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Mujeres desesperadas

29.08.05

por Daniel Oliveira

Casa dos Bebês

(La casa de los babys, México / EUA, 2003)

Dir.: John Sayles
Elenco: Marcia Gay Harden, Maggie Gyllenhaal, Daryl Hannah, Lili Taylor, Mary Steenburgen, Susan Lynch, Angelina Peláez, Lizzie Martinez, Vanessa Martinez

Princípio Ativo:
Seis atrizes afiadas

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Imagine que as amalucadas “Desperate housewives” fossem ao México atrás de crianças para adotar: com o mesmo humor ácido contra o republicanismo norte-americano burro, sua prepotência e a ignorância do mundo externo a elas.

É esse “Casa dos bebês”, escrito, dirigido e montado por John Sayles. Nan (Marcia Gay Harden), Jennifer (Maggie Gyllenhaal), Skipper (Daryl Hannah), Leslie (Lili Taylor), Gayle (Mary Steenburgen) e Eileen (Susan Lynch) são seis norte-americanas, que se inscreveram em um programa de adoção de bebês mexicanos. Para conseguir as crianças, elas devem morar por um tempo indeterminado no país. Elas ficam em uma pousada, a casa do título, e desenvolvem, inevitavelmente, uma relação que é o eixo central do filme.

A casa é administrada por Mercedes (Angelina Peláez, saída de uma novela mexicana), irmã do advogado contratado pelas mulheres para cuidar da adoção. O esquema, na verdade, é um golpe dos dois, que determinam quanto tempo cada uma das pretensas mães deve ficar no país e quanto dinheiro deve gastar com eles. O diretor ainda ilustra outra engrenagem dessa indústria: a história de uma adolescente grávida, obrigada pela mãe a “vender” seu filho.
Sayles se apóia no perfil das seis mulheres e seus diálogos. São eles que mostram a ignorância em relação ao país em que se encontram, o preconceito que elas não fazem questão de esconder e o vazio espiritual delas, que não conseguiram, biologicamente, cumprir seu “propósito” de esposa suburbana e mãe aparentemente perfeita, ilustrado na série citada no primeiro parágrafo. Em uma cena em que Jennifer e Skipper conhecem a cidade com um guia e ele demonstra um repertório inesperado a respeito da história dos EUA – para elas, ele seria apenas mais um selvagem ignorante, tentando ganhar quatro dólares – a surpresa das duas é constrangedora e a reação de Jennifer é mais ainda: “Ele ficará ofendido se pagarmos mais que quatro dólares?”.

O diretor explora, ao máximo, o talento de suas atrizes. Há ainda outra cena que merece destaque, quando Eileen conta à camareira do hotel os sonhos que tem com sua filha. A moça, humildemente, lhe dá uma lição, compartilhando sua experiência com a hóspede – a camareira havia doado seu bebê para adoção anos atrás. A atuação das duas é impressionante.
Quase todo diálogos, Sayles abusa dos closes e edita o filme burocraticamente. “Casa dos bebês” fica demais com cara de novela - no máximo, telessérie especial. Além disso, o final repentino levanta a velha suspeita do “orçamento acabou”. Nada que torne menos agudo alguns dos diálogos das seis moças e perturbadora a experiência de assistir à ignorância que governa o mundo atualmente.

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