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Grife Arraes versão digital

22.09.05

por Daniel Oliveira

O coronel e o lobisomem

(Brasil, 2005)

Dir.: Maurício Farias
Elenco: Diogo Vilela, Selton Mello, Ana Paula Arósio, Pedro Paulo Rangel, Tonico Pereira, Othon Bastos, Andréa Beltrão, Lúcio Mauro Filho, Francisco Milani, Marco Ricca

Princípio Ativo:
Grife Guel Arraes

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Tem elenco do Guel Arraes. Tem roteiro do Guel Arraes. Tem produção do Guel Arraes. Tem a cara do Guel Arraes. Preste bem atenção, não estou dizendo que seja um filme do Guel Arraes. Até que não é. “O coronel e o lobisomem” pode completar a tal “trilogia da comédia popular” – que já é, pelo menos, uma quadrilogia, com o anúncio de “O bem amado” em longa metragem. Mas tem traços próprios, para o bem e para o mal, que salvam o diretor Maurício Farias da acusação de “Guel Arraes with lasers” (ou with lobisomem digital).

Adaptado do livro de José Cândido de Carvalho, o longa conta a saga do Coronel Ponciano (Diogo Vilela), um Dom Quixote do romance regionalista nacional. Ele é criado junto com o filho do capataz, Pernambuco Nogueira (Selton Mello) e os dois se apaixonam por Esmeraldina (a bela Ana Paula Arósio), prima do coronel. Quando um lobisomem aparece na região da fazenda, os moradores suspeitam de Pernambuco e Ponciano questiona a lealdade do amigo.

Estreante em longas, Maurício Farias tem longa experiência na televisão e sua direção de atores é segura e competente. A adaptação respeita o texto rebuscado de José Cândido, cheio de períodos longos e neologismos, à la Graciliano Ramos. Isso faz com que o filme seja guiado pelos diálogos e interpretação. O elenco é o grande destaque do filme, dominando um texto desafiador, especialmente Pedro Paulo Rangel, que rouba a cena como o enxerido Seu Juquinha, empregado da fazenda.

O quesito técnico não decepciona, com fotografia e direção de arte extremamente bem cuidadas, auxiliadas por efeitos visuais de qualidade incomum no cinema brazuca. A Digital 21, empresa responsável pelos efeitos e co-produtora do longa, ainda teve o desafio de criar a fera do título, em uma seqüência que poderia ter ficado ridícula, mas que surpreende e não compromete a proposta do filme. Na trilha, Caetano Veloso repete a função de “Lisbela e o prisioneiro” e “Dois filhos de Francisco”, mas dessa vez com a parceria de Milton Nascimento, que combina o estilo e os acordes das canções com a beleza das locações mineiras.

Com tudo isso, “Coronel” é excelente, você me diria. Não é para tanto. Maurício Farias é bom com os atores, tem bons momentos como as seqüências do julgamento, mas peca um pouco no ritmo. E a solução final não faz jus ao resto do roteiro. Assim como as músicas recentes de Caê e Milton, você reconhece a qualidade e o primor técnico, mas sabe que não chegam aos pés do arrebatamento das canções da fase áurea dos emepebistas. Nada que os olhos de Ana Paula Arósio não consigam superar.

Arósio: bonita, até de olhos fechados

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