!/ Homens não gritam ai!/ De cada 10 palavras 24 são ai!/ Brega não sou jamais/ Enlatados não vendem mais/ Eu vejo os 3 porquinhos que ficaram para trás”. A chuva de farpas pode também ser capaz de atingir a habilidade dos moços do KLB com seus respectivos instrumentos: “Não copiei, eu só criei e não fingi que ali toquei/ O meu sucesso eu não comprei”. Gente, Emo que é Emo não faz uma maldade dessas!

Mas é nas músicas de trabalho “Algum Lugar” e “Só mais uma vez” que está a essência da nova fórmula do quinteto carioca. Dedilhado e barulho se revezam, assim como os dois vocalistas da banda. Outros momentos com a mesma característica ficam por conta de “Vertigem”, boa versão de “Vertigo”, da banda American Hi Fi, e da balada “Valeu”.

Para o ouvinte acostumado com o vocal melodioso de Léo, que canta no disco de estréia, a voz de Edu soa fora de lugar. O jogo de vozes, no entanto, faz bastante sentido, já que os refrões deste novo CD estão mais pesados e pedem um vocal mais “revoltadinho”. Porém, a pegada tchururu de tempos passados ainda respira em “Tudo Bem”. Então tudo bem. Ou, como canta Léo ao final da canção, “It´s All Right/ It´s All Right”.

A banda em ação: conterrâneos do Joselito não por acaso

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