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Placebo na fórmula xarope

17.02.06

por Rodrigo Ortega

Placebo - Meds

(Elevator – Importado, 2006)

Top 3: “Meds”, “Follow the cops back home”, “In the cold light of the morning”.

Princípio Ativo:
Repetição

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“Contra-indicações”, “precauções” e “efeitos colaterais” foram alguns termos cortados dos trocadilhos médicos do projeto inicial do Pílula Pop. As palavras eram muito negativas para nomear seções do site, mas eu sabia que ainda teríamos chance de usá-las. Só não sabia que a chance seria tão perfeita: o mais novo e xarope disco do Placebo se chama Meds. O álbum está na rede desde o início do ano, mas só chega às lojas dia 13 de março.

Você percebe que algo deu errado quando ouve na MTV que a banda anunciou o lançamento como uma “volta ao peso dos primeiros discos”, e a apresentadora do Disk ainda diz “primeiros discos” como se fossem vinis empoeirados de um dinossauro do rock. Ao contrário do que a banda afirmou, Meds não chega nem perto de Placebo (1996) ou Whithout You I’m Nothing (1998), e continua a descida na ladeira de Black Market Music (2000) e Sleeping With Ghosts (2003).

A faixa de abertura, “Meds”, é propaganda enganosa. Agitada e empolgante, a música apresenta novas idéias para o som do Placebo (incluindo o vocal feminino de VV, do The Kills, e novos grunhidos de guitarras). Isso é tudo o que falta no resto do disco. A escolha dos primeiros singles foi infeliz, mas coerente. “Because I Want You”, na Grã-Bretanha, e “Song to say goodbye”, nos outros países, mostram bem a falta de boas melodias no disco.

Em “Because I Want You”, “Infra-Red” e “Drag”, Brian Molko e cia. fazem refrões bons, mas simples demais para o número de repetições e o nível que se espera da banda. “Post Blue” e “One of a Kind” são apenas variações da equação versos hipnóticos + efeitos eletrônicos que já rendeu melhores resultados em “Pure Morning” ou “Taste In Man”.

O disco só volta a dar sinal de vida nas baladas “Follow the cops back home” e “Pierrot the clown”. Os momentos mais interessantes são os vocais graves de “Broken Promisse”, com participação de Michael Stipe, do REM, que também desceu a ladeira no seu último disco, e “In the cold light of the morning”. Mas elas estão no final do disco, quando você já decidiu pedir seu dinheiro de volta.

Na verdade, a primeira frase da primeira música já explica o que está por vir: “I was alone / Falling free / Trying my best not to forget / What happened to us” (“Eu estava sozinho / em queda livre / tentando ao máximo não me esquecer / o que nos aconteceu”). Apesar da boa impressão dos shows no Brasil, o Placebo errou na fórmula de Meds.

Sozinho, em queda livre, tentando não esquecer

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